Em evento de segurança, CEO da BlackBerry fala mal das políticas de privacidade da Apple

John Chen, CEO da BlackBerry

A BlackBerry realizou ontem seu evento focado em segurança (o Security Summit 2016). Lá, conforme destacou o Patently Apple, John Chen (CEO da empresa) não perdeu a oportunidade de falar mal da Apple. Só que por um motivo que, ao menos na minha visão, vai justamente contra o evento realizado pela companhia.

Chen disse que “nós realmente estamos em um lugar obscuro quando empresas colocam suas reputações acima do bem maior”. O executivo mirou claramente a Apple por conta do episódio em que a Maçã bateu de frente com o FBI ao não aceitar colocar uma backdoor no iOS para que o governo conseguisse ter acesso aos dados de um iPhone utilizado por um terrorista. Para acabar com qualquer dúvida, Chen também disse: “Uma das nossas concorrentes, nós chamamos ela de ‘a outra companhia de fruta’, tem uma atitude que não importa o quanto prejudicar a sociedade, eles não ajudarão.” Obviamente, se referindo ao episódio supracitado.

Sim, em um evento de segurança da BlackBerry, o CEO da empresa falou mal de como a Apple tenta proteger o seu sistema e seus usuários1. Eu não vou entrar no mérito de se a Apple deve ou não criar uma backdoor eu seus sistemas, pois essa discussão é muito mais ampla do que parece. Mas, pela fala de Chen, é isso o que ele acha que deveria acontecer, pelo visto.

Todavia, não quer dizer que a BlackBerry faz isso. No mesmo evento, Chen informou que a companhia tem “um dever cívico” em ajudar o governo, agências de segurança e de inteligência. Mas que, por outro lado, os dados são criptografados e que não podem ser decodificados. Ora! O cidadão fala mal da Apple e faz igual?!

Uma empresa que há alguns anos era líder do mercado (principalmente no segmento corporativo, no qual segurança de dados é ainda mais importante) não pode atirar pedras contra outra que defende a privacidade e a criptografia com unhas e dentes. Ou, se atirar, precisa explicar o que faz para proteger os dados de usuários ao mesmo tempo em que coopera com governos/agências de inteligência. Só não pode falar mal e fazer igual, pois aí realmente não pega bem.

Por essas e outras a BlackBerry está onde está hoje…

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