Apple Pay está enfrentando dificuldades fora dos Estados Unidos, segundo relatório da Reuters

Apple Pay

Há menos de uma semana, noticiamos que a Apple está “trabalhando rapidamente” para levar o Apple Pay à Europa e à Ásia. Isto nas palavras de Jennifer Bailey (vice-presidente do sistema de pagamento móvel), que se mostrou bastante otimista em uma entrevista. Porém, uma visão mais realista foi exposta pela Reuters.

Segundo o relatório, no ano de 2015 o serviço somou US$10,9 bilhões em uso, sendo a maior parte vindo dos Estados Unidos. O número parece grande, mas se levarmos em conta que o serviço está disponível nos EUA desde 2014, é uma porcentagem até pequena. Lembrando que, por enquanto, somente seis países possuem o Apple Pay: Austrália, Canadá, China, Estados Unidos, Reino Unido e Singapura.

Fora da terra do Tio Sam, a aceitação parece sofrer uma resistência grande. Na China existem gigantes como Alibaba e Tencent, as quais dominam o maior mercado de pagamentos móvel do mundo — com aproximadamente US$1 trilhão em transações móveis somente no ano passado. Inclusive, após a chegada do Apple Pay ao país, os chineses reclamaram em fóruns dizendo que ele não é tão simples quanto o sistema do WeChat (da Tencent).

Já no Reino Unido e na Austrália, existe uma variedade grande de cartões sem contato (contactless) sendo amplamente utilizados. Windsor Holden, um analista da Juniper Research, contou à Reuters que US$14 bilhões foram gastos com esses cartões no ano passado; portanto, a facilidade que os cartões fornecem acaba batendo de frente com o serviço da Apple. Holden explicou:

Tendo mais de 86 milhões de cartões sem contato em circulação, é preciso persuadir os britânicos a registrarem seus cartões no Apple Pay, sendo que eles já podem utilizar os próprios cartões para fazerem pagamentos sem contato.

Além dos cartões sem contato, outros problemas aparecem pela terra dos cangurus. Um representante do Bendigo Bank contou à Reuters que alguns terminais de venda estão passando por problemas técnicos com transações do banco. Ainda acrescentou que o tempo de teste da nova tecnologia foi limitado pela falta de aplicação mais ampla do serviço na indústria. Bailey informou que essas experiências são “prematuras e não-representativas” e que “assim como a maioria das mudanças tecnológicas, vai levar algum tempo”. Ela ainda reiterou que a Apple deseja agir o mais rápido possível para alavancar o serviço.

Outro fator que reduz a velocidade de implementação do serviço de pagamento móvel da Maçã pelo mundo é a grande quantidade de negociação que ela precisa fazer. Nos EUA, a Apple recolhe 15 centavos de dólar para cada US$100 gastos, porém é preciso negociar taxas menores em outros países — além de ainda precisar competir com os serviços que os próprios bancos estão começando a oferecer.

Se em países que são grandes potências já existe resistência e problemas suficientes para desacelerar o crescimento do Apple Pay (globalmente falando), quero só ver quando chegar ao nosso humilde Brasil. Mas, como dizem, “a esperança é a última que morre”.

[via MacRumors]

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