Suporte a vários idiomas da Siri ainda é o melhor dentre todas as assistentes virtuais

Screenshot do iOS 9
Nova interface da Siri no CarPlay | Imagem: Caio de Bem

Ninguém precisa explicar a nós, brasileiros, sobre a dificuldade de utilizar a Siri em português. Demorou até que a assistente virtual chegasse ao Brasil e, mesmo assim, não conseguimos ainda desfrutar de tudo o que ela foi projetada para ser. Mas, por incrível que pareça, o processo de localização feito pela Apple para a assistente é laborioso e a Reuters contou um pouco desse admirável trabalho.

Para início de conversa, mesmo que nem todos os recursos da Siri estejam disponíveis em português, pelo menos nós a temos. Isto é, a Apple levou sua assistente a mais de 36 países, em 21 idiomas diferentes. A fim de comparação, a Cortana (Microsoft) está disponível em 8 idiomas, o Google Assistant em 4 e a Alexa (Amazon), em apenas 2.

Então, a adequação para outras línguas é feita de maneira minuciosa, como bem explica Alex Acero, responsável pela equipe de “fala” (speech) da Maçã.

A Apple começa a trabalhar em um novo idioma primeiro trazendo seres humanos para ler trechos em uma variedade de sotaques e dialetos, os quais são transcritos à mão para que o computador possa aprender a partir de uma representação exata do texto falado. A empresa também capta uma variedade de sons e de vozes. A partir daí, é construído um modelo de linguagem que tenta prever sequências de palavras.

Em seguida, implementa-se o “modo de ditado”, um tradutor de texto para fala, para o novo idioma. Quando os clientes usam o modo de ditado, a Apple captura uma pequena porcentagem das gravações de áudio e as torna anônimas. As gravações, com ruído de fundo e palavras murmuradas, são transcritas por humanos, o que ajuda a reduzir pela metade a taxa de erro de reconhecimento de fala.

SiriAssim que dados suficientes tiverem sido recolhidos, um voice actor1 grava todas as possíveis respostas (mais básicas) da Siri no novo idioma e, então, ela é lançada. Depois que os usuários começam a utilizar a assistente, a equipe a aprimora e solta atualizações a cada duas semanas.

Entretanto, esse sistema de roteirização utilizado pela Apple pode ter alguns contrapontos. De acordo com Charles Jolley, criador da assistente chamada Oslo, “não se pode contratar tantos escritores para criar o sistema que você vai precisar para todas as línguas. Assim, é preciso sintetizar as respostas e isso leva anos”.

Esse problema, porém, já é de conhecimento dos criadores da Siri, que agora trabalham na “Viv”. O novo sistema ainda mais inteligente foi criado justamente para resolver esse problema. Dag Kittlaus, CEO e criador da Viv, diz que “a única maneira de ultrapassar versões de funcionalidade limitada hoje é abrir o sistema e deixar que o mundo os ensine”.

Por enquanto, a Apple está na frente nesse sentido. Mas, ao que parece, ela pode enfrentar mais uma boa competição por aí, já que a Viv foi adquirida pela Samsung, e provavelmente vai ajudar na nova assistente virtual da empresa, chamada Bixby.

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