Com atualização do iMessage, Apple inicia guerra dos mensageiros instantâneos

Morar no Brasil muitas vezes nos distrai de uma realidade: o WhatsApp não é o centro do mundo. Grande parte da comunicação na América Latina, na Europa e na Índia é feita através do aplicativo adquirido pelo Facebook, mas o cenário mundial não corresponde ao brasileiro. Antes da aquisição de Mark Zuckerberg, a grande maioria dos americanos nunca tinha ouvido falar do WhatsApp. Até hoje, o público pouco ligado em tecnologia que mora nos EUA simplesmente não conhece o famoso “ZapZap”.

Nos EUA, os apps de mensagens instantâneas mais utilizados são o iMessage e o Facebook Messenger. Curiosamente, usuários de iOS falam com usuários de Android usando SMS (sim, SMS ainda é bastante utilizado nos EUA — já que é gratuito). Os americanos não têm esse costume que o resto do mundo tem de baixar apps específicos de mensagens no celular para falar com amigos e família.

Já na China, o market share é dominado de forma esmagadora pelo WeChat, com 700 milhões de usuários. O gráfico abaixo mostra um pouco desse cenário:

Gráfico sobre a guerra dos mensageiros

A maioria desses apps ainda não tem uma estratégia eficiente de monetização, com exceção do WeChat, que permite realizar pagamentos, pedir táxis ou fazer reservas em restaurantes. A WWDC, na semana passada, deu largada a uma disputa entre três gigantes (Apple, Facebook e Google) em busca do trono do mundo das mensagens, que consiste basicamente em replicar com sucesso e ampliar a estratégia do WeChat. O objetivo é claro: pautar toda a relação do usuário com marcas e empresas através dos mensageiros.

As atualizações do iMessage foram um sinal claro da Maçã: chegamos. Surge a pergunta: quem se sairá vencedor na batalha?

O primeiro a atacar foi o Facebook, quando, no ano retrasado, obrigou os usuários a baixar o Messenger separadamente. Em seguida, no começo do ano lançou os bots, assistentes virtuais que auxiliam você na comunicação com empresas, seja para comprar uma passagem aérea, reservar um restaurante ou exigir a troca de um produto. Apesar do começo lento na adesão dos bots, a empresa de Menlo Park tem a vantagem de possuir a maior base de usuários: 900 milhões no Messenger e mais de 1 bilhão no WhatsApp.

Allo do GoogleEm seguida veio o Google, com o anúncio do Allo (pronuncia-se “Alô”), um concorrente direto do Messenger e iMessage; e do Duo, um concorrente do FaceTime. O grande destaque do Allo é a inteligência artificial/machine learning, pela qual o Google já é famoso. O app tem a capacidade de recomendar respostas com bastante precisão, sugerir serviços e possui integração com o assistente virtual Google Assistant.

Vale notar que o Allo não possui relação direta com os outros serviços da empresa, como o Google+. É um aplicativo que é baixado separadamente (é claro, vai vir de fábrica no Android) e funciona de forma independente, apesar da compatibilidade com outros serviços, como Gmail e Google Maps.

Na semana passada, durante a WWDC, conhecemos a tentativa da Apple de entrar de vez no mercado de mensagens. A atualização no iMessage (e na Siri) mostrou uma característica que está se consolidando na empresa: a crescente abertura do seu software para desenvolvedores e a diversificação de receita através de software. Como já falamos aqui, as vendas de iPhone vêm estagnando e a Maçã está buscando mercado através de serviços.

Mensagens do iOS 10 num iPhoneA grande novidade do iMessage é a possibilidade de escrever e rodar aplicativos de terceiros dentro do app, desde animações bobinhas do Mickey Mouse, até a realização de pedidos de delivery. É importante notar que essa tecnologia é bem primordial e ainda vai se tornar extremamente útil no nosso dia-a-dia. Temos a impressão de que realizar uma conta através de um chat com inteligência artificial não parece uma coisa natural. É questão de tempo.

Então, o cenário que se desenha é esse: Allo vs. Messenger vs. iMessage. Três gigantes lutando pelo seu tempo e pela atenção no celular. Como a maioria das pessoas tem um aplicativo de escolha para se comunicar, a guerra é do tipo winner takes it all (aquele que vencer, leva tudo). Temos que ficar de olho em três eventos: o lançamento e a tração inicial do Allo, o lançamento e a adesão dos desenvolvedores ao iOS 10 e ao iMessage, e o crescimento dos bots do Facebook.

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Eu gosto bastante do GIF abaixo. É uma simulação de como será simples e intuitivo comprar passagens aéreas através de mensagens instantâneas pelo Messenger. Daqui a alguns anos, olharemos para este GIF e nos perguntaremos como comprávamos passagens aéreas antes disso. Nossos filhos e netos não acreditarão que tínhamos que entrar num site e preencher uma infinidade de campos e confirmações de email.

Comprando passagens via bot do Facebook Messenger

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