Reunião da Apple com podcasters incita reflexões entre produtores de conteúdo

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A Apple com certeza revolucionou o mundo da tecnologia com os iPods. Depois desse feito, a difusão de músicas e rádios online cresceu de uma forma assustadora. O termo “podcasting”criado em 2004 — é a junção de broadcasting (método de transmissão) com a palavra iPod. Mesmo que mais de dez anos tenham se passado, apenas recentemente essa mídia se estabeleceu pelo mundo com programas tais como o Serial.

A própria Maçã tem um papel grande nesse crescimento por ter disponibilizado, em 2012, seu próprio aplicativo (que pouco mudou desde seu lançamento). Apesar disso, não é novidade que a Apple está, digamos, relapsa quanto aos podcasts. Entretanto, pode haver uma ponta de esperança para os podcasters (e seus ouvintes) pois parece que a empresa está interessada em ouvir as lamúrias dos produtores de conteúdo em áudio.

Isso porque, no sábado passado (7/5), o New York Times — a partir de uma fonte anônima — noticiou que a Apple se encontrou com alguns podcasters para ouvir as suas insatisfações.

A reunião aconteceu no mês passado, em Cupertino, e contou com a participação de empregados da Apple e sete dos mais famosos integrantes da podosfera (muito provavelmente, da americana). Recomendados pelos empregados da companhia a expressarem-se com sinceridade, os podcasters chamaram a atenção para algumas necessidades, entre as quais estavam: a falta de opção para monetizar os programas através de uma assinatura, os dados insuficientes disponíveis para os podcasters, as poucas opções de compartilhamento do iTunes e também o insatisfatório suporte prestado aos geradores de conteúdo.

Se a Maçã fará algo quanto às reclamações, ainda não se sabe. Mesmo assim, o vice-presidente sênior da Apple, Eddy Cue, relatou ao jornal que “nós temos mais pessoas do que nunca se focando em podcasts, incluindo engenheiros, editores e programadores. Os podcasts ocupam um lugar especial na Apple”.

Onde mora o perigo

Apesar da boa vontade da companhia, os “grandes podcasters” talvez não pensaram a fundo nas implicações de suas solicitações. Em resposta à matéria publicada no NYT, o desenvolvedor do Overcast, Marco Arment, expressou seu descontentamento, mostrando o impacto negativo que existiria caso a Maçã “colocasse a mão” nessa mídia.

A produção de podcasts é algo totalmente independente, o que proporciona uma certa liberdade ao criar, produzir, compartilhar e até monetizar o conteúdo caso queiram. Até então, o iTunes tem sido uma ferramenta que mantém essa liberdade pois qualquer um pode enviar seu podcast simplesmente criando um feed RSS e hospedando seu conteúdo onde quiser. Pensando nisso, entre as considerações de Arment está o fato de que, se a Apple tomar as rédeas desse mundo, a possibilidade de essa liberdade ser tolhida é muito grande.

Ao analisar os dados dos ouvintes hoje, existe a possibilidade de saber através dos downloads: o tamanho da audiência, sua localização e quais aplicativos foram usados. O que muitos acreditam ser uma “péssima análise de dados”, Arment considera como “segurança”. Inclusive relatou que, da parte dele, nunca disponibilizaria no Overcast esse tipo de rastreamento mais aprofundado. Complementando essa questão, o editor-chefe do MacStories — e podcaster por prazer —, Federico Viticci, apontou que, ao ter as análises dos dados somente no app da Apple, ele seria cada vez mais usado e recomendado pelos podcasters, o que desencorajaria desenvolvedores a criar seus agregadores.

A questão da monetização também não seria diferente. Viticci registrou que, para disponibilizar assinaturas pagas, a Maçã precisaria ela mesma hospedar os podcasts. E é aí que mora o perigo. Se somente ela compreendesse os dados de ouvintes e a monetização, seu monopólio se fundamentaria, vindo com ele toda sorte de limitações e regras — assim como já acontece com os vídeos na internet.

É importante, então, que tanto os podcasters (já estabelecidos ou aspirantes) quanto os ouvintes reflitam sobre essas questões, pois a podosfera ainda é uma das únicas mídias realmente abertas.

[via 9to5Mac]

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