O preço da novidade: novos MacBooks estão sofrendo com desordem no mundo dos acessórios USB-C

USB-C é o futuro, eles dizem. É mais rápido, simples, durável, eles dizem. Eles provavelmente não estão mentindo, mas o futuro é, infelizmente, apenas o futuro — o devir.

No presente, as coisas não são tão bonitas assim. Donos de dispositivos equipados com a nova versão da ubíqua interface (nominalmente, o MacBook com tela Retina e alguns smartphones no lado do Android) estão sofrendo com um mercado absolutamente desregrado, cheio de cabos e acessórios com especificações mentirosas — e potencialmente perigosos.

Já registraram-se muitos casos de pessoas literalmente fritando seus fabulosos computadores ou telefones novos por causa de um cabo de má qualidade, o que seria uma consequência extrema, mas outras inúmeras histórias de danos causados pelos acessórios USB-C, em maior ou menor grau, estão surgindo pela internet aos borbotões. Seria o apocalipse do USB?

Primeiramente, é bom explicar a causa (mais comum, ao menos) destes problemas. Tudo reside no fato de que a interface USB-C é capaz de transferir dados e energia em taxas altíssimas — muitas vezes, bem mais altas do que os próprios equipamentos têm capacidade de receber. Algumas fabricantes menos “sérias” não têm sido totalmente rigorosas no seu processo de fabricação e identificação de cabos, ou, em outras palavras, estão vendendo gato por lebre: colocando uma embalagem bonitinha com informações aparentemente confiáveis, e um produto absolutamente mal feito e perigoso.

Algumas fabricantes, por exemplo, produzem cabos USB-C para USB-A (a versão antiga, e que todos nós estamos acostumados, da porta) e se “esquecem” de limitar as taxas de transferência de acordo com a capacidade da geração mais antiga; o resultado, obviamente, não é nada legal. Outras fazem cabos USB-C para USB-C usando componentes internos da versão USB-A, o que também produz resultados desastrosos.

A essa altura, você deve estar se perguntando: mas o mercado de cabos não foi sempre uma bagunça dominada por fabricantes xing-ling cuja última preocupação é a qualidade e a durabilidade dos seus produtos? Elementar, meus caros Watsons: sim, claro! Entretanto, até o advento do USB-C, a interface USB não era capaz de transferir energia a uma taxa potencialmente destrutiva; portanto, casos de aparelhos destruídos por cabos e carregadores — embora existam desde sempre — eram bem menos comuns.

Felizmente, existe uma esperança: há alguns meses, o USB-IF1 anunciou o lançamento de um protocolo para especificação de autenticidade para cabos USB-C. Com ela, computadores, smartphones e outros dispositivos equipados com a entrada serão capazes de confirmar a autenticidade do acessório conectado através de uma comunicação criptografada em 128 bits. Para que a comissão certifique um determinado cabo ou acessório, ele deve seguir uma série de normas e especificações a fim de garantir segurança máxima no funcionamento.

Apple - Cabo de Lightning para USB-C

Cabo de Lightning para USB-C, da Apple

Este protocolo traz ainda uma vantagem adicional, na qual será possível também que cada usuário especifique que tipo de acessório pode ser conectado na porta USB-C do equipamento — por exemplo, uma empresa pode limitar o reconhecimento de conexões apenas a dispositivos marcados como confiáveis.

A parte ruim é que o protocolo ainda está em fase de desenvolvimento e ninguém sabe exatamente quando ele entrará efetivamente em ação. Além disso é importante lembrar que, enquanto dispositivos equipados com USB-C poderão receber uma atualização de software para usar o certificado, cabos e carregadores já lançados no mercado estão de fora da festa, o que possivelmente obrigará todo mundo a trocar todos os seus acessórios quando o protocolo for lançado. Até lá, Benson Leung (empregado do Google) terá que continuar sua árdua — e heroica — tarefa de testar, modelo por modelo, os cabos USB-C para classificar os bons e os ruins.

E o MacBook, como fica nessa história?

Você pode argumentar que tudo o que eu falei até agora não tem muita importância para donos de MacBooks, uma vez que todos eles receberam na caixa um cabo USB-C perfeitamente capaz e seguro produzido pela Apple. Bom, em primeiro lugar, a coisa não é tão simples: cabos se perdem, se quebram, se suicidam, e muita gente não está disposta a gastar uma grana para substituí-los por outros originais. É só ver o iPhone e o mercado cada vez maior (e mais criativo) de cabos Lightning alternativos.

Porta USB-C dos novos MacBooks

O problema, porém, vai bem mais fundo que isso. Como bem nota este artigo do 9to5Mac, as especificações finais do USB-C só foram finalizadas depois do lançamento do primeiro MacBook com tela Retina, em 2015. A Apple atualizou o software do computador, seus próprios acessórios USB-C e até mesmo fez um recall de alguns cabos defeituosos, mas a chuva de incompatibilidade de acessórios de terceiros — especialmente com a versão 2016 do MacBook, já seguindo as especificações finais da nova interface — permanece.

Por exemplo: baterias externas para a versão 2015 do laptop da Apple não funcionam no modelo 2016 porque o mais recente requer acessórios de no mínimo 18W (enquanto o seu antecessor aceitava qualquer bateria externa a partir de 5W). A conexão dos MacBooks com monitores 4K por meio do USB-C também é mais utópica do que qualquer outra coisa, com uma gama minúscula de monitores compatíveis e problemas de compatibilidade à profusão.

As coisas, no fim das contas, não são tão bonitas como a Apple gostaria que fossem. É bom lembrar que, entretanto, o USB-C não vai embora tão cedo; ao contrário, ele está só começando. O próximo MacBook Pro, por exemplo, deverá vir com algumas portas desse tipo — até mesmo a Thunderbolt 3 agora usa o conector.

Essa é a maravilha da tecnologia: ela amadurece e se torna quase natural com o tempo. Eu não duvido que será assim com o USB-C, mas, nesse meio tempo de dúvidas e incertezas, eu só deixo duas recomendações para vocês: usem filtro solar e só comprem cabos e acessórios de marcas reconhecidas.

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