Review duplo: Smart Keyboard e Apple Pencil, os acessórios oficiais do iPad Pro

Há pouco mais de dois meses, publiquei aqui no site o meu review completo do iPad Pro e propositadamente deixei de fora dele — não só para não me alongar demais, mas também por questão de foco — comentários sobre seus dois acessórios oficiais, o Smart Keyboard e o Apple Pencil.

iPad Pro de 9,7 polegadas deitado com Apple Pencil ao lado de iPad Pro de 12,9 polegadas com Smart Keyboard

Mas promessa é dívida: fiquei de lhes trazer também as minhas impressões sobre esses produtos secundários, e aqui estão.

Banner da Fast Shop sobre acessórios para iPhone

Smart Keyboard

Anos depois de fabricantes terceiras lançarem acessórios do tipo e a própria Microsoft adotar a ideia como padrão no Surface, a Apple tornou realidade uma patente que registrou originalmente em agosto de 2011: uma capa para iPad com teclado embutido.

Para o que chamou de Smart Keyboard, a Apple basicamente criou uma “versão estendida” da sua já tradicional Smart Cover — usando o mesmo material (poliuretano, forrado de microfibra macia) porém com uma nova superfície dobrável onde encontram-se as teclas. Embora fina, essa área adiciona uma espessura considerável ao acessório que não é distribuída de maneira uniforme quando dobrado.

O grande diferencial do Smart Keyboard frente a todas as cases com teclado que existiam até agora veio a partir de uma novidade que a Apple embutiu no próprio hardware do iPad Pro: o seu Smart Connector. É por esses três pequenos círculos magnéticos que a capa se “gruda” ao tablet e permite não apenas transmissão de dados quanto a própria alimentação do teclado. Ou seja, ele não usa a interface Bluetooth e nem tem uma bateria embutida.

Alternar do teclado do MacBook Pro para o Smart Keyboard é um tanto estranho. Se você tiver que ficar pulando de um para o outro constantemente, é bem provável que sinta um certo incômodo. Mas me propus a usar o iPad Pro com o seu Smart Keyboard por um dia inteiro e, após um curto período de adaptação, a experiência de digitação já estava totalmente normal/agradável para mim.

O Smart Keyboard foi lançado numa versão menor para o recém-anunciado iPad Pro de 9,7 polegadas, mas evidentemente o que eu tenho usado há meses é o modelo maior — para o iPad Pro de 12,9 polegadas. Ambos possuem exatamente a mesma quantidade de teclas, mas no maior elas são um pouco maiores/mais espaçadas. Uma coisa que faz bastante falta é a linha superior com teclas de função, ou seja, não dá para controlar volume, brilho ou reprodução multimídia pelo teclado. Isto já é bem chato, mas talvez a omissão mais importante de todas seja a tecla Esc — que, ao menos para mim, faz uma falta danada.

Ainda em ritmo de crítica, é uma lástima a Apple lançar um acessório desses sem retroiluminação nas teclas (e ela havia cometido o mesmo erro com o Magic Keyboard). O custo disso deve ser ínfimo, o consumo de bateria bem baixo e eu duvido que a as luzinhas fossem tornar o acessório mais espesso do que já é. Ou seja, para digitar no escuro é preciso depender da iluminação da tela sobre as teclas (e/ou da sua prática datilográfica).

Apesar de fazer o iPad Pro parecer um laptop quando usado com o Smart Keyboard, a experiência não é exatamente a mesma. Primeiro que não podemos ajustar o ângulo da tela, o Smart Keyboard oferece apenas um e pronto. Segundo que, como o Smart Keyboard é tão macio/flexível quanto uma Smart Cover, é bem difícil — para não dizer impossível — usá-lo por exemplo na cama, no seu colo.

Apple Smart Keyboard no iPad Pro (by MacMagazine)

Uma coisa que valorizo muito quanto estou trabalhando para valer é área útil na tela — é por isso que tenho um MacBook Pro com tela Retina de 15 polegadas e coloco o OS X na configuração “Espaço Maior” para a resolução. Falo isso pois o espaço que “ganhamos” sem o teclado virtual ocupando a tela do iPad é simplesmente imenso. Acho isso de um valor imensurável para quem quer de fato usar o iPad (seja o Pro ou não) como dispositivo principal de trabalho, e evidentemente se aplica a qualquer teclado criado para ele (não só o Smart Keyboard).

A Apple já implementou diversos atalhos de teclado no iOS e em seus apps nativos, e aos poucos desenvolvedores têm feito o mesmo. Para descobrir quais estão disponíveis, basta pressionar e segurar a tecla ⌘ (Command) do Smart Keyboard por 2-3 segundos.

Até um tempinho atrás, sempre que eu ia usar o iPad Pro para assistir a alguma coisa, abria o Smart Keyboard e o colocava em posição de digitação. Este seria um ponto negativo do meu review, se eu tivesse me precipitado e escrito ele antes de descobrir isto aqui:

Modos de uso do Smart Keyboard

Acreditem: o modo de assistir a vídeos não é nada óbvio assim, tanto é que falei com dois amigos que já usavam o iPad Pro há meses quando descobri e eles também não sabiam desse “truque”. É preciso abrir o Smart Keyboard por completo, encostar o teclado na parte de trás do iPad Pro e deslizá-lo para baixo de forma que fique preso atrás do “triângulo” de sustentação. Aí sim, nada de teclado atrapalhando e um ângulo de visão bem melhor!

Ademais, vale lembrar que o Smart Keyboard antes de tudo também é uma Smart Cover — então protegerá bem a parte frontal do iPad Pro quando fechado. Ele só não oferece proteção para a traseira, algo que a Apple solucionou — no caso do iPad Pro — com as cases de silicone.

Apple Pencil

Aqui a minha análise será muito mais técnica do que qualquer outra coisa, porque como ilustrador eu sou um ótimo cozinheiro. Ainda assim, tenho plena capacidade de lhes dizer que o Apple Pencil é a melhor stylus já criada para um tablet.

Apple Pencil do iPad Pro (by MacMagazine)

E digo isso focando-se justamente no que mais importa num acessório desses: o que esperamos quando vamos usá-lo. Unindo tecnologias embutida no próprio lápis e na tela do iPad Pro, a Apple conseguiu diminuir absurdamente a latência nos traços, implementar um sistema de sensibilidade a pressão natural e ainda nos permitir usar o Apple Pencil como um lápis de verdade no papel, inclinando-o para obter resultados visuais diferentes. E essa naturalidade se estende até mesmo ao apoio das mãos sobre a tela, que são “ignoradas” pela touchscreen enquanto você usa o Pencil.

O formato do Apple Pencil em si é um pouco curioso. Ele é um cilindro perfeito, o que pessoalmente me agrada mas pode ser estranho para quem está acostumado a usar lápis/canetas em formato hexagonal, por exemplo. Ele também é um pouco mais longo e mais pesado do que eu esperava antes de pegá-lo pela primeira vez, com o seu centro de gravidade posicionado mais para a parte superior. A sensação, ao colocá-lo na mão, é de um lápis robusto e moderno.

O Apple Pencil obviamente tem um acelerômetro embutido. Uma das coisas bacanas que a Maçã explorou com base nisso é um sistema de hibernação inteligente para o lápis, que economiza a sua bateria. Assim, se você deixá-lo parado em cima da mesa ele automaticamente irá “desligar” e desconectar-se via Bluetooth do iPad. Mas basta mexê-lo um pouquinho (como quando vamos pegá-lo para escrever/desenhar) que imediatamente tudo é restabelecido.

A autonomia de bateria proposta para o Apple Pencil é mais do que satisfatória: 12 horas de uso contínuo quando recarregada por completo, com um modo de recarga rápida que proporciona 30 minutos de uso ficando conectado meros 15 segundos à porta Lightning do iPad Pro.

Recarga da bateria do Apple Pencil

Aliás, todo mundo já sabe mas eu tenho que fazer constar neste review: é estranhíssimo pendurar o lápis à parte inferior do tablet para recarga, mas infelizmente foi a melhor forma que a Apple encontrou de tornar isso prático e permitir que o próprio iPad alimentasse a bateria do Pencil. Ele também vem com um adaptadorzinho para quem quiser usar um cabo Lightning convencional e conectá-lo a uma porta USB, mas duvido que alguém preferirá fazer isso.

Como alguém que não trabalha com ilustração, à primeira vista critiquei o fato de a Apple não ter feito da ponta superior do Pencil uma borracha virtual. Todavia, acompanhei alguns reviews de especialistas e muitos disseram que isso não faz falta nenhuma, pois o processo de inverter fisicamente a posição do lápis na mão para apagar é mais demorado/complicado do que simplesmente tocar na ferramenta virtual de borracha e continuar usando a própria ponta principal da stylus (e isso com relação a qualquer uma).

O Apple Pencil é, sem dúvida nenhuma, um “no-brainer” total para qualquer pessoa que trabalhe com ilustração/desenho ou até que tenha prazer de escrever com as mãos. Sim, porque fazer anotações rápidas com ele também é show! E, tirando obviamente o que se ganha em área útil com a tela de 12,9 polegadas do iPad Pro, ele é certamente um dos principais motivos para alguém que vai decidir investir nesse tablet grandão.

Banner da Fast Shop sobre acessórios para iPhone

Posts relacionados

Comentários