Receita/lucro recorde, vendas de iPhones desacelerando… confira como foi o 1º trimestre fiscal da Apple de 2016

Ontem a Apple divulgou um lucro recorde (para qualquer empresa, é bom frisar) de US$18,4 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2016. Ao mesmo tempo em que o resultado foi impressionante, há alguns dados ali “preocupantes” (não para nós, usuários, mas para o mercado financeiro como um todo que adora especular em cima da Apple).

Como sempre acontece depois da divulgação dos resultados, a empresa realizou uma conferência via áudio com a participação de Tim Cook (CEO, ou diretor executivo) e Luca Maestri (CFO, ou diretor financeiro) para dar mais detalhes do trimestre em si. Abaixo, você confere todos os destaques:

Comentários gerais

  • Este foi o melhor trimestre fiscal da história da Apple, com receita 2% maior do que no mesmo período do ano passado.
  • A valorização do dólar em relação a outras moedas torna ainda mais difícil para empresas americanas terem um ótimo desempenho, especialmente para aquelas (como a Apple) que agora têm uma operação bem grande no exterior.
  • A Apple tem agora cerca de US$216 bilhões em caixa.
  • Dos US$200 bilhões autorizados, a empresa investiu até agora US$153 bilhões no programa de recompra de ações.
  • Conforme já falamos, a Apple disse que se não fosse o “problema” da valorização do dólar, esse percentual de crescimento seria de 8% (ou seja, uma receita de US$80,8 bilhões).
  • Por conta dessas condições, Cook deixou claro que foi um ótimo trimestre para a Apple. Citando o complicado cenário global, ele inclusive utilizou o Brasil e Rússia como exemplos, falando que as moedas locais desses países desvalorizavam 40% e 50% respectivamente. E como 66% das vendas da Apple agora são feitas fora dos EUA, isso impacta bastante os negócios da empresa.
  • A China, outra preocupação para analistas, teve um bom desempenho (especialmente em iPhones, Macs e App Store). A receita fechou o ano 14% maior; o crescimento sequencial foi de 47% e, comparando com o mesmo período do ano anterior, 17% (levando em conta uma moeda constante). Por conta disso, a Apple ainda está muito confiante na China e vai manter os planos de expansão no país.
  • A base instalada de usuários Apple no mundo agora é de 1 bilhão (dispositivos ativos, ou seja, que se conectaram com algum serviço da Apple — App Store, iCloud, etc. — nos últimos 90 dias, podendo ser Macs, iPhones, iPads, etc.). Trata-se de um número 25% maior do que há um ano.

iPhone

  • Apesar de as vendas do iPhone terem crescido apenas 0,4%, o preço médio de cada aparelho bateu recorde, chegando a US$690,50. Para termos uma ideia, o recorde até então havia sido estabelecido no primeiro trimestre fiscal de 2009 (US$674). Além de agora ter aparelhos mais caros (afinal, o Plus entrou na jogada elevando em US$100 o preço do aparelho), o dólar valorizado também influencia muito nisso (pelas contas da Apple, US$49 desse valor é fruto do impacto do dólar).
  • Comparando com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de apenas 0,4% (300.000 unidades) pois o FQ1 2015 teve um desempenho incrível. Ao comparar com o FQ1 de 2014, porém, vemos um crescimento de 50% nas vendas; se compararmos com o FQ1 de 2011, o volume de vendas foi 4x maior.
  • Segundo Cook, a taxa de migração de usuários do Android para o iPhone bateu recorde no trimestre.
  • Ainda de acordo com o CEO, a taxa de satisfação de usuários de iPhones 6s/6s Plus é de 99%.
  • A lealdade/fidelidade de usuários de iPhones é quase duas vezes maior do que a concorrente que tem a melhor taxa.
  • 60% da base instalada de usuários de iPhones ainda não migrou para os aparelhos com telas de 4,7 e 5,5 polegadas.
  • Cook destacou o ecossistema da Apple como um todo, em que o usuário compra um iPhone, adquire apps e outros serviços da Apple, depois compra mais produtos da Apple por gostar da experiência… e, por conta do valor do produto, depois de algum tempo ele vende/doa os aparelhos (eles continuam sendo utilizados por outras pessoas) a fim de adquirir um novo. É um ciclo muito benéfico para a Apple.

iPad

  • As vendas dos iPads continuam caindo; contudo, a chegada do iPad Pro não refletiu nas vendas do trimestre pois ele começou a ser vendido mais para o fim do período fiscal e ainda com estoques bastante apertados.
  • Nos EUA, o iPad representou 85% das vendas no mercado de tablets.
  • A taxa de satisfação de usuários do iPad Air 2 é de 97%, segundo informou Cook.

Mac

  • Este foi o terceiro trimestre fiscal mais forte do Mac, com vendas de 5,3 milhões de unidades. Contudo, ele foi o segundo mais forte em relação a faturamento, já que o preço médio de cada máquina ficou em US$1.270.
  • Mesmo com a queda, a Apple continua ganhando mercado pois as outras fabricantes estão vendendo cada vez menos.

Serviços

Com a população da Terra saturada, Wall Street está decepcionada pela Apple não tem sido capaz de vender iPhones em um segundo planeta ainda…

Com US$5,5 bilhões em receita trimestral [tirando a parte da disputa com a Samsung], o negócio envolvendo serviços da empresa é quase tão grande como a Starbucks…” Não é bom o suficiente!

  • Por conta da base instalada de 1 bilhão de aparelhos — e que cresce num ritmo acelerado —, os serviços da Apple são, é claro, impactados (positivamente falando).

Outros produtos

  • A Apple TV teve o melhor trimestre fiscal da sua história.
  • A mesma coisa aconteceu com o Apple Watch — as vendas em dezembro foram bem fortes, segundo a Apple.
  • Por conta disso, recorde. Além de Apple TVs e Apple Watches, a Maçã coloca neste segmento produtos como iPods, fones da Beats e outros itens. No total, eles geraram uma receita de US$4,3 bilhões, bem acima dos US$3 bilhões do trimestre fiscal passado.

Previsões

  • Por conta do cenário mundial (ambiente macro está enfraquecendo, todas as economias conduzidas por commodities, Brasil, Rússia, Canadá, Austrália…), a Apple está prevendo uma queda para o próximo trimestre de 5% a 10%.
  • Respondendo à pergunta de um analista que questionou se as vendas de iPhones cairão no ano fiscal de 2016 da Apple, a empresa informou que a venda cairá, sim, no próximo trimestre fiscal, mas que ela não faz projeções além do trimestre seguinte.
  • Ainda que o cenário esteja ruim, a Apple não pretende pisar no freio. Mesmo em mercados onde hoje as coisas estão bem ruins (como Brasil, Rússia e algumas outras economias ligadas a petróleo), a Apple acredita que isso passará. “Estes países serão grandes lugares e nós queremos atender clientes neles. Outro país que receberá bastante investimento da Apple, além da China, é a Índia. Para completar, a empresa pretende continuar investindo bastante em pesquisa e desenvolvimento.

Outros comentários/curiosidades

  • Durante a conferência, um analista perguntou sobre o interesse da Apple em realidade virtual, se é algo que a empresa acredita ser um nicho ou se poderia se tornar mainstream. A resposta foi “animadora”, já que a Apple não acredita ser algo de nicho e que pode ter aplicações muito interessantes.
  • Graças à Samsung (sim, ao pagamento dos US$548 milhões), a Apple conseguiu bater seu recorde de lucro. Se tirarmos US$548 milhões dos US$18,4 bilhões, chegamos a US$17,8 bilhões, número menor do que os US$18 bilhões do primeiro trimestre fiscal de 2015. Esse dinheiro também ajudou a subir a margem de lucro da empresa para 40,1% (acima das expectativas da Apple). Quem diria…

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Abaixo, alguns gráficos interessantes que resumem o primeiro trimestre fiscal de 2016 da Apple:

Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

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Gráfico dos resultados financeiros da Apple - FQ1 2016

[via MacRumors, AppleInsider, MacStories]

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