Entrevistas: executivos da Apple contam um pouco sobre o novo MacBook Pro

Em entrevista à CNET, os executivos da Apple Craig Federighi, Phil Schiller e Jony Ive falaram sobre o novo MacBook Pro, anunciado no evento especial de ontem.

A grande mudança nos modelos e o foco da maior parte do evento foi a Touch Bar, uma pequena tela Retina multi-touch acima do teclado, que se modifica conforme os apps. O que foi chamado pela Apple de um “marco” e um “grande passo adiante” para os laptops teria levado 4 anos, 4 meses e 16 dias para ser finalizado e a CNET perguntou o porquê disso. Schiller, sagazmente, respondeu que eles não são movidos pelo calendário:

Nós desafiamos as equipes para fazerem um ótimo trabalho e, às vezes, aquele ótimo trabalho pode ser feito em um ano; às vezes, leva três anos… O que realmente importa é criar inovações no Mac e continuar a história que tem definido a Apple por todos esses anos.

Federighi adicionou que a Touch Bar é “maravilhosa” e que existem funções para ela “em todo o sistema”, sem deixar nenhum app de fora. Essa barra, entretanto, descartou a possibilidade de levar um MacBook com tela totalmente sensível ao toque e os executivos insistem em dizer que “isso não vai acontecer”. Ive concorda dizendo que “não é porque a Apple não consegue fazer um Mac com touchscreen, mas porque isso não seria algo particularmente útil em um Mac”.

Para aqueles que ainda têm esperança de que, algum dia, possam utilizar um “macOS com touch”, os executivos jogaram um balde de água fria ao afirmar que não retirariam a barra de menus dos Macs, assim como nunca a adicionariam a um iPad. Schiller explicou que é interessante para eles explorarem os dois de maneiras diferentes, “duas maneiras de resolver as mesmas coisas”, pois cada um tem suas particularidades.

Nós realmente passamos muito tempo observando os números dos anos anteriores e concluímos que, para fazer o melhor computador, não se pode tentar transformar o macOS em um iPhone. Da mesma maneira, não se pode transformar um iOS em um Mac. Então, cada um é melhor no que foram feitos para serem — e nós adicionamos o que faz sentido adicionar em cada um, sem que os mude fundamentalmente de modo que comprometam seu funcionamento.

Novo MacBook Pro de cima com a Touch Bar

Algo que o mundo inteiro — não só o Brasil — deve se preocupar são os preços dos produtos da Maçã. Por exemplo, o novo modelo do MacBook Pro de 13 polegadas com a Touch Bar custa US$1.800, basicamente US$500 a mais do que um MBP da geração passada; já o modelo novo de 15 polegadas inicia em US$2.400. Quando perguntado sobre os preços, Schiller respondeu que, mais do que o valor, eles prezam a experiência.

Ter preços acessíveis é, com certeza, algo com que nos importamos. Entretanto, nós não criamos produtos pensando no preço, mas na experiência e na qualidade que as pessoas esperam de um Mac. Às vezes, isso significa que vamos acabar ficando entre os mais caros, mas não é proposital, é só porque é o que custa.

No fim, a grande questão da entrevista de 90 minutos era se o MacBook ainda importa; os executivos defendem a ideia mostrando que sim, e que acham que essa forma de tecnologia vai continuar por longos anos.

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Federighi também deu uma entrevista bem mais curta ao YouTuber de tecnologia Marques Brownlee (do canal MKBHD), que lhe fez perguntas super-interessantes.

Lembrando de um laptop da HP bem antigo que vinha com uma faixa sensível ao toque imutável, Brownlee perguntou a razão de fazer uma barra multi-touch mutável logo em 2016. Rodeando um pouco até chegar ao ponto, Federighi explicou que observaram bastante os dispositivos iOS e conseguiram aproveitar algumas coisas deles, como o Touch ID e também a qualidade da tela; disse que muita coisa precisou se “juntar” para que tudo isso fosse possível e que estão animados por finalmente terem anunciado.

Brownlee, então, questionou o que ele esperaria ver daqui a um ano na Touch Bar, quando provavelmente muito mais pessoas desenvolveriam para ela. Louvando a capacidade da barra e lembrando do que já foi apresentado no evento, o executivo da Apple disse que estão muito animados por ver pessoas descobrindo as enormes possibilidades que a barra poderá trazer aos usuários.

Eu estou realmente animado com o que temos visto até agora. Acho que, é claro, um monte de gente vai fazer botões e sliders, mas creio que haverá a próxima onda das pessoas que dirão “Ei, isso é um hardware personalizado”. Você pode criar controles com as melhores mecânicas para o que quer que você queira fazer com o seu app […]. Vai ser ótimo, mas eu estou realmente animado sobre o quão rápido isso já está acontecendo.

Federighi também fez questão de lembrar que a barra faz parte do teclado e deve ser vista como tal, não como uma extensão da tela. Por exemplo, ele diz que “a Touch Bar não deveria mostrar alertas, mensagens, conteúdos ou coisas que demandem atenção do usuário, desviando a sua atenção da tela principal”.

Por fim, Brownlee perguntou genialmente ao executivo da Maçã qual seria o dispositivo que ele levaria ao passado para mostrar que ele é “do futuro”. Apesar de “a bola da vez” ser o novo MacBook Pro, Federighi diz que levaria o iPhone, por ser algo realmente incrível ter toda aquela capacidade em um dispositivo tão pequeno.

A entrevista por completa pode ser vista abaixo:

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