Executivos da Apple falam sobre qualidade de software; novo iTunes deverá chegar junto ao OS X 10.11.4

John Gruber, do Daring Fireball e do The Talk Show, conseguiu as façanhas de entrevistar Phil Schiller (vice-presidente sênior de marketing mundial da Apple) e Craig Federighi (vice-presidente sênior de engenharia de software). Agora, acompanhado de Eddy Cue (vice-presidente sênior de softwares e serviços para internet), Federighi voltou a ser entrevistado no podcast de Gruber.

O timing, é claro, não poderia ser melhor já que os dois executivos lideram iniciativas de software da Apple, algo que vem sofrendo críticas pesadas recentemente de pessoas influentes, como do jornalista veterano Walt Mossberg, do praticamente porta-voz da Apple Jim Dalrymple, do jornalista Jason Snell, entre muitos outros.

Um dos softwares mais criticados da Maçã (inclusive no artigo de Mossberg) é o iTunes, o qual de certa forma é cria tanto de Cue quanto de Federighi. As reclamações de usuários são sempre as mesmas: app pesado, com muitos recursos, que absorveu muitas funções, etc. Gruber questionou Cue sobre isso, perguntando como a Apple imagina a experiência do usuário com o iTunes.

iTunes

A resposta de Cue me pareceu sincera, dizendo que o iTunes foi criado numa época em que as pessoas precisavam de um software para sincronizar seus dispositivos via cabo. Uma espécie de local para centralizar todo o conteúdo que poderia ser colocado dentro dos aparelhos — agora, por motivos óbvios, isso já não é mais necessário.

Com o lançamento do Apple Music, a Maçã teve um desafio pela frente e decidiu focar em música no iTunes, tentando juntar uma experiência local (biblioteca de músicas do usuário) com o streaming (nuvem) do serviço em si. Tais decisões, porém, são reavaliadas constantemente e a prova disso é que existem planos de liberar uma nova versão do iTunes junto ao OS X 10.11.4, no mês que vem1.

Federighi também falou um pouco do dilema que é decidir sobre uma grande mudança em um determinado projeto usando o Fotos como exemplo. Enquanto muitos usuários gostaram do novo app de gerenciamento de fotos do OS X por conta da sua simplicidade, velocidade e interface mais limpa, outros acharam que o software caiu de qualidade justamente por já estarem acostumados com a experiência do iPhoto e não desejarem mudanças. Ou seja, pensar num redesenho completo do iTunes sem dúvida é algo que eles fazem dentro da Apple, mas muita coisa tem e deve ser ponderada para tomar uma “decisão radical” como essa.

Eles também falaram um pouco sobre as novidades do tvOS 9.2 como suporte ao Ditado (Dictation) — algo que a Apple queria ter lançado já no começo, mas não foi possível —, além de uma futura atualização para o app Remote a fim torná-lo compatível com a Siri (transformando o seu iGadget) em um Siri Remote).

No mais, alguns números interessantes da Apple foram compartilhados na entrevista, confira:

  • Apple Music: o serviço conta agora com mais de 11 milhões de assinantes;
  • iMessage: mais de 200.000 mensagens são enviadas por segundo em horários de pico;
  • App/iTunes Store: mais de 750 milhões de transações por semana são feitas nas lojas;
  • iCloud: o serviço na nuvem da Apple conta com 782 milhões de usuários;
  • Mapas: mais de 2,5 milhões de correções foram feitas com base em feedbacks de usuários.

Falando um pouco sobre o Radar, ferramenta pela qual desenvolvedores comunicam bugs à Apple, Gruber perguntou se eles realmente dão atenção ao que acontece ali. Apesar de não responder todos as notificações que chegam, Federighi disse que tudo é lido e levado em consideração.

O executivo afirmou que não há nada na Apple que eles levam mais em consideração do que a qualidade de softwares/serviços. Ele acredita que as coisas vêm melhorando significativamente ao longo dos últimos cinco anos. “Todos os anos nós olhamos para as coisas que fizemos bem no ano anterior e as técnicas que usamos para criar o melhor software que pudemos não são adequadas para o próximo ano pois o nível de exigência continua subindo.”

A entrevista completa2 pode ser escutada tanto no Daring Fireball quanto no The Talk Show.

[via MacRumors, 9to5Mac, The Verge]

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