Apple e games: refletindo sobre a relação da empresa (seus dispositivos e sistemas) com jogos

Twitter - App Store Games

O primeiro console a ser comercializado na história foi o Odyssey, da Magnavox, lá em 1972. Já se passaram quase 45 anos e a tecnologia evoluiu de tal forma que hoje podemos usufruir de jogos com gráficos dos mais incríveis em pequenos dispositivos que cabem nos nossos bolsos!

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Além de tudo estar bastante portátil, está cada vez mais acessível a criação, o desenvolvimento e a distribuição de jogos para plataformas como computadores e smartphones. Esse caminho acaba tirando das grandes produtoras o monopólio do mercado, dando maiores oportunidades a desenvolvedores independentes — o que é ótimo.

Nesse sentido, a Apple acaba tendo uma participação bastante grande por incentivar cada vez mais desenvolvedores a criarem aplicativos para seus sistemas e sempre separar parte de eventos para mostrar a capacidade dos seus dispositivos ao rodarem jogos que exigem especificações cada vez melhores.

Se, por um lado, a Nintendo rendeu-se ao mundo mobile ao lançar diversos títulos para smartphones e também investiu em um híbrido que possibilita jogar tanto em um dock conectado à TV quanto em um tablet, a Maçã parece ter feito o caminho inverso ao abrir novos caminhos de games para a Apple TV.

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Ainda assim, há algumas decisões da Apple que parecem destoar do apoio que ela tem dado aos gamers. É claro que a empresa nunca afirmou que o seu foco seriam jogos, mas neste artigo refletiremos sobre os caminhos traçados pela Maçã e o que ela poderia fazer para aprimorar a experiência de usuários que utilizam os seus dispositivos para jogar.

Let’s go!

Apple e games

Categoria "Jogos" no iPad

São mais de 2 milhões de aplicativos na App Store, e a maior categoria segue sendo a Jogos (Games), com aproximadamente 20% do total.

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Além de gerarem lucros gordos — vide o sucesso de Pokémon GO —, dentro da categoria pode-se encontrar títulos para todas as idades, indo dos mais bem produzidos àqueles mais simples, passando pelos que exigem mais atenção, àqueles que servem mais como passatempo… ou seja, tem para todo e qualquer gosto.

Exatamente por ter se tornado uma grande potência na indústria de games mobile (cuja maior parte dos valores — precisamos reconhecer — vai para os desenvolvedores), a Apple tem até depositado uma atenção maior aos jogos, sempre demonstrando o potencial dos seus dispositivos iOS em suas keynotes, seja na apresentação dos SOs ou dos próprios hardwares. Um exemplo nítido disso foi a grande surpresa do ano passado em um dos eventos especiais da Maçã, no qual foi apresentado Super Mario Run.

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Entretanto, a mesma realidade não se reflete na Mac App Store. Se olharmos para os títulos disponíveis no macOS, talvez fiquemos um tanto decepcionados. Não é segredo para ninguém que a própria loja de apps do Mac não esteja lá na sua melhor fase, mas se prestarmos atenção às apresentações dos Macs da Apple, jogos nunca tiveram o seu devido destaque.

No catálogo de jogos da Steam, por exemplo, é possível vermos que muitos dos principais títulos estão disponíveis para Windows, mas não para macOS. Obviamente, não podemos deixar de lado o fato de muitos gamers preferirem PCs pela facilidade de montar como quiserem máquinas mais potentes, capazes de suportar os jogos mais pesados. Sabemos que o foco da empresa não é esse, mas como estamos refletindo, podemos afirmar que, se a Apple quisesse, ela já teria facilitado essa parte há muito tempo — nem precisaria exatamente permitir que o usuário monte sua máquina, mas pelo menos aprimorar e criar novos softwares/hardwares próprios para esse público.

Seria um sonho, realmente.

O potencial de uma rede social de jogos

Game Center Mockup

Em 2010, quando a Apple trouxe para os seus sistemas operacionais a ideia de uma rede social de jogos, o Game Center parecia ter um potencial grande. A ideia era maravilhosa: reunir em um app todas as conquistas, desafios, placares com as melhores pontuações, além de poder adicionar amigos e os convidar para jogar. Todavia, parece que, com o passar dos anos, a empresa se esqueceu de aprimorá-la, deixando tudo às traças. Várias pessoas ainda utilizavam aquela central para ver as suas conquistas, mas o cunho “social” não parecia ter emplacado.

Por fim, com a chegada do iOS 10 e do macOS Sierra 10.12, a Maçã anunciou que se livraria de vez do aplicativo. O sistema de conquistas, desafios e tudo mais continua funcionando, porém dentro dos respectivos jogos — não mais em uma central. Por isso, quando rodamos algum jogo, aparece no topo que estamos entrando no Game Center, mas a empresa agora incentiva os desenvolvedores a criarem interações dentro dos próprios games.

É certo que, como estava, não dava para ficar. O app realmente não era popular — tanto que muitos gostaram da mudança —, mas vários usuários expressaram descontentamento com essa decisão da Apple. Dentro desses estava o Vitor Pellanda, leitor do MacMagazine, que “recriou” o Game Center em mockups superbacanas.

O conceito traz ao falecido app algumas ideias que realmente aproveitariam todo o potencial de uma rede social de games. No menu inferior, teríamos “Players” (Jogadores), “Feed”, “Games” (Jogos) e “Search” (Pesquisa). Na primeira aba seria possível “seguir” amigos (como acontecia), mas o diferencial está na possibilidade de seguir celebridades da área, como os YouTubers Leon (Coisa de Nerd 💕), Malena, Damiani, etc., quanto pessoas famosas que também estariam cadastradas no Game Center (ironicamente, o exemplo é “Bill Gates”). 😝

Mockup de um novo Game Center

No Feed, teríamos uma visão de todas as atualizações dos usuários (pessoas que estamos seguindo) com “Play Cards” referentes aos jogos e suas devidas pontuações, desafios, conquistas, etc. As atualizações seriam automáticas, mas também seria possível compartilhá-la pelas opções que você já conhece.

Quando a Apple apresentou o que seria o novo GC (eliminando o app), argumentaram que não seria mais necessário ter a lista de jogos e pesquisa em um app específico, mas que essas opções estariam disponíveis na própria App Store.

Entretanto, há quem sinta falta de algo mais direcionado, então o Vitor trouxe de volta tanto a aba “Search” para pesquisar usuários e/ou games (com destaque para “Recentes” e “Mais pesquisados”) e também a aba “Games”, onde teríamos, além de uma lista com os jogos do usuário, um perfil todo especial para cada app com a arte original e as principais atualizações dos seus amigos naquele jogo. Seria ótimo também se tivesse um placar mundial em cada game.

Mockup de um novo Game Center

O conceito ficou bastante interessante, parecendo ser uma junção do que é hoje o Google Play Games, do Android (que faz um ótimo trabalho), com o design do Apple Music. Infelizmente é somente uma ideia, mas seria muito bom se a Maçã voltasse a pensar nessa central de games deixada tanto de lado.

Apple TV e games

Jogando numa Apple TV

Quando a primeira Apple TV foi lançada, ela ganhou esse nome por um propósito. Até a sua terceira geração, não existia nada de jogos no aparelho pois o seu foco era áudio, vídeo e fotos. Claro, era possível espelhar a tela de qualquer dispositivo da Maçã e, assim, seria possível visualizar o seu jogo do iPhone/iPad numa tela bem maior. Mas o AirPlay nem sempre era (é?) confiável o suficiente para termos uma boa experiência ao fazer isso.

A partir do momento em que surgiram os rumores da Apple TV de quarta geração, os fãs de games passaram a ter uma ponta de esperança de ver algo dedicado na nova set-top box.

O burburinho foi grande quando ela surgiu e, em relação a isso, nós podemos pensar em três momentos na “linha do tempo” da nova Apple TV e a sua relação com os games: antes de ser anunciada, logo depois de ser anunciada e atualmente.

Apple TV - jogos

Antes de a nova Apple TV ser anunciada, a expectativa em relação a ela estava tão grande que muitos até pensaram que a Maçã iria investir ainda mais nessa área — e, possivelmente, conquistar um belo lugar no mercado de consoles.

Durante a keynote na qual ela foi anunciada, o hype continuava, principalmente por destacarem que “o futuro da TV está no apps”, abrindo as portas para que desenvolvedores criassem jogos tanto universais — para rodar em iPhones, iPads e na nova Apple TV — quanto títulos próprios/exclusivos para a set-top box — usufruindo dos recursos do controle Siri Remote, como acelerômetro e giroscópio.

Outro fato apresentado e interessante foi a possibilidade de utilizar gamepads com certificado MFi, conectados via Bluetooth, para os jogos. Além disso, também receberiam o recurso multiplayer (apesar de especificarem que somente funcionariam dois por vez).

A priori, isso nos fez pensar que “o céu era o limite”, mas logo depois revelaram duas limitações que não agradaram nem um pouco os desenvolvedores: a primeira foi que, para estar na nova Apple TV, o aplicativo/jogo poderia ter no máximo 200MB (o restante, caso ultrapasse esse limite, deveria ser baixado sob demanda, pelo iCloud).

Controle Nimbus para a Apple TV, da SteelSeries

A segunda limitação tem a ver com o Siri Remote, para o qual a Apple exigia suporte nativo em todos os jogos. Essa regra pode ter feito muitos desenvolvedores abortarem suas ideias de disponibilizarem os jogos na Apple TV pelo fato de o Siri Remote não ser tão completo quanto um gamepad propriamente dito.

Apesar disso, parece que a Maçã ouviu a súplica de muitos e, atualmente, ela se mostrou uma empresa aberta a mudanças ao longo do percurso. Isso porque retirou, no ano passado, a obrigatoriedade em criar jogos nativamente com suporte ao Siri Remote e, logo no início deste ano, recebemos a notícia de que a limitação de tamanho para os aplicativos passaria de 200MB para 4GB.

Será que isso indica que a Apple está prestando atenção nesse cenário? Esses (mesmo que pequenos) progressos mostram que sim. Contudo, ainda não podemos afirmar que ela se focará em games tanto quanto esperamos, permitindo que desenvolvedores façam voos além de jogos casuais. Mas que seria lindo vermos na Apple TV, por exemplo, suporte a óculos de realidade virtual e — por que não? — um Game Center adaptado (assim como fizeram com o aplicativo “TV”), com certeza seria.

·   ·   ·

O mercado de games não diminui; ele só cresce — e não me refiro apenas a jogos mobile, já que os consoles estão ficando cada vez mais firmes e fortes. Por esse motivo, é peculiar saber que, se a Apple quisesse, ela poderia usufruir de muitas coisas ainda nessa área. Quer um exemplo? Com o aumento de gameplays sendo disponibilizados em serviços como Twitch e o próprio YouTube, o quão incrível seria se ela criasse uma opção nativa para que usuários gravassem as partidas dos seus jogos ou até transmitissem-nas ao vivo? Com certeza daria para ganhar muito com recursos desse tipo.

Em relação aos seus dispositivos, é inegável que eles são capazes de suportar jogos bastante elaborados. Mesmo assim, infelizmente, não há e nunca houve posicionamento da própria Apple em relação a jogos. Isto é, ela nunca comentou abertamente que o mercado de games seria um caminho que estão profundamente empenhados a seguir.

Pelo que podemos analisar, ela tem apenas dado o suporte (que dá a todos os desenvolvedores normalmente) e o “trabalho duro” quem faz, mesmo, são os desenvolvedores. Nisso, não há problemas, porém existe uma infinidade de oportunidades no mercado que estão apenas esperando para serem abraçadas pela Maçã.

E você, o que acha da relação da Apple com os jogos? Será que podemos esperar mais dela nesse cenário? 😊

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