Afinal, os fones da Beats são realmente bons ou não valem o preço cobrado?

Estou para ver uma marca que gera mais polêmica do que a Beats. Adquirida pela Apple por US$3 bilhões, a empresa está sempre presente em discussões envolvendo preços vs. qualidade de fones de ouvido.

Essa tal qualidade superior que muitos (metidos a) audiófilos dizem faltar no Beats é algo bem subjetivo para o público leigo (eu me encaixo aqui), o que acaba gerando uma discussão sem fim. Pois agora temos mais um capítulo dessa história que vale a pena ser compartilhado.

Desmontagem dos fones da Beats

Com base em dois estudos distintos feitos pelo Lifehacker (análise técnica da qualidade do som) e pela empresa Bolt (desmonte do equipamento em si), o Gizmodo Brasil mostrou que de fato há algo no mínimo questionável na concepção dos tradicionais fones coloridos da empresa.

Falando da análise técnica em si, Whitson Gordon (editor do Lifehacker que fez uma incursão em fones de ouvido topo-de-linha) discorda de alguns audiófilos. Para eles, os fones da Beats são ruins pois os sons graves são muito pesados. Pois para Gordon, o problema é que além de os sons graves terem baixa qualidade, os tons médios e agudos são ainda piores.

Segundo Gordon, podemos encontrar outras opções no mercado com muito mais qualidade sonora (principalmente nos sons graves) pagando bem menos — há algumas recomendações de fones que ele acredita serem melhores que os da Beats neste post.

Desmontagem dos fones da Beats

No Beats Solo, 30% do peso do produto vem de quatro peças de metal; elas estão lá unicamente para dar peso ao produto.

Já na parte da desmontagem do Beats promovida pela Bolt (modelo Beats Solo), a conclusão foi de que a empresa tenta economizar em todos os aspectos na hora de fazer os fones, utiliza drivers (componentes dos alto-falantes) genéricos que poderiam ser utilizados por qualquer par de fones do mercado e utiliza componentes de metal para adicionar peso ao produto, a fim de dar um aspecto mais premium a ele.

Sobre o primeiro ponto, eu realmente discordo da análise. Toda empresa quer economizar na fabricação de seus produtos a fim de maximizar a margem de lucro — e isso não é errado de forma nenhuma. A Apple, por exemplo, tenta economizar ao máximo na hora de fabricar seus produtos e ainda assim, na maioria das vezes (com exceção de casos como o da câmera FaceTime de 480p do novo MacBook), o resultado final é um produto de qualidade inegável, com uma experiência de uso muito positiva.

A grande questão, aqui, é se essa economia chega ao ponto de comprometer a qualidade do produto. E pelo que parece, foi aí que a Beats se enrolou já que a construção do produto em si não parece bater com o discurso de qualidade superior. Apenas como curiosidade1, a Bolt estimou o custo de fabricação do Beats Solo em US$16,89, enquanto o produto é vendido para o público por US$200. É inegável que o marketing da empresa conseguiu construir um estilo próprio, uma marca que é altamente desejada por muitos — assim como a Apple. A diferença parece mesmo estar na entrega do produto final.

Desmontagem dos fones da Beats

Deixando de lado toda essa análise técnica e levando em consideração a nossa experiência no mundo real com esses produtos… bem, infelizmente — ao menos entre os integrantes da equipe do MacMagazine — as notícias também não são boas.

O Michel Duarte já teve problemas tanto com a Beats Pill XL quanto com os fones Powerbeats2 Wireless. Ele recentemente trocou os fones sem fio por um par novinho que, dias depois, também apresentou problema.

Eu também tenho um Powerbeats2 Wireless e estou sofrendo com um problema de bateria (ela “morre” do nada e “volta a vida” quando quer). O Rafael Fischmann também já passou por problemas com o seu antigo Beats Solo (que descolou todo muito provavelmente por conta do suor); temos que ressaltar, porém, que o Powerbeats2 Wireless dele, comprado junto do meu, funciona perfeitamente e nunca apresentou problema.

Desmontagem dos fones da Beats

Infelizmente, como vocês podem ver, nós tivemos dores de cabeça com diversos produtos da Beats. Para piorar, alguns modelos como a Beats Pill XL e o Powerbeats2 Wireless não contam com suporte aqui no Brasil pois não são comercializados por aqui. Ou seja, se você comprar um desses lá fora e ele apresentar algum problema, não há o que fazer a não ser esperar uma próxima viagem — ou aproveitar a de um amigo — para tentar resolver tudo.

Ao meu ver, a grande questão aqui não é a qualidade do Beats em si — não há problema nenhum em adquirir um produto medíocre (de qualidade média, comum, mediano). O problema é pagar caro (na verdade, muito caro) por uma suposta qualidade superior — aliada a estilo/marca — mas que, aparentemente, não existe.

No mais, gostaria muito de ver essa análise sendo feita também em fones de marcas que são reconhecidas como de alta qualidade.

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