Apple vs. FBI: segurança do iOS vai melhorar ainda mais; Tim Cook é entrevistado

Protesto

O assunto simplesmente não sai da mídia — e tem motivo para isso, afinal é algo extremamente importante e que deve, sim, ser muito discutido. Falo da disputa entre Apple e FBI, na qual o governo dos Estados Unidos quer que a Maçã crie um novo sistema operacional específico para desativar alguns recursos de segurança de um iPhone 5c utilizado por um terrorista que, junto de sua namorada1, matou 14 pessoas e feriu outras 22 em um ataque em San Bernardino, na Califórnia.

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Entrevista para a ABC News

Pois o mais recente capítulo dessa história foi uma entrevista que Tim Cook deu para a ABC News em seu escritório — a primeira vez que isso acontece, aliás.

A verdade é que não há nenhuma grande novidade nessa entrevista já que basicamente tudo sobre o assunto foi falado por Cook e pela Apple nos últimos dias. O CEO da Maçã simplesmente repetiu/confirmou aquilo tudo que já sabemos, apenas utilizando outras palavras em alguns momentos.

Para ele, esse novo iOS que o FBI quer ver a Apple criando seria “o equivalente a um câncer”. O executivo disse ainda que se tivesse uma maneira de extrair os dados do aparelho sem comprometer a segurança de milhões de pessoas, a empresa faria isso sem nenhum problema.

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O jornalista David Muir trouxe à tona a pesquisa na qual mais da metade dos americanos se mostrou favorável ao FBI e perguntou o que ele achava disso. Cook então disse que não se trata de pesquisa, e sim do futuro das pessoas. Sem dúvida não é uma decisão fácil, mas na opinião dele, a correta.

Novamente, Cook falou que se o governo ganhar a queda de braço com a Apple, ele simplesmente não sabe aonde isso tudo vai parar já que, amanhã, o governo poderá ordenar a empresa a criar um sistema de vigilância pelo qual o FBI poderia, por exemplo, ligar a câmera e o microfone de milhões de dispositivos. Sem contar que essa medida serviria para todas as fabricantes de smartphones, não apenas para a Apple — afinal outros aparelhos de outras marcas também estão nas mãos do governo para serem investigados.

Cook disse ainda que, se nós morássemos num mundo perfeito (sem que esse software pudesse ser usado novamente contra pessoas do bem), obviamente a Apple faria isso. Mas, como sabemos, não é o caso — na entrevista ele comenta que, apenas com a segurança pública de Nova York existem mais de 150 aparelhos para serem desbloqueados.

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Um ponto importante levantado por Cook foi que não se trata apenas de privacidade (o que sem dúvida é muito importante), mas até de segurança pública já que muitos iPhones espalhados por aí contam, por exemplo, com a localização de filhos (através do app Buscar Meus Amigos). Imagine isso nas mãos das pessoas erradas… sem dúvida, nenhum pai quer que outras pessoas tenham acesso a esse tipo de informação.

Se você se interessa pelo assunto, o vídeo completo da entrevista pode ser assistido aqui2.

Melhorando a segurança do iOS

Se as coisas já estão difíceis agora para o FBI, a tendência é piorar.

Segundo o The New York Times, aparentemente a Apple já estava trabalhando para melhorar a segurança do iOS antes mesmo de o caso de San Bernardino acontecer — o que é totalmente plausível já que todo lançamento de iOS vem com melhorias significativas nesta área. Agora, porém, as coisas se intensificaram.

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Atualmente, o usuário pode perfeitamente colocar o iPhone em modo de recuperação e instalar um novo iOS no aparelho sem a necessidade de digitar uma senha — basta o sistema operacional ser assinado digitalmente pela Apple. É exatamente isso que o FBI quer que a Apple faça: pegue o iPhone 5c em questão, crie um iOS específico para ele (sem alguns recursos de segurança) e instale por cima do iOS atualmente utilizado no dispositivo sem precisar digitar uma senha. Aí, com o iOS vulnerável instalado, o FBI poderia usar “força bruta” para desbloqueá-lo.

Pois na opinião de John Gruber, o que a Apple deve fazer é justamente solicitar a senha do usuário para a instalação de um novo sistema operacional até mesmo quando o iPhone estiver em modo de recuperação, protegendo ainda mais os dados armazenados nele. Faz sentido — ainda que dificulte bastante as coisas para a própria empresa no caso de reparos de aparelhos feito nas Apple Retail Stores.

Já o Financial Times disse3 que a Apple também pretende criptografar os backups de iPhones e iPads enviados para a nuvem (iCloud).

Força-tarefa contra o Estado Islâmico

Em uma nota relacionada, a CNN informou que a reunião realizada pela Casa Branca para discutir assuntos ligados a terrorismo — com a participação de empresas como Apple, Facebook, Twitter, Snapchat e muitas outras — aconteceu ontem (quarta-feira, 24/2) no Departamento de Justiça dos EUA.

A ideia, conforme falamos, é combater o Estado Islâmico na internet e nas redes sociais, tornando mais difícil para os militantes/terroristas recrutar e mobilizar seguidores, ajudando usuários comuns a criar, publicar e amplificar conteúdos que podem minar a ação terrorista, etc.

[via Daring Fireball: 1, 2, TechCrunch, Patently Apple]

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