Educação mais igualitária: escolas menos favorecidas dos EUA receberão iPads, Macs, internet e treinamento da Apple

Educação de qualidade para todos, sem exceção, é o claro e ululante caminho para uma sociedade mais justa; qualquer governo que se preze deve ter isto em mente como uma das suas principais metas. Isso não significa, entretanto, que a iniciativa privada e as empresas não possam também contribuir para que nós, enquanto seres humanos, tomemos as rédeas e sigamos firmes por esta estrada longa e tortuosa rumo ao conhecimento para todos.

A Apple sabe muito bem disso e, nos últimos anos, tem se dedicado bastante à causa. De aplicativos e eventos inteiros dedicados à arte do ensino aos já tradicionais descontos educacionais nas suas lojas, dá pra dizer que a dedicação da Maçã à educação já está no seu DNA. Uma das maiores demonstrações disso, entretanto, veio no ano passado, quando Tim Cook declarou em entrevista que a Apple estava trabalhando com 114 escolas ao redor dos Estados Unidos para melhorar o ensino local.

Ontem, uma reportagem publicada no Wall Street Journal destrinchou um pouco mais o assunto e revelou mais detalhes sobre essa iniciativa importantíssima da Maçã.

A matéria relata que as 114 escolas selecionadas pela Apple não são aleatórias: a empresa de Cupertino focou-se em áreas mais pobres e escolas menos favorecidas, numa tentativa de estreitar a incômoda (e grande) lacuna de qualidade entre as instituições mais ricas e as menos afortunadas — qualquer semelhança com o Brasil neste ponto não é mera coincidência.

Em cada uma dessas escolas, a Apple está distribuindo um iPad por aluno, bem como iPads e MacBooks para os professores e Apple TVs para as salas de aula. E vai além: em algumas delas, contribui com a instalação de redes Wi-Fi e — talvez a parte mais importante de todas — promove dias de treinamento para tirar o máximo das novas tecnologias oferecidas.

Pesquisas recentes da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento mostraram que, na maioria dos casos, escolas que investiram em tecnologia não tiveram melhora significativa nos resultados dos alunos. É isso que a Maçã pretende evitar: segundo a reportagem, cada escola está recebendo um empregado da Apple por 17 dias. Os funcionários, todos ex-professores, recomendam aplicativos e demonstram técnicas para o ensino com o iPad, para que a tecnologia seja utilizada da forma mais efetiva possível em vez de simplesmente servir como brinquedo.

Uma outra passagem interessante da matéria relata que, em visita a uma das cidades onde a Apple está trabalhando — Yuma, Arizona —, o vice-presidente de softwares e serviços da Maçã, Eddy Cue, percebeu que muitos estudantes não tinham também conexão de internet em casa, impedindo a realização de tarefas e complementação dos estudos. O município tinha solicitado há tempos à AT&T uma ordem de serviço para instalar um ponto de rede na cidade, sem sucesso. Cue, então, disse que podia ajudar, graças a um amigo na telefônica: ninguém menos que o CEO Randall Stephenson. O processo finalmente está andando e a cidade deverá receber a rede em breve.

Quanta coisa legal, não? É claro que qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico vai concatenar as coisas e perceber que a Apple, apesar de tudo, é uma empresa que, como qualquer outra, tem como objetivo o lucro. Neste sentido, as ações em prol da educação seriam mais uma ação de marketing que qualquer outra coisa. Evidente, não tenho dúvidas! Mas eu digo: se for para melhorar a vida e a perspectiva de futuro de crianças desfavorecidas, é algo mais, muito mais que justificável.

Só falta agora expandir isso para outros países, Apple. 🙂

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