Após muitos recordes, Apple tem um segundo trimestre fiscal de 2016 complicado; confira os destaques

A Apple divulgou ontem os resultados financeiros referente ao segundo trimestre fiscal de 2016 e, após 13 anos de recordes e mais recordes, a empresa viu seus principais números declinarem de uma forma que não está acostumada.

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A empresa teve uma queda nas receitas (US$50,6 bilhões no FQ2 2016 vs. US$58 bilhões no FQ2 2015), no lucro (US$10,5 bilhões vs. US$13,6 bilhões), nas vendas de iPhones (51,2 milhões de unidades vs. 61,2 milhões), de iPads (10,3 milhões vs. 12,6 milhões), de Macs (4 milhões vs. 4,5 milhões), entre outros; entretanto, a companhia teve um aumento significativo nas receitas de serviços (US$6 bilhões vs. US$5 bilhões) e de outros produtos1 (US$2,2 bilhões vs. US$1,6 bilhão).

Como sempre, Tim Cook (CEO2) e Luca Maestri (CFO3) participaram de uma conferência em áudio para explicar e falar um pouco mais dos detalhes desses três últimos meses financeiros da Maçã. Antes disso, porém, Cook deu uma entrevista ao Wall Street Journal [matéria fechada para assinantes] e “explicou” o motivo das quedas nas vendas de iPhones (o mais importante produto da empresa, hoje).

De acordo com ele, foi um trimestre desafiador por conta da comparação com as vendas de iPhones no segundo trimestre de 2015, quando a demanda pelo iPhone 6/6 Plus estava em uma crescente. A demanda pelo — agora antigo aparelho — foi tão grande em 2015 que levou alguns consumidores a fazerem o upgrade mais cedo do que o normal, potencialmente minando o interesse numa nova troca pelo 6s.

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Mas voltando à conferência em si, eis os nossos destaques do que foi comentado:

Comentários gerais

  • Cook falou que, apesar da queda, foi um trimestre muito bem executado pela companhia se levarmos em conta as condições adversas do mercado (valorização do dólar, alguns mercados em crise, etc.).
  • A base de usuários, que já passou de 1 bilhão de dispositivos iOS, continua crescendo num ritmo bem forte.
  • Foram 15 aquisições de empresas nos últimos 4 trimestres.
  • Maestri comentou que, novamente, o trimestre foi prejudicado pela forte valorização do dólar; no que eles chamam de “moeda constante”, a receita da empresa teria caído “apenas” 9% em vez de 13%.
  • O programa de retorno de capital foi expandido novamente — agora para os próximos quatro trimestres, chegando ao total de US$250 bilhões.
  • O pagamento de dividendos também aumentou pela quarta vez, passando de US$0,52 para US$0,57 (quase 10% de aumento); chegando a pagar US$12 bilhões por ano, a Apple é atualmente uma das maiores pagadoras de dividendos do mundo.
  • A Maçã tem agora US$232,9 bilhões em caixa/títulos negociáveis; desses, US$15,5 bilhões estão nos EUA.
  • A empresa fechou o trimestre com US$72 bilhões em dívida de longo prazo e retornou US$10 bilhões para seus investidores.

iPhone

  • O número de pessoas migrando do Android para o iPhone continua grande, segundo o CEO.
  • Cook disse que as vendas de iPhones 6s/6s Plus provenientes de upgrades, migrações e novos usuários estão bem saudáveis (no caso de upgrades, com uma taxa um pouco acima da do iPhone 5s e abaixo da do iPhone 6/6 Plus).
  • A lealdade de usuários de iPhones continua bem alta, em 95% — a mais alta de todos os aparelhos no mercado.
  • A taxa de migração (usuários de outras plataformas móveis para o iPhone) neste primeiro semestre fiscal de 2016 é a mais alta já vista pela Apple.
  • As vendas do iPhone SE não entraram neste trimestre, porém a demanda está muito forte (excedendo a oferta); segundo Cook, trata-se de um aparelho estratégico para atrair novos consumidores.
  • O ASP4 do iPhone foi de US$642, comparado a US$659 há um ano; isso é fruto da atratividade dos modelos mais em conta (iPhone 6/6 Plus e, agora, SE).
  • A tendência é que, com o distanciamento do lançamento do iPhone 6s e com a chegada do SE, esse preço médio caia ainda mais.
  • A venda de iPhones teve um crescimento de 56% na Índia, mercado onde a empresa está investindo cada vez mais principalmente em canais de distribuição.

iPad

  • Cook sempre foi um cara que apostou fortemente no iPad. E, segundo ele, a resposta ao iPad Pro de 9,7 polegadas está sendo muito boa; no próximo trimestre, a Apple espera o melhor resultado comparativo dos últimos dois anos para o tablet.
  • De acordo com a Apple, ela detém agora 72% do mercado corporativo de tablets nos EUA.
  • Por falar em corporativo, o nível de satisfação de usuários no segmento é de 94%; há ainda uma intenção de compra de novos iPads para o próximo trimestre de 71%.
  • O nível de satisfação de usuários domésticos que utilizam o iPad Air 2 é de 97%.
  • 59% das pessoas que planejam adquirir um tablet novo estão planejando comprar um iPad, um número três vezes maior do que a segunda colocada na pesquisa.

Mac

  • Mesmo com a queda nas vendas de Macs, há muitos novos usuários embarcando na experiência Mac/OS X pela primeira vez; na média, estamos falando de uma taxa de 50% de novos usuários — em alguns países, como a China, o índice sobe para estratosféricos 80%.
  • Como o mercado de computadores como um todo continua caindo, mesmo com as vendas mais fracas a Apple conquistou market share.

Serviços

  • As receitas de serviços foram as mais altas já vistas pela Apple, US$6 bilhões (20% a mais do que no FQ2 2015).
  • A App Store bateu recorde neste trimestre, com 35% a mais de receitas.
  • De acordo com Maestri, a App Store gerou uma receita 90% maior que a do Google Play se compararmos o mesmo período.
  • Foi estabelecido um novo recorde no gasto médio de usuários na App Store.
  • O Apple Music agora conta com 13 milhões de assinantes pagos (sem levar em consideração quem ainda está no período de testes de três meses); por conta disso, a receita musical da Maçã (Apple Music + iTunes [Music] Store) atingiu um ponto de inflexão após muitos trimestres de declínio.
  • Independentemente das vendas de novos aparelhos, ter uma base instalada com mais de 1 bilhão de usuários é altamente saudável para os serviços pagos recorrentes da empresa (Apple Music, armazenamento no iCloud, aluguel de filmes, etc.).
  • O Apple Pay gerou um fluxo de pagamento 5 vezes maior do que há um ano; já são agora mais de 10 milhões de terminais de pagamentos sem fio que aceitam o Apple Pay no mundo, sendo 2,5 milhões deles nos EUA.
  • O serviço de pagamento móvel da Apple ganha, por semana, 1 milhão de novos usuários.

Outros produtos

  • As vendas do Apple Watch atingiram a expectativa no trimestre; apesar disso, a empresa acredita que há uma certa sazonalidade semelhante à do iPod, que gerou 40% das vendas no trimestre do Natal.
  • A empresa fez questão de mencionar que as vendas do relógio, em seu primeiro ano de vida, foram maiores que as do iPhone — nós destacamos essa informação neste artigo, porém apontando que a comparação não é lá muito justa.
  • Cook está animado com o primeiro ano do dispositivo e bastante esperançoso com o seu futuro.
  • O nível de satisfação dos usuários do relógio é de 94%.
  • Atualmente o Apple Watch está disponível em 60 países.

Futuro

  • Para o próximo trimestre, a Apple estima uma receita de US$41-43 bilhões — uma nova queda por conta da difícil comparação anual (ótimo desempenho em 2015) e uma condição macroeconômica complicada.
  • A Apple também estima uma margem bruta entre 37,5% e 38%.

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Abaixo, alguns gráficos interessantes que resumem o segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple:

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Gráfico das receitas por categoria - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico das receitas por região - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico das receitas - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico com as vendas de iPhones - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico com as vendas de iPads - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico com as vendas de Macs - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico das receitas de serviços - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

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Gráfico das receitas de outros produtos - Segundo trimestre fiscal de 2016 da Apple

[via MacRumors, AppleInsider, MacStories]

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