Após polêmica, desenvolvedores só poderão agora editar metadados dos seus aplicativos na App Store com uma nova versão deles [atualizado: Apple volta atrás]

Senta que tem polêmica entre a Apple e os milhares de desenvolvedores da App Store. Para variar.

Tudo começou na terça-feira (7/3), quando a Maçã publicou um comunicado à comunidade de desenvolvedores da App Store proibindo terminantemente o uso de SDKs1 do tipo “hot code push” — um tipo de kit de desenvolvimento que permite aos desenvolvedores alterar o código do seu aplicativo remota e instantaneamente, ou seja, sem precisar enviar uma nova versão do app à aprovação por parte da Apple. Em outras palavras, até mesmo o próprio comportamento de um app pode ser completamente modificado sem passar pelos olhos (muitas vezes exageradamente zelosos) do time de aprovação da App Store.

App Store

Não é preciso dizer que muitos desenvolvedores da loja começaram a aderir à modalidade ao longo do último ano, a maioria deles querendo simplificar o processo de atualização dos seus aplicativos. Com a proibição da Apple, entretanto, tudo volta à estaca zero — e a justificativa de Cupertino é bastante razoável, se vocês querem a minha opinião: segundo Tim Cook e sua turma, tal liberdade seria uma potencial porta de entrada para malwares e outros tipos de aplicações maliciosas.

Entra na história a Rollout, empresa israelense criadora do SDK Rollout.io, o primeiro com esta capacidade de operar mudanças a nível de código nos aplicativos para iOS — e o mais utilizado pelos desenvolvedores adeptos da técnica. Após o anúncio da Apple, o CEO Erez Rusovsky emitiu um comunicado defendendo as boas intenções da empresa e explicando que a proposta do Rollout.io seria permitir aos desenvolvedores a correção de bugs e falhas instantaneamente após sua descoberta — potencialmente até melhorando a segurança de seus produtos. Ele explicou ainda que seu SDK possui várias camadas de segurança contra ataques maliciosos e afirmou que seu kit de desenvolvimento não fere as diretrizes da App Store; em vez disso, seria a própria Apple que “estaria interpretando suas políticas de uma forma mais estreita”.

Se você acha que, após esta simpática cartinha explicando-se, a Apple voltaria atrás na decisão e tudo voltaria à total harmonia no vale da App Store, pode tirar o seu pequeno equino da precipitação pluviométrica. Ao contrário: hoje, a Maçã reforçou a sua decisão com uma alteração na política da loja — a partir de agora, desenvolvedores poderão alterar os metadados dos seus aplicativos após o envio (e consequente aprovação) de uma nova versão deles.

Campo de edição de metadados para a App Store

Em outras palavras, se antes era possível para os vendedores da App Store alterar a qualquer momento os dados na página do seu aplicativo (descrição, changelog, etc.), agora o processo é muito mais chato: qualquer mudança nestes campos é aplicada apenas quando uma nova versão do app em questão vai ao ar — após a sua devida aprovação, naturalmente.

Ou seja, se um desenvolvedor notar um simples erro de digitação numa palavra da descrição do seu aplicativo, será necessário esperar que uma nova versão dele seja aprovada para que a correção do erro vá ao ar. O único campo dos metadados que continua editável a qualquer momento é o da URL para a Política de Privacidade do aplicativo.

A Apple não pronunciou-se publicamente sobre a mudança, então não há uma justificativa oficial por parte da empresa; entretanto, não é difícil compreender as motivações por trás dela: até agora, desenvolvedores adeptos de SDKs como o Rollout.io faziam todas as mudanças desejadas nos seus aplicativos e as relatavam no campo “Novidades da versão X” sem que a Maçã nem percebesse; outros, mal-intencionados, poderiam enviar um aplicativo com a descrição correta para, após a aprovação, alterá-la completamente com a intenção de atrair consumidores incautos com recursos inexistentes ou coisas do tipo. Ambos os comportamentos agora estão definitivamente extintos.

Ainda assim, não deixa de ser um contra-tempo bastante chato para desenvolvedores que precisem simplesmente fazer uma correção nos metadados dos seus aplicativos. O prospecto de um séquito de vendedores da loja enviando novas versões dos seus apps somente para adicionar um novo texto desenvolvido pelo seu departamento de marketing é bastante desanimador, e pode inclusive congestionar a fila de aprovação — que a Apple tanto tem lutado para tornar um processo mais rápido.

[via 9to5Mac]

Atualização, por Rafael Fischmann · 10/03/2017 às 09:28

Das duas, uma: ou a Apple sentiu a pressão negativa por parte da comunidade de desenvolvedores, ou era um mero bug. O fato é que a impossibilidade de editar metadados de apps foi revertida, ou seja, desenvolvedores continuarão podendo mexer nas descrições de seus aplicativos/jogos sem enviar um novo binário para aprovação.

Aproveitando a oportunidade, vale citar que a Apple também ampliou as opções para desenvolvedores que querem oferecer períodos trial gratuitos em apps com assinaturas. Agora eles podem durar 3 dias, 1 semana, 2 semanas, 1 mês, 2 meses, 3 meses, 6 meses ou 1 ano.

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