Jornalista conversa com Tim Cook, Jony Ive, Angela Ahrendts e mostra os bastidores da Apple

A Apple está bem mais aberta do que era na época de Steve Jobs, e ninguém pode negar isso. Os executivos estão muito mais disponíveis e, atualmente, é normal vermos diversas entrevistas sendo feitas com eles.

Pois o veterano Charlie Rose não apenas conversou com alguns dos executivos mais importantes da Apple, como “participou” de uma reunião semanal com os executivos sêniores e teve acesso ao famoso estúdio/laboratório de design comandado por Jony Ive.

Charlie Rose entrevistando executivos da Apple

No primeiro vídeo1 (“Inside Apple, part one”; “Dentro da Apple, parte um”) vemos Rose entrevistando Tim Cook e falando sobre temas para lá de “batidos” como as qualidades de Steve Jobs (capacidade de se focar no que interessa, perfeccionismo, etc.), a continuidade da cultura e do espírito de Jobs em tudo o que envolve a Apple atual, etc. Por outro lado, como mencionamos, ele fez algo que ninguém até hoje conseguiu: entrar na sala onde acontecem a reuniões semanais dos executivos mais importantes da Maçã e bater um papo com eles.

Conversando com Jony Ive, Rose também teve acesso ao estúdio de design da Apple e, apesar de não ter tido a possibilidade de ver alguns dos produtos nos quais a empresa está trabalhando (reparem nas mesas cobertas com um pano preto), mostrou bem a dinâmica e como o trabalho é realizado no espaço.

Charlie Rose entrevistando executivos da Apple

Ao criar o iPhone 6/6 Plus, por exemplo, os designers da Apple testaram 10 diferentes tamanhos de aparelhos até chegar aos que consideraram ideais (4,7 e 5,5 polegadas). Mais do que isso: Ive disse que as escolhas foram muito influenciadas pelo lado emocional, do que eles acreditavam ser os tamanhos corretos (não se baseando tanto no ponto de vista técnico).

Há ainda mais sobre como o Apple Watch foi concebido (tudo começou com um desenho a caneta do caderno de Ive), como os designers da Apple participam de todo o processo — incluindo as misturas que resultam nas cores das pulseiras do Watch —, a colaboração que existe entre as áreas da empresa que permite criar produtos como o MacBook, como funciona a estabilização óptica da câmera dos iPhones 6 Plus/6s Plus (a câmera, por sinal, é feita de cerca de 200 peças que, juntas, ficam do tamanho de uma ponta de dedo; uma foto é responsável por gerar 24 bilhões de operações envolvendo software e sensores), a forma como a Apple calibra o flash e a enorme equipe por trás da câmera do iPhone (já são 800 engenheiros).

Charlie Rose entrevistando executivos da Apple

Angela Ahrendts mostrou a Rose uma espécie de protótipo de loja (se é que podemos chamar assim) onde a Apple faz dezenas/centenas de experimentos, mostrando como os novos lançamentos da empresa (Apple Watch, por exemplo) influenciam a interação e a forma como a loja é “montada”.

A segunda parte das entrevistas envolve assuntos mais corporativos e amplamente discutidos, mas nem por isso menos interessantes, começando com a polêmica envolvendo privacidade.

Cook bateu novamente na tecla de que os iPhones dos usuários muito provavelmente guardam informações sensíveis como dados de saúde, bancários, conversas particulares, possíveis segredos de empresas e tudo mais. E que isso pertence apenas aos usuários e a ninguém mais. Criar um backdoor para que o governo tenha acesso a essas informações (devidamente munido de um mandado) seria abrir uma brecha para que pessoas má intencionadas também tentem colocar as mãos nessas informações.

É um assunto delicado, já que sem dúvida nenhuma ter acesso a informações de suspeitos (como por exemplo de terroristas) ajudaria governos a lutar contra isso. Mas Cook acha que isso não é algo simplista como privacidade vs. segurança nacional e que todos deveriam ter acesso aos dois.

Outro ponto polêmico tem a ver com o enorme caixa da Apple (mais de US$200 bilhões). Dois terços desse valor estão fora dos EUA e a Apple não leva o dinheiro para casa por conta dos impostos que teria que pagar por isso. A Apple, assim como outras empresas, está lutando para criar uma espécie de “feriado fiscal” para poder transferir esse dinheiro para os EUA sem pagar impostos exorbitantes (40%).

Charlie Rose entrevistando executivos da Apple

A importância da China para a Apple também foi bastante discutida por Cook, tanto em termos de mercado quanto para produção em si, assim como o porquê de ele ter comunicado publicamente ser gay. E, como não poderia falar, Cook também mostrou para Rose as obras do novo campus (espaçonave) da Apple, dizendo que atualmente 3.500 pessoas trabalham para deixar o espaço pronto — no futuro, 13.000 pessoas o ocuparão.

A sede é maior do que a do Pentágono e, quando concluída, 80% do terreno será verde, com 7.000 árvores e plantas. Eles vão produzir algumas das frutas e legumes servido no refeitório. Um sistema de ventilação natural no telhado permitirá que o edifício fique sem aquecimento ou ar-condicionado durante nove meses do ano. E toda a instalação será alimentada principalmente por painéis solares.

Como qualquer produto da empresa, o Apple Campus 2 também foi pensado e planejado nos mínimos detalhes (desde as mesas passando pelas cadeiras, escadas, maçaneta das portas, vidro… tudo foi criado/escolhido por Ive e sua equipe).

Charlie Rose entrevistando executivos da Apple

Pegando apenas um detalhe como exemplo, os painéis de vidro curvos (que estão começando a ser instalados e exigiram a criação de uma máquina para isso) são os maiores já feitos no mundo — e serão quilômetros de painéis —, oferecendo uma visão extraordinária (sem interrupção) para os empregados.

No vídeo “How to get a job at Apple” (“Como conseguir um emprego na Apple”), Cook também falou como é difícil contratar pessoas com o mesmo espírito/cultura da Apple (que se desafiam, querem criar coisas, são opinativas, têm um ponto de vista, etc.). Não há uma forma de testar isso, então é na base da empatia/emoção mesmo. Ainda assim, normalmente um candidato é entrevistado por 10-12 pessoas para fazer parte do quadro de empregados da Maçã.

o vídeo “Can Apple still change the world?” (“A Apple ainda pode mudar o mundo?”) dá um panorama do que Rose viu/conversou com os executivos da Apple, a diferença entre Jobs e Cook, como a Apple controla a informação que quer passar para a mídia, como o discurso dos executivos é amplamente ensaiado, como Jobs ainda está presente (ao menos a cultura que ele quis implantar) entre os empregados, entre outros aspectos.

No final das contas, para Rose, a história mostra que as empresas que estão no topo não conseguem manter essa posição para sempre. Resta saber até quando a Apple resistirá.

[via Re/code]

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