Review: iPad Pro — ou, para os mais íntimos, “iPadão”

Cores do iPad Pro - cinza espacial, dourado e prateadoAnunciado pela Apple num evento especial realizado em setembro do ano passado, o iPad Pro já era “dado como certo” em vários rumores mas até ser confirmado no palco daquela keynote continuava como uma grande dúvida na cabeça dos céticos. Iria a Apple lançar um terceiro tamanho de iPad? Para quê?!

Pois ele chegou, e com ótimos diferenciais para um certo nicho de usuários. O iPadão começou a ser vendido internacionalmente em 11 de novembro, mas só ficou disponível no Brasil no 1º dia de dezembro.

Estou testando o iPad Pro há algumas semanas, graças a uma parceria do MacMagazine com os amigos da Fast Shop. Este review será focado no tablet em si, deixando os seus dois principais acessórios oficiais — o Apple Pencil e o Smart Keyboard — para um artigo à parte, que sairá em breve aqui no site.

É importante notar que a minha referência para a análise dele foi o iPad Air de primeira geração, que era o meu tablet até então. Vamos lá? 😉

http://www.idownloadblog.com/2016/02/23/twos-app-store-not-on-this-apple-tv/ http://www.loopinsight.com/2016/02/24/bought-an-app-that-since-added-apple-tv-support-now-theres-a-category-for-that/

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Tela/tamanho

Vamos diretamente à característica fundamental do iPad Pro: a sua tela e, consequentemente, o seu tamanho como um todo. Eis uma tabela comparativa da linha atual de tablets da Apple:

ModeloTelaLarguraAlturaEspessuraPeso*
iPad mini 47,9″134,8 mm203,2 mm6,1 mm298,8/304 gramas
iPad Air 29,7″169,5 mm240 mm6,1 mm437/444 gramas
iPad Pro12,9″220,6 mm305,7 mm6,9 mm713/723 gramas

(*) Peso do modelo Wi-Fi/peso do modelo Wi-Fi + Cellular.

O iPad Pro é evidentemente bem maior e mais pesado do que os seus irmãos menores, mas vejam que em termos de espessura não muito. E — pasmem — ele tem praticamente o mesmo peso do iPad de primeira geração, que tinha uma tela de 9,7 polegadas assim como o iPad Air.

Não sei se é pelo formato do tablet como um todo ou pela sua fineza (mais uma vez comparando com o primeiro iPad, estamos falando de 6,9mm contra 13,4mm — quase o dobro!), mas não acho segurar e usar o iPad Pro tão desconfortável quanto imaginaria. Mas nunca o recomendaria por esse aspecto, em particular; para quem gosta de usar um iPad deitado na cama, por exemplo, nada melhor do que o iPad mini.

Usuário editando vídeo no iMovie com um iPad Pro

As características da tela do iPad Pro em relação ao Air são praticamente as mesmas, mantendo inclusive uma densidade de pixels idêntica: 264ppp. O que as difere, obviamente, é a resolução: são 2732×2048 pixels, contra 2048×1536 pixels — isto é, 78%(!) a mais pontos. Sim, eu também não imaginava que chegaria a tanto.

Colocando o iPad Pro lado a lado com um MacBook Pro de 13 polegadas com tela Retina, vemos que a resolução do tablet é até maior; no Mac, são 2560×1600 pixels. Apesar disso, sendo um sistema operacional otimizado para uso com o toque dos dedos, os elementos de interface do iOS ocupam mais espaço na tela do que os do OS X (criado para o cursor do mouse). Assim, em muitos casos a “área útil” disponível para trabalho no iPadão acaba sendo um pouco menor do que no MBP.

E é justamente em área útil que o iPad Pro se difere bastante do Air, quando estamos trabalhando em apps já otimizados para ele. A diferença no tamanho da tela é tão grande que é possível colocar dois apps lado a lado com o iPad Pro em modo paisagem (na horizontal), e o que vemos é exatamente o que um app ocupa ocupando toda a tela de um iPad Air em modo retrato (na vertical).

Performance e wireless

O que nos leva, a meu ver, ao segundo grande diferencial do iPad Pro em relação ao Air: a sua performance. Passamos de um processador A8X (com coprocessador M8) para um A9X/M9, com a Apple prometendo cerca do dobro de velocidade — tanto em CPU quanto em gráficos.

Usuário jogando num iPad Pro

É claro que essa evolução no processador faz uma diferença tremenda, especialmente em jogos e aplicativos mais pesados. Só que o melhor mesmo do iPad Pro a Apple nem cita oficialmente (confirmamos por códigos no Xcode e pela desmontagem da iFixit): ele vem com 4GB de RAM, o dobro de memória que o iPad Air 2. Isto, sim, influencia absurdamente na experiência de uso do dispositivo no dia-a-dia — seja ao abrir múltiplos apps, ter várias abas abertas simultaneamente no navegador, alternar entre documentos e por aí vai.

Sou um usuário com um nível de exigência elevado para meus gadgets, então confesso que usar o iPad Air de primeira geração com o iOS 9 já estava me incomodando um pouco. Imagino que os que têm um iPad Air 2 sentirão um ganho um pouco menor do que eu senti ao pegar um iPad Pro, mas ainda assim não deixa de ser algo perceptível.

Na parte wireless, o iPad Pro é praticamente idêntico aos seus irmãos menores. Estão lá Wi-Fi 802.11ac dual-channel (2,4GHz e 5GHz) com tecnologia MIMO, Bluetooth 4.2 e, no modelo Wi-Fi + Cellular, suporte a 4G (LTE) com a bandejinha lateral de chip Nano-SIM. Apesar de tecnicamente não haver diferença, na prática o chip A9X e os 4GB de RAM dão a sensação de que o iPad Pro é também bem mais rápido para navegação na web.

Sistema de som

O iPad Air 2 já tinha dois alto-falantes estéreo na sua parte inferior, mas a Apple deu também uma enorme atenção a isso no iPad Pro aproveitando o grande espaço proporcionado pelo tamanho da tela do tablet.

No iPadão nós temos o dobro do número de alto-falantes, dois de cada lado, e com um sistema acústico totalmente renovado com câmaras de ressonância internas, equalização dinâmica a depender da orientação de uso do tablet e o escambau a quatro.

Comparado com iPads anteriores, o Pro gera um som cerca de 61% mais potente. E isso é incrível de ver, na prática. Com o meu iPad Air eu constantemente estava com o volume definido no máximo e, ainda assim, a depender do que estava assistindo/ouvindo ou do ambiente onde me encontrava, não era suficiente. No iPad Pro, eu raramente coloco o volume dele no máximo. Dá para sentir bem a potência dos quatro alto-falantes segurando-o nas mãos.

E não é só potência, não, mas também qualidade. Fiz vários testes aqui em casa comparando o volume e a qualidade de som do iPad Pro com os alto-falantes do meu MacBook Pro de 15 polegadas com tela Retina; o tablet é claramente superior em ambos os aspectos. Dá facilmente para usá-lo como fonte de som ambiente num jantar com amigos, por exemplo.

Design e modelos

Se pudéssemos encolher um iPad Pro para o tamanho de um Air (ou até de um mini), veríamos pouquíssimas diferenças em design. A Apple segue o mesmo conceito nos três tamanhos, oferecendo-os inclusive nas mesmas três cores padrão: cinza espacial, dourada e prateada. A “nova” dos iPhones, a ouro rosé, ainda não chegou aos iPads.

Externamente, o que os difere são mesmo os quatro alto-falantes e um novo conector magnético que fica na lateral do iPad Pro — o chamado Smart Connector.

Caixa do iPad Pro

A estrutura de modelos do iPad Pro também é mais enxuta. Enquanto nos iPads mini 4 e Air 2 temos três capacidades (16GB, 64GB e 128GB) disponíveis em ambas as versões Wi-Fi e Wi-Fi + Cellular, no iPad Pro são apenas três opções: Wi-Fi de 32GB, Wi-Fi de 128GB ou Wi-Fi + Cellular de 128GB.

Smart Connector e outras tecnologias

O Smart Connector chega ao iPad Pro para ser um segundo meio de conectividade com acessórios, além da tradicional porta Lightning. É bem possível que essa característica seja incorporada também nas próximas versões do iPad Air e do iPad mini.

O conector consiste em três pequenos círculos na lateral do iPad Pro, capazes de fornecer a acessórios tanto energia quanto dados. Junto ao tablet em si, a Apple lançou uma capa com teclado chamada Smart Keyboard que faz justamente uso desse novo conector — o que é ótimo, pois o teclado não precisa ter uma bateria interna e não utiliza a interface Bluetooth do iPad. Outras fabricantes, como a Logitech, também já estão lançando no mercado acessórios compatíveis com o Smart Connector.

Apple - Smart Keyboard para iPad Pro

Como eu falei, a tela do iPad Pro ao lado da do iPad Air, tirando o tamanho, é praticamente idêntica. E de fato, não há nada de diferente nela para o uso multi-touch normal, com os dedos. Ele não vem, por exemplo, com a tecnologia 3D Touch que sente a pressão que fazemos com os dedos tal como em iPhones 6s/6s Plus.

Mas há outra tecnologia super-avançada ali “dentro” da tela que foi criada em conjunto com a primeira stylus da Apple para iPads, o Apple Pencil. Na canetinha em si já há bastante tecnologia, mas a experiência proporcionada por ela só é possível graças ao que a Apple desenvolveu para a tela do iPad Pro em si. É por isso que não dá para usar o Apple Pencil com nenhum outro iPad, nem mesmo como uma stylus convencional (já que a sua ponta não é capacitiva).

Usuário desenhado com o Apple Pencil num iPad Pro

Porém, como eu falei no começo deste review, entrarei em mais detalhes sobre os dois acessórios do iPad Pro — o Smart Keyboard e o Apple Pencil — num artigo à parte.

Um ponto negativo do iPad Pro é que a Apple também não incorporou nele a segunda geração do Touch ID. O sensor de impressões digitais está lá e funciona muito bem, mas não é tão mais preciso e rápido quanto o do iPhone 6s. Não dá para entender essas economias de migalha que a Apple faz…

Por fim, as duas câmeras do iPad Pro são idênticas às do iPad Air 2 e do iPad mini 4. A FaceTime HD (frontal) tem 1,2 megapixel; a iSight (traseira), 8 megapixels. Eu não me preocupo muito com isso pois raramente uso as câmeras do meu iPad, mas se pararmos para pensar um tablet desse tamanho merecia pelo menos uma câmera frontal Full HD 1080p para selfies e videoconferências.

Ah, e a promessa de autonomia de bateria continua a padrão de todos os iPads: 10 horas.

iOS 9 e apps

Posto tudo sobre o hardware em si, vamos ao software — isto é, ao que ainda pode evoluir sem a necessidade de a pessoa trocar de dispositivo. E devo lhes dizer, há um bom chão a se percorrer neste quesito.

iPad Pro

Antes mesmo do lançamento do iPad Pro, o iOS 9 aterrissou com excelentes avanços para donos de iPads mais recentes. Agora temos uma série de recursos focados em multitarefa, incluindo o Slide Over, a Split View e o Picture-in-Picture (PiP). Tudo isso funciona ainda melhor na telona do iPadão, mas não vai muito além disso. Ele ainda não tem nenhum grande diferencial que explore de fato o seu tamanho, tirando alguns botões extras no seu teclado virtual.

A falta de otimização vai desde a coisa mais básica de todas: a Tela de Início. A Apple não seu deu nem sequer ao trabalho de adicionar mais colunas/linhas de ícones, simplesmente os espaçou mais. Na Tela Bloqueada, a mesma coisa: um grande vazio em meio aos milhões de pixels disponíveis.

Do sistema vamos aos apps em si, que também precisam ser devidamente otimizados para a nova resolução do iPad Pro. Desenvolvedores que seguem à risca as diretrizes da Apple não estão tendo muito trabalho com isso, visto que já tinham que fazer adaptações similares para oferecer suporte aos tamanhos de tela diferentes do iPad Air e do iPad mini, mas não basta simplesmente fazer um layout flexível que oferece mais espaço em determinada área. A diferença do iPad mini para o iPad Pro, indo de um extremo ao outro, é tão absurda que um mesmo app deveria ter duas interfaces diferentes a fim de aproveitar ao máximo o dispositivo no qual está sendo executado.

Com algumas exceções, fazer otimizações básicas para tirar proveito da tela do iPad Pro não é um trabalho difícil para desenvolvedores (o próprio YouTube, vejam só, só foi adaptado ontem). Mesmo assim, a Apple tem que lutar e trabalhar para convencê-los da importância disso mesmo que o iPadão seja direcionado a um nicho de usuários. E, para tal, ela precisa dar um bom exemplo.

Me preocupa um pouco o fato de o iOS 9 ter vindo com várias novidades focadas na multitarefa do iPad, porque não sei se a Apple repetirá isso já no iOS 10. Mas ela precisa desse foco, afinal, não basta simplesmente “jogar no mercado” mais uma opção de tamanho de tela achando que isso é suficiente para a existência do produto.

O que está na caixa?

Desta vez eu não fiz um vídeo de unboxing, mas sim um “ensaio fotográfico” — até porque não tem muito o que mostrar. 😉 Além do iPad Pro em si, temos na caixa apenas um cabo Lightning-USB, um adaptador de tomada e os manuais.

Clique nas fotos para ampliá-las e navegue com as setas do seu teclado:

Conclusão

Eu propositadamente deixei de fora deste review considerações sobre o uso do iPad Pro com o Apple Pencil e/ou o Smart Keyboard, porque não deixam de ser dois acessórios vendidos à parte que nem todos os donos do iPadão comprarão. A análise, como eu havia dito, foi focada no tablet de forma independente.

Sou uma pessoa que gosta de telas grandes e de espaço para trabalhar. Já tive iMacs com telonas, depois por necessidade de um portátil passei para PowerBooks/MacBooks Pro de 17 polegadas e, agora que eles não existem mais, tenho um de 15 polegadas. O iPad Air era a minha escolha até a chegada do Pro, mas este já me conquistou nesse sentido. A única exceção é o iPhone, pois realmente não acho que o tamanho do Plus (5,5 polegadas) compensa no dia-a-dia; o meu próprio 6s já fica no limite dos bolsos de algumas das minhas calças, que dirá.

iPad Pro

Usar o iPad Pro é maravilhoso. A combinação da sua tela, excelente performance e alto-falantes potentes me fazem usá-lo absurdamente mais do que na época do meu iPad Air. Antes eu me “forçava” a usar o iPad simplesmente porque tinha um; hoje eu realmente opto pelo iPad Pro em vários momentos, pois curto a experiência.

Por outro lado, a menos para o meu uso profissional, o iPad Pro está longe de ser um substituto do MacBook Pro — e pretendo entrar em mais detalhes sobre isso quando for falar da minha experiência com o Smart Keyboard, no outro futuro artigo. Além disso, cada um deve levar em consideração o quanto o valor extra pago pela tela maior é válido para o uso que fará do dispositivo. Fica a nossa torcida para uma evolução constante tanto do iOS quanto dos apps, focada no iPadão.

http://www.idownloadblog.com/2016/02/23/twos-app-store-not-on-this-apple-tv/ http://www.loopinsight.com/2016/02/24/bought-an-app-that-since-added-apple-tv-support-now-theres-a-category-for-that/

Na compra do iPad Pro pela Fast Shop, ganhe o Office 365!

O iPad Pro não é o mais portátil e mais barato dos iPads, mas é certamente o melhor de todos.

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