Prefeito de Cupertino faz duras críticas à Apple em entrevista; desmente quase tudo horas depois

Sabe aquele tipo de coisa que você simplesmente toma como fato e nunca para para pensar se aproxima-se da verdade? Era mais ou menos assim, o meu julgamento sobre a relação da Apple com Cupertino, sua cidade-sede: na minha cabeça, os residentes e as autoridades locais viam a Maçã com orgulho, como uma espécie de carro-chefe — e atração — da cidade, ela e Apple se protegiam mutuamente e todos conviviam em campos ensolarados, saltitantes numa improvável utopia capitalista.

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Meus sonhos delirantes foram por terra ontem de manhã, quando o novo prefeito cupertiniano (supostamente) botou a boca no trombone em matéria para o The Guardian expressando suas muitas insatisfações com a Apple e, no processo, expondo vários problemas da cidade — muitos dos quais, segundo ele, diretamente ligados à própria Maçã.

Obra do Apple Campus 2

Barry Chang assumiu a prefeitura da cidade há pouco tempo, em dezembro passado, e sua relação com a Apple já começou mal: pouco depois da posse, ele fez — ou melhor, tentou fazer — uma visita ao campus da empresa para conversar com os executivos sobre o trânsito nas rodovias locais. As coisas, entretanto, não saíram como previsto: antes de qualquer contato, os seguranças da empresa acompanharam o prefeito até a saída, afirmando que ele “não podia entrar, pois não tinha sido convidado”. “Nunca mais voltei”, afirma Chang.

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O prefeito afirma que Cupertino sofre com uma infraestrutura que já dá sinais de envelhecimento: as ruas e auto-estradas não comportam o volume de carros crescente, causando congestionamentos e poluição sonora; o transporte público não dá conta da quantidade de passageiros. Por outro lado, explica Chang, limitar o desenvolvimento da cidade seria muito danoso à economia regional. A verdadeira solução, pensa o político, seria aumentar os impostos para os ricos e as empresas, como a Apple — será que ele andou batendo papos com Woz?

Por outro lado, Chang se mostra preocupado com a magnitude do poder que a Maçã exerce na cidade. O prefeito cupertiniano relata que propôs que a Apple desse US$100 milhões para que a prefeitura pudesse melhorar a infraestrutura da cidade; a proposta precisaria da aprovação de apenas um dos outros três membros do conselho para passar, mas nada feito.

A Apple é gigantesca por aqui. Os membros do conselho não querem deixá-la irritada. A Apple fala com eles, e eles não votam contra a Apple. Isso é fato.

A missão de Chang, agora, é passar um projeto de imposto que cobraria das empresas com mais de 100 empregados um imposto de US$1.000 por funcionário. Caso passe, será um aumento considerável na folha da Apple, que no ano passado pagou US$9,2 milhões em impostos à cidade (o que representa 18% da receita de impostos do município).

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“Se você está ajudando a criar os problemas, tem que ajudar a resolvê-los”, disse o prefeito, que tentou até mesmo organizar um protesto do lado de fora dos escritórios da Maçã. “Ninguém quis ir”, declarou ele.

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Algumas horas após a publicação da reportagem do The Guardian, entretanto, a Prefeitura de Cupertino publicou em seu site uma nota afirmando que a matéria possui uma série de erros factuais. “Eu fiquei chocado em ver um artigo recente me citando com palavras que eu não usei e descrevendo situações que nunca aconteceram”, afirmou Chang na nota.

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Ele mantém sua opinião de que as instalações das grandes empresas na cidade causam sérios problemas de mobilidade urbana e essa é uma das grandes preocupações da sua gestão, mas afirma que as outras situações e declarações relatadas no artigo são inverídicas. “O repórter claramente me entendeu mal”, conclui ele. “Minhas preocupações e as do conselho dessa cidade são muito bem documentadas.”

E aí, bateu o medo do poder da Apple ou a reportagem foi, de fato, inverídica? Ficamos na dúvida.

[via TNW]

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