Você faz ideia de quanto custa um iPhone 6 na Venezuela? “Apenas” R$145,3 mil no mercado paralelo… [atualizado]

Venezuela

Não é novidade para ninguém que o iPhone — na verdade todos os produtos Apple — é extremamente caro aqui no Brasil. Mas há um país na América Latina onde, acredite, as coisas estão bem piores do que aqui.

Conforme informou o jornal carioca O Globo, a falta de estoque de aparelhos e a escassez de dólares na Venezuela estão tornando a compra de qualquer telefone celular algo praticamente impossível, indo na contramão do mercado latino-americano.

Resumidamente, o país está tendo problemas para pagar tanto produtos básicos quanto as importações pois o petróleo é responsável por 95% das exportações venezuelanas. Como o preço do barril vem caindo (no segundo semestre do ano passado a queda foi de 50%), o cenário caótico está estabelecido. Para completar essa receita, temos ainda uma inflação que, no fim do ano passado, estava em meros 69% — as previsões dão conta de que, agora, ela está acima dos 100%.

Falando especificamente de telefones celulares, todos os provedores/vendedores de serviços de telefonia celular são obrigados a passar pela intermediária do governo (a Telecom Venezuela) e, por conta da falta de dinheiro, ela não está conseguindo honrar os pedidos.

Assim, quem tem telefone para vender cobra uma fortuna. E quem compra, tem que tomar todo cuidado do mundo para não ser roubado já que esses aparelhos, agora, valem mais do que nunca. Sim, muito dinheiro, mesmo! María Verónica Fernández, que teve o seu Samsung Galaxy S4 roubado, foi a oito lojas de Caracas para colocar seu nome em uma lista de espera de um telefone celular que, segundo ela, nem mesmo gostava.

É o mesmo sentimento de impotência de quando você tem que ir a três ou quatro supermercados procurar papel higiênico, óleo ou farinha.

Depois de esperar algumas semanas, ela comprou um Samsung Galaxy Fame — que aqui no Brasil é vendido por menos de R$400 por incríveis 17 mil bolívares (cerca de R$8,2 mil). Mas o iPhone 6 extrapola qualquer limite imaginado. Lá, o smartphone da Apple é comercializado no MercadoLivre por cerca de 300 mil bolívares, algo em torno de… R$145,3 mil — cerca de 41 vezes o salário mínimo mensal do país, de 7,3 mil bolívares!

Complicado é pouco…

[dica do Junior Santos]

Atualização · 24/06/2015 às 00:08

A discussão nos comentários tomou um rumo desnecessário. Aos que estão batendo na tecla da fonte da informação ser a Revista EXAME, da Abril, saibam que tanto ela quanto a matéria do O Globo têm como base a Bloomberg (esta sim, fonte original da informação).

Resumidamente, os preços estão caros pois o dólar no mercado paralelo venezuelano está bem mais caro que os informados pelos índices oficiais do país. Muito disso tem a ver com a limitação que o governo impõe na compra da moeda. Desta forma, as pessoas são obrigadas a fazer o câmbio no mercado paralelo, elevando o preço de tudo ligado diretamente ao dólar, o que obviamente inclui produtos importados.

No mais, alteramos o título para passar a informação de que o preço, na verdade, é praticado no mercado paralelo. E sim, pessoas podem vender produtos por qualquer preço no MercadoLivre, mas experimentem comparar os valores médios cobrados no ML brasileiro com os venezuelanos e tirem as suas próprias conclusões. E não se enganem: há demanda para produtos com valores exorbitantes, basta ver o histórico de venda de alguns deles.

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