O nosso review definitivo do Apple Watch, após dois meses de uso

Assim como muitos de vocês, nós acordamos às 4 horas da manhã do dia 10 de abril para comprar o Apple Watch (primeiro dia da pré-venda). Em pouquíssimo tempo os estoques do relógio terminaram e as entregas, que supostamente deveriam acontecer na semana do dia 24 de abril, ficaram cada vez mais distantes.

O primeiro relógio no qual pus as mãos (por disponibilidade) foi um Apple Watch Sport de 38mm, com pulseira branca. Depois troquei ele com o nosso gordinho Breno Masi e peguei o meu modelo definitivo: o Apple Watch Sport na cor cinza espacial, de 42mm. Isso foi muito bom para eu comparar os tamanhos e chegar a um veredito sobre o melhor para o meu pulso.

Como editor de um site de tecnologia, acompanho todas as notícias que saem por aí ligadas à Apple. Neste período (desde o lançamento do Watch até hoje), porém, eu busquei ignorar ao máximo os reviews do relógio justamente para evitar que opiniões alheias influenciassem o meu julgamento.

Sem mais delongas, vamos então ao nosso review definitivo do Apple Watch!

Design

Aconteceu com iPhone 4, com os iPhones 6/6 Plus e agora, de novo, com o Apple Watch. Assim que esses produtos foram apresentados ao mundo, eu não curti muito o visual deles. Pouco tempo depois, porém, a minha opinião mudou. Alguns vão falar que é o tal Campo de Distorção da Realidade® que Steve Jobs tanto usava ao seu favor — e que anda um pouco mais fraco na Apple, mas ainda existe. Pode ser, mas eu realmente acredito que alguns produtos precisam de um pouco mais de tempo para você se acostumar, entender o propósito de alguns elementos.

O iPhone 4 era quadradão; as listras e a câmera protuberante dos iPhones 6/6 Plus, gritantes; o Watch… o produto até então mais tecnológico da Apple, com um visual, digamos, um pouco retrô1. Mas como disse, algumas semanas depois, todos esses elementos simplesmente parecem, de alguma forma, fazer sentido2 e compor bem o design escolhido pela Maçã. No caso específico do Watch, o objetivo da Apple não era reinventar o formato “relógio”, e sim alterar o que nós, usuários, podemos fazer com um produto que está boa parte do dia nos nossos pulsos.

A ideia de que “existe um Apple Watch para cada pessoa” no começo me pareceu confusa (uma variação de produtos/modelos nunca antes vista na Apple), mas agora vemos como ela acertou bem nessa estratégia. Três modelos (Apple Watch Sport, Apple Watch e Apple Watch Edition) com diferentes materiais (alumínio, aço inoxidável e ouro), dois tamanhos (38mm e 42mm), duas variações de cores em cada linha, diversas pulseiras… além de atender aos mais diferentes gostos e bolsos, essa oferta nos permite “brincar” com o relógio — como por exemplo, ter uma pulseira para praticar esportes e outra para eventos mais arrumados. Ponto para a Apple.

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Apple Watch Sport 42mm 🙂 #WatchTrip

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Alguns não entenderam por que a Apple colocou a Coroa Digital e o botão do Watch no mesmo lado, sugerindo que o botão poderia estar do lado esquerdo e ambos, centralizados verticalmente. Mas isso não me incomodou. Para não dizer que não incomodou, essa disposição só atrapalha um pouco na hora de tirar uma screenshot (os dois botões devem ser apertados ao mesmo tempo). Se cada um estivesse de um lado do relógio, certamente isso seria mais fácil. No mais, nenhuma reclamação sobre a escolha de Jony Ive.

Não tenho como opinar sobre o corpo de ouro do Apple Watch Edition3, mas apesar de só ter utilizado para valer o Apple Watch Sport, cheguei a brincar um pouco com o Apple Watch (de aço inoxidável) em uma recente viagem que fiz ao exterior.

Resumidamente, o corpo de aço inoxidável passa uma ideia maior de relógio que o de alumínio. Posso estar exagerando um pouco, mas o brilho e o peso do Watch “combinam” mais com a ideia de relógio. E a Apple parece concordar com isso, afinal, além de não colocar nenhum sobrenome nele (apenas Apple Watch [relógio], diferentemente dos outros — o que não deixa de ser um pouco confuso), ela deu exatamente esse modelo para que a modelo Christy Turlington Burns se preparasse para a Maratona de Londres. Vamos combinar: seria muito mais coerente fazer isso com um Apple Watch Sport, não? Mas é o Apple Watch que sai bem nas fotos, com seu corpo brilhoso e seu porte de relógio.

Apesar de ter um corpo “mais bonito”, o Apple Watch sofre com arranhões. E isto não é culpa da Apple, afinal, acontece com todos os relógios de aço inoxidável do mercado. Neste quesito, ponto para o alumínio do Watch Sport que é mais resistente. Já a tela de cristal safira do Apple Watch, embora não tenha um contraste tão bom assim em ambientes com alta luminosidade (a tela do Watch Sport, feita de vidro de Íon X, é melhor nesse sentido), simplesmente não arranha — para conseguir danificar a tela você teria que fazer um certo esforço levando em consideração a dureza do material. Já a tela do modelo esportivo, que é exatamente igual à dos iPhones 6/6 Plus, arranha com mais facilidade (a minha inclusive já está com alguns arranhões bem pequenos, perceptíveis apenas quando olho para ela sob uma luz bem forte).

Como estamos falando de um relógio, a probabilidade de você dar umas topadas com ele em algum lugar enquanto mexe o braço é grande. Basicamente, com o Apple Watch Sport o corpo do relógio está mais protegido; já com o Apple Watch, a tela é a parte mais resistente.

Sobre a espessura, é verdade que ele poderia ser um pouco mais fino (imagino que a segunda ou a terceira geração poderá evoluir nesse sentido), mas não é nada que incomode ou deixe o relógio desproporcional no braço. Se você está preocupado com isso, pode ficar tranquilo!

Pulseiras

Não posso falar de todas, afinal só usei mesmo a esportiva. Apesar de algumas pessoas não terem gostado muito dela (principalmente como prender a pulseira ao braço), eu me adaptei muito bem. Mesmo sendo um modelo esportivo, arrisco a dizer que a cor preta é bastante “elegante”. E o sistema de encaixe da pulseira? Ele é muito legal, basta apertar um pequeno botão e deslizá-la para o lado para que a pulseira saia facilmente — colocar, então, é mais fácil ainda! A Apple criou algo muito interessante para quem gosta de usar um mesmo relógio com pulseiras diferentes.

Trocando as pulseiras do Apple Watch

Aliás, se você é uma dessas pessoas e quer comprar um Watch, sugiro fortemente o Apple Watch (de aço inoxidável). Esse modelo “padrão” é o que combina com a maioria das pulseiras criadas pela Apple e muito provavelmente com as que ainda serão criadas por fabricantes parceiras da Maçã — caso você não saiba, qualquer empresa pode criar pulseiras para o Apple Watch.

Afinal, 38mm ou 42mm?

Eu tenho 1,74m, 75kg e um pulso de 17cm. Diria que sou um cidadão médio (nem alto, nem baixo; nem gordo, nem magro). Acredito que, por isso, a escolha do tamanho do relógio para mim não é algo fácil. Esse processo é muito mais simples para alguém pequeno e/ou magro (que normalmente vai com o de 38mm) ou grande e/ou mais pesado (que automaticamente prefere o de 42mm).

Como eu testei os dois, posso falar com propriedade. Assim que você vê o de 38mm pela primeira vez, acha o relógio pequeno — e ele é. Porém, ao usá-lo por alguns dias, rapidamente eu me acostumei com ele. E por ser uma pessoa mediana, ele não ficou ruim no meu pulso, com um aspecto de relógio muito pequeno ou feminino4.

Comparativo de tamanhos do Apple Watch
38mm vs. 42mm

O problema é que a mesma coisa (mas de modo invertido) aconteceu com o modelo de 42mm. Pode ser até uma certa influência do modelo menor, mas assim que recebi o Watch de 42mm e bati o olho nele, pensei comigo mesmo: “Esse vai ficar bem grande no meu pulso.” À primeira vista de fato ficou — até o tamanho das informações na tela me incomodaram um pouco no primeiro dia, mesmo a tela sendo inegavelmente mais prazerosa na hora de interagir com o relógio.

Só que, alguns dias depois, eu já estava totalmente adaptado ao tamanho do relógio no meu pulso. Comparando ele com alguns outros que eu tenho, posso afirmar que o Watch de 42mm está dentro da média e deve mesmo ser a escolha natural da maioria dos homens. Apesar da dúvida inicial, hoje tenho convicção que o relógio de 42mm é o tamanho ideal para mim.

Vale notar, ainda, que a pequena diferença no tamanho da tela também implica uma bateria ligeiramente maior dentro do relógio. De acordo com a própria Apple, donos de Watches de 42mm terão uma autonomia um pouco melhor que os de 38mm. Mas falaremos mais sobre bateria a seguir.

Falando um pouco do relógio em si

Review do Apple Watch - Fuso horário

Eu não costumava usar relógios no dia-a-dia. Usava algum em viagens ou em eventos sociais… e só. Mas, como sabemos, o Watch é mais do que um simples relógio. Aliás, eu diria que as horas são o que menos importa nele, mais ou menos como as ligações telefônicas no iPhone. Mas até nisso ele é, de certa forma, “superior” aos modelos convencionais de relógios se analisarmos tudo com o foco em informação. Em uma viagem (para San Francisco, por exemplo), você pode facilmente deixar tanto a hora local quanto a hora da sua cidade (no meu caso, Rio de Janeiro) na tela do relógio, facilitando bem as coisas.

Um dos trunfos do Watch está justamente na possibilidade de personalização, com as chamadas complicações5, isto é, informações relevantes que ficam disponíveis na tela do relógio. Ter diversas informações na tela (como previsão do tempo, seus eventos no calendário, sua meta de atividade física, entre outras coisas) a uma olhada de distância é muito útil.

Review do Apple Watch - Mostradores

Os mostradores (a aparência do relógio em si) me agradaram. Não são muitas as opções6, mas suficientes para quem gosta de mudar um pouco o visual dependendo da atividade/local onde está. Aqui, por exemplo, no meu dia-a-dia eu uso o Modular; mas quando vou a alguma festa ou algo do tipo, opto por algo mais “sofisticado” como Simples ou Cronógrafo.

Obviamente, isso varia de pessoa para pessoa — se você troca de wallpaper praticamente todos os dias no computador/smartphone, provavelmente ficará insatisfeito com a oferta atual. A gente sabe como a Apple gosta de controlar a experiência do usuário, então dificilmente veremos ela abrindo as portas para que desenvolvedores/empresas criem seus próprios mostradores7.

Os “Resumos” (informações importantes que podemos visualizar ao deslizar o dedo de baixo para cima) também são ótimos. Muitos apps disponibilizam esse recurso e basta você ativá-lo pelo aplicativo Apple Watch. A parte chata é ter que tomar cuidado para não ativar muitos e ficar com uma infinidade de apps listadas neste recurso. No meu relógio estou com 17 “Resumos” ativados, o que dificulta um pouco a navegação entre eles (tudo é feito através de gestos na tela, deslizando para a esquerda/direita).

Review do Apple Watch - Resumos

É claro que você pode ordená-los de forma que facilite o seu trabalho (deixando aqueles que você mais acessa próximos uns dos outros). Mas em algum momento você vai ter que passear por todos eles até chegar à outra ponta; então, ao menos no meu, eu tento ativar essa opção apenas no que for realmente essencial.

Comunicação com outras pessoas

O Watch não foi criado para substituir o seu iPhone. É verdade que é possível enviar mensagens e fazer/atender ligações por ele, mas isso não é nem de perto o motivo que fará você usar o relógio — ao menos não é para mim. De verdade: não é algo prático enviar uma mensagem pelo relógio. Você precisa abrir o app Mensagens, escolher a pessoa que quer enviar, tocar no botão responder e falar a sua mensagem — aí você a envia como áudio ou usa a transcrição que a Siri faz para enviar tudo como texto.

É fácil? Sim. É prático? Não. Para fazer isso, você precisa ficar com o braço levantado numa altura que, depois de alguns poucos segundos, incomoda. Imagine então atender uma ligação pelo relógio! Um minuto depois e você estará com câimbras! 😛 Por isso, eu ri do rumor sobre uma câmera FaceTime vindo no Apple Watch 2.

Sem falar que, no caso de mensagens, a tela do relógio é bem pequena para ficar caçando conversas, botões, etc. É muito mais simples e fácil pegar o celular do bolso e fazer tudo por ele. Essas funções estão ali apenas para serem utilizadas quando você realmente está impossibilitado de usar o telefone. São situações bastante particulares, mas comuns (em pé no metrô relativamente cheio, dirigindo, etc.). Nesses momentos, é mais simples responder uma mensagem ou atender uma chamada para dizer que você está ocupado pelo próprio relógio.

Além das formas “velhas”, o Watch conta também com novas formas de comunicação. Se a outra pessoa que você quer falar também tem o Watch, você pode “cutucá-la”, enviar corações (que literalmente batem no ritmo da sua frequência cardíaca) e desenhar na tela do relógio para que a pessoa veja tudo no pulso dela.

Review do Apple Watch - Comunicação

Eu raramente uso esses recursos. Nos primeiros dias, até por uma questão de curiosidade, você testa tudo com alguns amigos. Mas depois tudo isso cai no esquecimento. Eu conto nos dedos aqui quantas vezes eu apertei o botão lateral do relógio para ver a lista de contatos que tenho e começar algum tipo de comunicação com alguém pelo relógio. Se eu quero falar com alguém, envio uma mensagem, um email ou faço uma ligação. Dificilmente esses toques na tela chamam mesmo a atenção da pessoa com quem você quer se comunicar — assim como eu já enviei alguns e fiquei um bom tempo sem resposta, outras pessoas já me enviaram e eu demorei muito tempo para perceber.

Por falar em emails, vale ressaltar que no watchOS 1.0.1 (a atual versão do sistema) você pode apenas receber notificações e ler novos emails — não é possível respondê-los. No watchOS 2 isso mudará, mas eu sinceramente não sinto falta.

Como disse, não acho o relógio o dispositivo ideal para interagir com outras pessoas — e isso inclui responder emails. Eu até estou surpreso com o desempenho da Siri na transcrição do que eu falo (diria que a taxa de acerto dela está em 90% ou mais). Só que, ainda assim, eu não me vejo respondendo emails com a ajuda da assistente quando o watchOS 2 for liberado para todos.

Dificilmente um email hoje em dia tem um caráter urgente, que precise ser respondido naquele exato momento que é recebido. Na minha opinião, existem formas de comunicação mais eficientes para algo urgente (como o bom e velho telefone). Além disso, as pessoas estão com as Caixas de Entrada cada vez mais cheias. Então, eu prefiro esperar um momento que eu possa responder tudo pelo iPhone ou pelo Mac, com mais calma, do que ficar com braço estendido falando com o relógio.

Exercícios

Este foi um dos principais motivos que me fizeram desejar o Apple Watch. Antes dele, eu já passei pela Jawbone UP e pela Misfit Shine8, e a minha expectativa em utilizar o relógio para monitorar minhas atividades físicas era grande.

São dois apps nativos disponíveis para isso: o Atividade e o Exercício.

Review do Apple Watch - Atividade

No primeiro temos um gráfico ao mesmo tempo simples e completo das nossas atividades diárias, representado por três círculos: movimento (quantas calorias foram queimadas), exercício (quantos minutos de exercício você fez no dia) e em pé (quantas vezes você se levantou da cadeira). O objetivo diário é sempre fechar os três círculos.

Review do Apple Watch - Atividade

Rolando a tela para baixo em cada um deles temos ainda um detalhamento do que foi realizado ao longo do dia (de acordo com a meta traçada). Essas metas são definidas assim que você usa o relógio pela primeira vez, com base nas calorias que você pretende queimar9. Depois disso, com base no seu desempenho, o relógio sugere alterações semanais para mais ou para menos, dependendo se você está ou não cumprindo a meta.

Não é fácil, mas se você é uma pessoa sedentária, entender o conceito e tentar bater as metas diariamente, os resultados podem ser bem interessantes.

Review do Apple Watch - Exercício

O segundo app (Exercício), como o próprio nome indica, serve para você monitorar os exercícios que você faz, seja andar (numa área interna ou externa), correr (idem), pedalar (idem), elíptico (também conhecido como Transport), remar, subir escadas ou algum outro.

Review do Apple Watch - Exercício

Basta seguir as informações na tela para configurar o monitoramento do exercício (que pode ter metas com base em calorias, tempo da atividade física, distância ou livre) que, no final, tudo é devidamente computado e fica armazenado no app Atividade, no iPhone.

Review do Apple Watch - App Atividade no iPhone

Lá você tem um panorama geral se está conseguindo ou não bater as suas metas diárias. Além disso, pode tocar num dos círculos e ver exatamente como foi o seu desempenho em um determinado dia. É neste app, também, que ficam armazenadas as suas conquistas (que também servem para lhe motivar a continuar se exercitando).

Eu gostei muito desse ecossistema de exercícios que a Apple criou. O único problema é a relação dele com outras plataformas. Para corridas, eu já utilizo o Nike+ há bastante tempo e todos os meus dados estão armazenados lá. Não é simples eu trocar o Nike+ agora, depois de anos acumulando informações preciosas nele.

Para completar, no watchOS 1.0.1 os sensores do relógio não podem ser utilizados por apps de terceiros10. Isso quer dizer que, se eu monitorar uma corrida utilizando o app Nike+ Running no Watch, não terei como ver a minha frequência cardíaca nele. Resultado: acabo utilizando os dois aplicativos ao mesmo tempo. Como o Apple Watch não tem GPS, levo o meu iPhone para as minhas corridas a fim de registrar o percurso. Assim, acabo colocando o Nike+ Running para rodar no telefone enquanto visualizo as informações pelo app Exercício, no Watch.

Tirando esse pequeno detalhe de eu utilizar uma outra plataforma para armazenar as informações das minhas corridas, estou gostando bastante do relógio como monitor de atividades. Além das corridas, uso ele para monitorar sessões de musculação (escolhendo a opção “Outro” no app Exercício) e até mesmo para monitorar caminhadas que faço (não necessariamente para me exercitar, mas para me locomover mesmo)11.

Aqui vai uma dica: não é o meu caso, mas se você pretende fazer exercícios (como correr) sem a companhia do iPhone, ao menos na primeira vez leve o smartphone com você para calibrar o relógio. Tudo é bem fácil: basta colocar o iPhone no bolso e caminhar/correr por 20 minutos para que o relógio cruze as informações do acelerômetro com as do GPS do iPhone — falamos mais sobre esse assunto neste post. 😉

Sobre a exatidão do monitoramento da frequência cardíaca, infelizmente eu não tenho nenhum Polar ou monitor parecido para fazer um comparativo. Ainda assim, os dados que já divulgamos sobre isso são bastante animadores.

Como disse, eu já usei algumas pulseiras para monitorar meus exercícios e o grande diferencial do Watch é ter um feedback do que eu estou fazendo no momento. É ótimo poder, durante a atividade, olhar para o relógio e saber quantas calorias eu já queimei, a distância percorrida, o meu ritmo, a minha frequência cardíaca… coisas que não eram possíveis com os outros monitores que não contavam com uma tela.

A Apple também apostou num conceito interessante para evitar ao máximo o sedentarismo. De hora em hora, o Watch lhe lembra de se levantar e andar por pelo menos um minuto inteiro. Para quem trabalha quase o dia todo sentado em frente ao computador, como eu, não deixa de ser bom para “dar uma esticada”, tomar uma água, ir ao banheiro… ainda assim, muitas vezes você acaba simplesmente ignorando a notificação.

No geral, estou gostando bastante de usar o relógio para esse fim.

Tecnologias

Se em smartphones eu já acho que não vale a pena entrar em detalhes como especificações técnicas, em smartwatches então… a máxima continua valendo, aqui: o importante é a experiência e não os números (processador tal, bateria de tantos miliamperes, etc.). Pois vamos ao que interessa.

A Coroa Digital foi uma bela surpresa. Eu sempre imaginei que tudo em um relógio fosse ser feito com toques na tela, mas a solução que a Apple encontrou para que consigamos “rolar” as informações de uma forma rápida e/ou sem bloquear a nossa visão com a mão foi excelente. A fluidez, o controle da velocidade… eu realmente não imagino o Watch, hoje, sem ela.

A Siri foi outra surpresa. No watchOS 1.0, que não contava com suporte ao nosso idioma, ela não estava presente. Mas tudo mudou com a chegada do watchOS 1.0.1. Pode ser coisa minha, mas apesar de termos a Siri em português eu muitas vezes me pego fazendo tudo manualmente em vez de pedir a ajuda da assistente. No iPhone, que é um aparelho mais completo extremamente simples de manusear, isso ainda acontece muito. Mas no Watch o meu comportamento está mudando.

Review do Apple Watch - Siri

É muito comum eu pedir para a Siri me lembrar de alguma coisa, pedir para ela abrir um determinado app, entre outras coisas. Eu sinto falta de algum feedback (o relógio não emite nenhum som nem vibra quando você tem uma “conversa” com a Siri; tudo é mostrado na própria tela), mas a experiência com a assistente está me surpreendendo positivamente.

A tela Retina do Watch é linda. O preto é realmente preto (graças à tecnologia AMOLED), a resolução é mais do que suficiente para você não enxergar nenhum pixel, o contraste é ótimo, o tamanho das informações (na tela de 42mm, que estou mais acostumado) é excelente… nada a reclamar.

O Force Touch (que usa eletrodos minúsculos ao redor da tela Retina para distinguir entre um toque leve e uma pressão, ativando na hora uma série de comandos específicos) é uma novidade muito bem-vinda12.

Force Touch no Apple Watch

Com o Force Touch, a pressão firme na tela ativa outros controles em apps como Mensagens, Música e Calendário, nos permite selecionar diferentes mostradores, pausar ou encerrar um treino, buscar um endereço no Mapas. Pense assim: em uma tela tão pequena, não é possível colocar todos os comandos disponíveis ali, como botões. Assim, muitas interações passam a ser feitas com um toque mais forte na tela. E tudo funciona muito bem.

A parte chata disso é que não há uma regra. Há aplicativos que usam o Force Touch; outros, não. Isso prejudica um pouco a experiência pois você nunca sabe se um determinado app possui uma ação que pode ser feita pressionando a tela um pouco mais forte. Na dúvida, teste isso para ver se existe algo.

Com o Force Touch, a Apple pela primeira vez incluiu um comando para limpar todas as notificações — algo que usuários pedem no iOS desde, sei lá, a sua versão 5. Minha suspeita é que ela está justamente aguardando o iPhone ganhar a mesma tecnologia para proporcionar a experiência de forma equivalente.

O Taptic Engine é algo intrigante. Como a própria Apple explica, trata-se de um atuador linear dentro do Apple Watch que produz respostas táteis. Em termos menos técnicos, você sente “um toque” no pulso sempre que recebe um alerta ou notificação, ou quando pressiona a tela. Sim, eu coloquei “um toque” entre aspas pois a coisa é difícil de explicar. Não é como um motor vibratório que estamos acostumados em smartphones; por outro lado, não chega a ser realmente um toque, uma cutucada. É um meio termo difícil de descrever, mas agradável o suficiente para não lhe irritar. O legal é que existem diversos “toques” diferentes. Em pouco tempo, se você for uma pessoa atenta, é possível saber que tipo de notificação o relógio está avisando pelo “toque”.

Review do Apple Watch - Mudo

Boa parte do dia o meu Apple Watch fica no modo silencioso, utilizando apenas esses “toques” para me notificar — eu realmente vou à loucura aqui de vez em quando com a quantidade de notificações e, sem áudio, a coisa fica um pouco mais confortável.

Como disse, não há motivos para ficar avaliando/destrinchando coisas como processador, memória e tudo mais do relógio. Mas é inegável que, ao menos neste primeiro momento, temos a impressão de que algumas coisas rodam um pouco lentas. Pode ser culpa do processador, mas a minha aposta é que isso vai melhorar bastante com a chegada do watchOS 2 e dos aplicativos nativos (atualmente os apps rodam no iPhone e são mostrados no Watch; em breve, como disse, isso mudará).

Bateria

A bateria, como sempre, gerou um pouco de polêmica. A Apple divulgou que o Watch foi criado para um dia inteiro de uso e que devemos recarregá-lo todos os dias à noite. Seria melhor ter uma bateria que durasse mais? Claro, muito melhor. Mas ela não é um problema se você comprar o produto sabendo que deverá recarregá-lo todos os dias.

Aqui, mesmo em dias mais intensos de uso (nos quais eu monitoro os meus exercícios), termino o dia facilmente com mais de 30% de bateria. Em dias menos movimentados, chego a terminar o dia com 50% ou mais! Dificilmente você chegará em casa à noite com o relógio totalmente sem bateria. Agora, se estiver treinando para uma maratona ou algo do tipo, aí tudo deve mudar um pouco.

Apple Watch recarregando a sua bateria

Recarregar o relógio é algo muito simples e prático. Carregamento por indução é algo que gera bastante discussão, mas isso no mundo dos smartphones, onde muitas vezes utilizamos os aparelhos enquanto eles são recarregados (algo que se perde com esse tipo de tecnologia). Como isso não se aplica a um relógio, o carregamento por indução caiu muito bem nele.

Dois detalhes me incomodaram, aqui: o primeiro é o tamanho do cabo, que tem 2 metros. Ao menos aqui em casa a tomada do lado da minha cama fica bem próxima da mesa de cabeceira. E, ao recarregar o relógio no computador, também não preciso de tanto cabo assim. Esse excesso de cabo me atrapalha um pouco, mas entendo o pensamento da Apple de oferecer mais para quem não tem uma tomada assim tão perto.

A segunda coisa que me incomodou foi o carregador de plástico que acompanha os Apple Watches Sport. Duvido muito que oferecer a versão de metal do carregador em todos os modelos fosse impactar tanto assim as margens do relógio. Eu entendo perfeitamente a diferenciação dos modelos, as caixas mais trabalhadas do Apple Watch e do Apple Watch Edition… mas ao oferecer um cabo com acabamento de plástico junto do Apple Watch Sport, a minha percepção é que em vez de valorizar os outros ela desvaloriza o modelo esportivo, passando uma impressão de mesquinha, disposta a abrir mão da qualidade do produto para faturar alguns centavos a mais.

Claro que a Apple visa o lucro como toda e qualquer empresa, mas há um balanço aí que deve ser respeitado. Caixas mais legais para relógios mais caros? Ótimo! Acessórios com qualidade inferior para o modelo de entrada? Aí, não.

Aplicativos

Vou confessar uma coisa: tirando os apps de exercício e os que eu ativei os “Resumos”, praticamente não uso apps no Watch. A minha relação com esse produto é muito mais receptiva do que ativa. Eu até tenho muitos apps instalados, mas basicamente para me aproveitar das notificações ou algo do gênero.

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Esse Watch Sport está lindo!!!! #WatchTrip

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Eu não vou checar a timeline do Twitter do MacMagazine no relógio; muito menos acompanhar alguns comentários do nosso Instagram nele. Também não vou visualizar fotos, fazer compras, ler emails ou artigos, entre outras coisas que exigem uma interação maior que, sei lá, 20 segundos. Mas é importante receber uma notificação caso alguém nos mande uma mensagem direta — e aí eu vou e respondo no iPhone, quando for possível.

Para mim, o relógio serve como um filtro. Ao receber uma notificação, eu avalio se aquilo merece a minha atenção ou não. Mereceu e a interação é simples o suficiente para resolver por ele mesmo (como, por exemplo, responder uma mensagem com um “Ok”, “Sim” ou “Não”, marcar uma tarefa/lembrete como feita/concluído, entre outras coisas que, como eu disse, exigem uma interação curta)? Maravilha! Agora, se a interação já exige um certo esforço, eu prefiro resolver tudo pelo iPhone ou até mesmo pelo Mac.

Claro que existem algumas exceções. Em certos momentos a comodidade fala mais alto e, por mais que eu prefira usar o meu iPhone como controle remoto da minha Apple TV, se ele estiver um pouco distante (como recarregando na mesa do computador), eu vou controlar tudo pelo Watch (graças ao app Remote). Há, porém, recursos que só o Watch tem, como a possibilidade de posicionar o iPhone em cima de uma mesa e disparar a foto pelo Watch (ideal para quando você quer tirar uma foto com a turma toda).

Outra utilidade bacana é usar o Watch para controlar a reprodução de músicas — estejam elas armazenadas no próprio relógio ou no iPhone. Você pode fazer isso tanto pelo app Música ou por um “Resumo”, algo muito prático quando está se exercitando. Dica: com o app Exercício rodando, aperte na Coroa Digital para voltar aos ícones e abra o app Música. A partir daí, você pode alternar entre eles dando dois cliques na Coroa Digital.

No geral, contudo, é óbvio que é mais confortável fazer coisas rotineiras pelo iPhone. E eu acho que, com o tempo, isso ficará mais claro. Por enquanto é tudo novidade e todos, inclusive desenvolvedores, estão tentando as possibilidades do relógio. Com o tempo, porém, todos nós vamos entender melhor para que serve um smartwatch de verdade e direcionar nossos esforços a isso.

O que eu quero dizer é mais ou menos isso: apps de exercícios, navegação ponto-a-ponto por “toques” no pulso, notificações de compras feitas no seu cartão de crédito, lembretes, cartões de embarque e tíquetes, fazer um check-in rapidamente em algum local… são coisas que podemos fazer com o nosso iPhone, mas são bem mais interessantes no Watch. Por outro lado, ler emails, ver fotos, bater papo com algum amigo/familiar… são coisas que não fazem muito sentido em um relógio — a não ser, como eu disse, em momentos que a gente simplesmente não pode tirar o celular do bolso por diversas razões.

Eu realmente acho que, com o tempo, assim como o iPad deixou de ser um “iPod touch gigante” e encontrou sua razão de ser, a finalidade de um smartwatch ficará mais e mais evidente.

Configuração (aproveitando melhor o Watch)

Como vocês sabem, o Apple Watch precisa de um iPhone para funcionar. Sem o smartphone, o relógio não é nada. Mas além dessa necessidade técnica para que tudo aconteça no seu pulso, há ainda uma necessidade tão importante quanto: a de configurar corretamente o aplicativo Apple Watch para que você não subutilize ou, num outro extremo, enlouqueça com o relógio.

Ao ligar o Watch e configurá-lo pela primeira vez, eu optei por sincronizar todos os aplicativos que eu tenho no meu iPhone os quais são compatíveis com o relógio — até para testar tudo e entender como ele funciona. Pouco tempo depois, você já consegue distinguir o que é importante e o que está lhe irritando.

Review do Apple Watch - Notificações

Existem muitas coisas quem podem ser configuradas pelo app Apple Watch, mas vou falar apenas das mais importantes. Uma coisa é receber uma notificação de uma compra feita no meu cartão de crédito; outra é receber dezenas de notificações por minuto de um grupo no WhatsApp. Então uma das primeiras coisas que você deveria fazer é identificar quais notificações você deseja receber no relógio e desativar tudo aquilo que está lhe incomodando13.

Os “Resumos” também são algo que considero essencial. Vale muito a pena “perder um tempinho” brincando com esse recurso, ativando-o nos apps que você acha que fazem sentido estarem ali, a um deslize de distância da Tela Inicial do relógio. Apenas como exemplo, eu coloquei aqui um para visualizar o resultado dos jogos do meu time (Flamengo SporTV), outro para acompanhar as minhas encomendas enviadas/recebidas pelos Correios (Chegou?), para identificar músicas (Shazam), acompanhar meus voos cadastrados (FlightTrack), meu peso (Health Mate), entre alguns outros (de terceiros e nativos).

Vale a pena também configurar no Mensagens algumas respostas-padrão para quando você estiver ocupado e quiser rapidamente “matar uma conversa”. No mais, recomendo muito fuçar todas as partes da aba “Meu Relógio” para deixar o Apple Watch o mais personalizado possível de acordo com o seu uso. Sem isso, acredite: o relógio pode atrapalhar mais do que ajudar. 😉

O que faltou?

Estamos falando de um produto de primeira geração. Isto, por si só, já explica a falta de algumas coisas. Mas além disso, entra aí também a avaliação pessoal — como já comentei aqui e a própria Apple bate nessa tecla, estamos falando do produto mais pessoal já criado por ela, então é muito difícil agradar a todos.

Quem acompanha o MacMagazine há um tempo sabe o quanto eu gosto de gadgets que monitoram o sono. E eu queria muito ter isso no Watch. Na verdade, tudo o que precisamos para monitorar uma noite de sono existe no relógio (acelerômetro, frequência cardíaca, etc.). Mas como precisamos recarregar a bateria do Apple Watch à noite todos os dias… até que essa questão mude, então, eu acho bem difícil a Apple implementar isso no relógio.

Natação, surfe… nenhum exercício que envolva água pode ser monitorado com a primeira geração do Watch — algo que eu imaginava acontecendo, mas que infelizmente ainda não é possível. Já tem gente brincando com isso, mas a Apple oficialmente diz que ele é apenas *resistente* à água. Então é bom não arriscar.

É verdade que o watchOS 2 trará algumas coisas legais, como o recurso Time Travel (você gira a Coroa Digital e pode ver o que está acontecendo, o que já aconteceu e o que ainda vai acontecer com base nas informações das complicações), o modo Nightstand (um mostrador digital especialmente criado para quando o relógio está recarregando à noite), aplicativos nativos (que tornarão a experiência mais rápida e fluida), apps que podem tirar proveito dos sensores do relógio, possibilidade de criar mais telas de Amigos (cada uma com até 12 contatos), de usar a Siri para começar a fazer um exercício ou abrir algum resumo, além do recurso “Bloqueio de Ativação” (que nos ajudará muito no caso de um roubo). Mas tem coisas “simples” que ainda ficaram de fora.

Como já disse, é possível personalizar muita coisa pelo aplicativo Apple Watch, mas eu senti falta de mais. Eu queria, por exemplo, poder ser alertado no meu pulso de mensagens recebidas apenas por familiares ou amigos próximos. No WhatsApp, idem: queria poder selecionar determinadas pessoas e/ou grupos para receber alertas no relógio. Atualmente muita coisa é “ou tudo ou nada”, o que nos gera um conflito interno (o que é menos pior: ficar chateado por não receber uma notificação importante no relógio ou se estressar por receber tudo?).

Conclusão

Sem dúvida o discurso da Apple de que o Watch é o dispositivo mais pessoal já criado por ela é verdade. Mas apesar disso, eu acho que não estamos falando de um produto para todos. Para mim, ele está longe de ser essencial, que eu não consigo viver sem — diferentemente do iPhone. Mas o smartphone não ganhou esse rótulo do dia para a noite — muito pelo contrário! Ele está entre nós há algumas gerações, melhorando cada vez mais. Além disso, sem o trabalho de desenvolvedores (criando um ecossistema cada vez mais relevante), duvido muito que o telefone da Apple estaria no patamar que está hoje.

Eu acredito que o Watch irá pelo mesmo caminho.

Eu realmente acho que, com o tempo, assim como o iPad deixou de ser um “iPod touch gigante” e encontrou sua razão de ser, a finalidade de um smartwatch ficará mais e mais evidente.

Eu não escrevi isso à toa. Podem anotar: daqui a 1-2 anos o propósito do relógio estará mais claro. Depois de testes e mais testes, tanto a Apple quanto nós saberemos bem as melhores finalidades do Watch. Meu palpite? Veremos um aprofundamento cada vez maior da relação dele com saúde/esportes — atualmente a finalidade mais clara do produto.

Apple Watch com pulseira Sport branca no braço
Foto: Crew

A Apple começou tudo com o monitoramento de algumas atividades, mas eu não duvido nada que daqui a algumas gerações usuários possam não apenas monitorar diversos tipos de atividades, como saber ainda mais informações do corpo humano (oxigenação, glicose, indícios de doenças, controle alimentar, etc.). É um caminho possível e que eu gostaria muito de ver acontecer.

Hoje, porém, o Apple Watch é para mim um bom companheiro para o iPhone. Tirando a parte prática do monitoramento de exercícios, a minha relação com o relógio ainda é algo bastante experimental, mais de curiosidade do que de necessidade. Eu não tenho dúvidas de que isso evoluirá para algo mais concreto — tenho certeza de que a Apple está planejando meios de ficarmos cada vez mais dependentes do relógio em nossos pulsos; todavia, por enquanto, a realidade é essa.

“Mas eu devo comprar?” Difícil responder pois, como disse, o relógio é algo bastante pessoal. Se você adora tecnologia, os produtos da Apple e vê o Watch como mais um “brinquedo” para a sua coleção, não tenho dúvidas de que você vai gostar. Se você pratica exercícios e quer ter um controle melhor dessas informações (seja com os apps nativos ou com outros, desenvolvidos por terceiros), o relógio tem uma necessidade prática para você. De resto, você precisa parar e pensar se ele lhe ajuda a resolver algum problema. É uma avaliação difícil, mas que deve ser feita antes de você investir em um produto que não é nem um pouco barato.

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