Apple vs. FBI: 51% dos americanos apoiam o governo, incluindo Bill Gates

Um novo dia, mais coisas sobre o caso envolvendo a disputa entre Apple e FBI. Para entender as informações deste artigo, porém, é importante acompanhar o que já abordamos sobre o assunto:

Pois bem, vamos aos novos fatos.

Bill Gates apoiando o FBI

Como sabemos, logo depois de Tim Cook escrever a carta aberta expondo os motivos pelos quais a Apple não pretende criar uma backdoor do iOS, diversas empresas (Facebook, Google, Twitter) e pessoas importantes no cenário tecnológico como Jan Klum (cofundador do WhatsApp) e Edward Snowden (ex-analista da CIA/NSA) demonstraram apoio a Apple. Contudo, muita gente está do lado do governo/FBI nessa história, e uma delas é Bill Gates.

https://www.youtube.com/watch?v=pkohiZEUOiw

Em entrevista ao Financial Times, o fundador e ex-CEO da Microsoft deixou claro que, na opinião dele, não se trata de criar uma backdoor para o sistema (algo que poderia ser utilizado posteriormente pelo governo ou hackers). Gates “simplificou” as coisas, dizendo que o FBI quer informações de um aparelho específico a fim de ajudar na investigação. Comparativamente, seria como pedir a uma operadora de telefonia conversas de um cliente, ou a um banco informações bancárias de uma determinada pessoa.

Para Gates, não é bem uma questão de princípio. Neste caso, se a Apple simplesmente entregasse as informações (como um banco entrega informações bancárias de uma pessoa), estaria mostrando ao mundo que a empresa tem acesso a isso e que poderia dar acesso a dados de qualquer indivíduo. Gates disse ainda que a Apple está esperando uma ordem vindo da Suprema Corte dizendo exatamente o que ela deverá fazer, neste caso.

Ora, a meu ver não deixa de ser uma questão de princípio. A própria Apple já afirmou que se o iPhone em questão estivesse rodando o iOS 7 ou inferior, ela conseguiria extrair as informações que o FBI quer acesso — a empresa também já confirmou que cedeu informações de usuários para governos assim, com o devido mandado necessário.

Na minha humilde opinião, não faz muito sentido isso que Gates está afirmando — que a Apple tem, sim, acesso à informação. Claro, ela tem como fazer isso e já declarou que é possível criar um novo sistema para desabilitar as ferramentas de segurança do iOS e extrair os dados do iPhone. Mas aí entra a questão do precedente e da criação da backdoor em si — coisas que Tim Cook já deixou claro que não concorda em fazer.

Depois, em uma entrevista para a Bloomberg, Gates disse que não concorda com alguns artigos que saíram por aí (incluindo o do FT) os quais dizem que ele está apoiando o FBI. Ele tentou “se esquivar”, dizendo que neste caso específico a Apple deveria ajudar o governo tomando os devidos cuidados. O problema, porém, é justamente esse. A discussão da semana é que não existe uma forma de atender isso de forma única, apenas para este caso envolvendo o iPhone do terrorista (mais sobre isso abaixo).

Mais pessoas ao lado do FBI do que da Apple

De acordo com uma pesquisa feita pelo Pew Research Center com 1.002 americanos adultos, por telefone1, 51% deles ficaram ao lado do FBI dizendo que a Apple deveria, sim, criar ferramentas para ajudar a desbloquear o telefone por conta das investigações — 38% disseram que a Apple não deve cooperar; 11% preferiram não opinar.

Mostrando que o caso está mesmo em pauta nos EUA, 75% dos entrevistados afirmaram que estão por dentro do assunto.

O tal do precedente

Dando mais peso às declarações de Cook, o Wall Street Journal informou que o Departamento de Justiça dos EUA está buscando ordens judiciais para forçar a Apple a ajudar investigadores a extrair informações de cerca de 12 outros iPhones em casos que não foram divulgados pela mídia.

De acordo com as fontes do jornal, a ideia é parecida com a do caso de San Bernardino: obrigar a empresa a burlar a senha dos dispositivos. Só que, ainda segundo as tais fontes do WSJ, esses casos não têm nada a ver com terrorismos ou ameaças do tipo.

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Quem dera ver brasileiros discutindo assim algo importante para o país, não é mesmo?

[via The Verge, Business Insider, Fortune]

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