Organização afirma que a maioria dos empregados da Pegatron trabalha mais de 60 horas por semana

É inegável que a Apple está tentando melhorar as coisas na China, sejam as questões ligadas ao meio ambiente ou relacionadas às condições de trabalho. Alguns podem até questionar o princípio dessas investidas da Maçã (se ela realmente acredita que isso é necessário/possível ou se faz por “obrigação”), mas que ela é uma das empresas mais preocupadas em mudar o cenário atual, isso realmente não há como negar. Em um novo relatório [PDF], porém, a organização China Labor Watch — com base em Nova York — afirmou que as coisas não estão nada boas por lá.

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Em setembro (um dos períodos mais críticos do ano por conta do lançamento dos iPhones 6s/6s Plus), a organização conseguiu enviar um investigador disfarçado para trabalhar na fábrica da Pegatron em Xangai, uma das parceiras da Maçã na fabricação de iGadgets. De acordo com ele, os trabalhadores ganham cerca de US$1,85 por hora e precisam fazer muitas horas extras para ganhar dinheiro suficiente para cobrir suas despesas. Ainda de acordo com ele, o turno padrão da fábrica é de 9 horas, mas a partir de setembro os empregados trabalhavam mais 20 horas extras por semana (cerca de 2 horas por dia mais 10 horas de trabalho aos sábados). Somando tudo isso, os empregados conseguiram ganhar em média US$753 em salário.

Empregado de uma parceira (fornecedor) da Apple

O grande problema é que o cenário acima parecia ser o padrão para os trabalhadores, já que, segundo o investigador, um turno de 8 horas diárias/5 vezes na semana não estava de acordo com as necessidades de contratação da Pegatron — lembrando sempre que, segundo a Apple, os empregados devem trabalhar no máximo 60 horas por semana.

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A Apple monitora essas horas extras e divulga tudo em seus relatórios. No ano passado, por exemplo, 92% dos trabalhadores de suas parceiras conseguiram ficar dentro dessas 60 horas de trabalho semanais; em setembro (período crítico de fabricação de novos aparelhos), porém, essa porcentagem caiu para 75%.

No relatório, o investigador também afirmou que a Pegatron falsificou documentos apresentados à Apple, a fim de mostrar que estava cumprindo com os requisitos de auditoria para ser uma fornecedora da Maçã — a lei do país fala que treinamentos de segurança devem ter 24 horas, mas a Pegatron fazia treinamentos de apenas 8 horas e forçava empregados a assinarem um formulário comprovando que eles tinham feito uma formação em segurança de 20 horas.

Contudo, houve melhoras em relação a 2013. Conforme o relatório diz, o processo de contratação que antes era bastante preconceituoso (discriminando pessoas com mais de 35 anos, com cabelo tingido e de etnia tibetana ou uyghur) agora não mostra mais esses sinais. Houve também melhorias parciais em relação a licenças por doença, demissão e em algumas outras áreas.

[via CNET]

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