Vendas de iPads com 12 trimestres consecutivos em queda? Talvez não seja por aí

Já faz um tempo desde que se discute o lugar que o iPad ocupa na vida dos usuários em relação ao iPhone e ao Mac. Isto é, como lembra Jean-Louis Gassée no Monday Note (via The Loop), “nós todos sabemos o que é um PC, e nós ‘entendemos’ os smartphones, mas ainda estamos debatendo o que um iPad tem pretensão de ser”.

Com a chegada do iPad Pro, em 2015, a Apple tentou fazer com que o dispositivo fosse além de um reprodutor de mídia, chamando atenção para artistas, músicos e profissionais de outras áreas.

Apesar de todos os esforços, números recentes mostram que as vendas dos tablets da Maçã têm diminuído consideravelmente desde o primeiro trimestre de 2014, quando alcançaram 74 milhões de unidades vendidas, a sua maior marca. A partir daí, começou um declínio de 42%, tendo vendido 43 milhões de unidades neste início de 2017.

Essa queda levou muitos a pensarem, talvez, que a morte dos iPads era algo iminente e que os recentes comerciais eram o último suspiro da Apple para tentar alavancar suas vendas novamente. Alguns até culparam o ciclo mais longo de atualização dos dispositivos, os iPhones maiores, o software inferior, entre outros fatores.

Entretanto, Neil Cybart, escrevendo para o Above Avalon, mostrou que a realidade é mais branda do que pode parecer. Isso porque, diferentemente do que se acredita, o grande “culpado” é fundamentalmente apenas um: o iPad mini.

iPad mini vendas até 2017

A imagem acima mostra as vendas gerais de iPads, sendo a parte azul representando as versões de 9,7 ou 12,9 polegadas (isto é, iPads, iPads Air e iPads Pro) e a parte vermelha representando os iPads mini (7,9 polegadas). Como pode ser visto, as vendas gerais aumentaram com a chegada do tablet menor, porém elas não se sustentaram por tanto tempo. O tal declínio que se inicia no primeiro trimestre de 2014 é somente em relação aos iPads mini, sendo que os outros até têm um aumento (mas, com o tempo, decaem também). Ou seja, desde esse período até hoje, as vendas só dos minis diminuiram 70%, “escondendo” as vendas dos demais.

Não só as vendas de telas grandes (9,7 e 12,9 polegadas) do iPad permaneceram relativamente inalteradas nos últimos quatro anos, como, na verdade, elas aumentaram ano a ano no último trimestre. E o iPad Pro desempenhou um papel importante nessas vendas.

O que vai acontecer com o iPad mini a partir daqui, então? De acordo com Cybart, a agressiva propaganda em torno dos iPads Pro e também a diminuição do preço do recém lançado “iPad” de 9,7 polegadas, fará com que a linha mini permaneça somente para um “nicho” — aqueles que acham o iPhone Plus “pequeno demais” e os iPads de 9,7 polegadas “grande demais” para suas tarefas. Mesmo o autor afirmando que o mini continuará na linha com apenas um “papel menor”, as apostas são de que o dispositivo esteja caminhando para seu fim.

Cybart também reconhece a existência de um “dilema dos Macs”. Ou seja, ele acredita que a Apple ainda substituirá os Macs por iPads, embasando sua opinião nos comerciais dos iPads Pro (que exaltam as funções do tablet e diminuem as de um “PC”), nas declarações de Tim Cook sobre o dispositivo ser “a visão da Apple para o futuro da computação” e nos preços mais atraentes do mais novo tablets da empresa, fazendo com que o Mac se torne apenas um “produto de nicho”.

Ao que parece, ele descarta o fato de que os “laptops” que a Maçã caçoa nos comerciais não se referem aos MacBooks, além de ignorar o discurso da empresa sobre como os MacBooks ainda permanecerão “por longos anos”.

Vendas iPhones iPads Macs

Ainda assim, como mostra o gráfico acima, os Macs são os únicos que continuam com as vendas bastante estáveis — mesmo que o número seja bastante menor que as de iPhones e iPads — e estes, como vimos, não estão com uma performance tão ruim quanto achávamos.

[via 9to5Mac]

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