Em busca de mais discrição, Apple quer mudar algumas leis sobre carros autônomos

Ainda ontem, tivemos a primeira visão do “carro autônomo da Apple” — na verdade, um Lexus RX450h com equipamento especial da Maçã — circulando pelas ruas da Califórnia, dias após a notícia de que Tim Cook e sua turma ganharam a permissão para testar este tipo de tecnologia no mundo real.

Bom, aparentemente o pessoal em Cupertino não ficou muito satisfeito com toda essa exposição. Digo isso porque hoje mesmo a Apple já tratou de enviar ao Estado da Califórnia uma proposta mudando algumas leis referentes aos disengagement reports (relatórios de incidentes de carros autônomos, cujas fabricantes são obrigadas a publicar em qualquer caso fora do normal). Todas as mudanças propostas, obviamente, visam uma maior discrição e um menor número de vazamentos para a imprensa de informações sigilosas.

Na carta enviada ao DMV (Department of Motor Vehicles, equivalente ao nosso Detran), que pode ser lida na íntegra pelo site do órgão, a Apple afirma que está “investindo pesadamente no estudo de aprendizado de máquina e automação, e está animada com o potencial dos sistemas autônomos em muitas áreas, incluindo transporte”.

Entretanto, um ponto que parece preocupar a Maçã está na forma que as atuais regras destes testes exigem relatórios completos — e públicos — de todas as ocorrências, incluindo possíveis acidentes ou malfunções.

A Apple acredita que a aceitação pública é essencial para o avanço dos veículos autônomos. Acesso transparente e intuitivo aos dados sobre a segurança destes veículos que estão sendo testados será um ponto central na obtenção da aceitação do público. Entretanto, as atuais regras de relatórios não atingem estes resultados.

A carta então procede com algumas sugestões que a Apple acredita serem cabíveis como alterações às regras para relatórios referentes aos testes de carros autônomos. Dentre elas, a Maçã sugere que um “incidente” que obrigue a empresa a publicar um relatório seja considerado como tal apenas no caso de uma malfunção que obrigue o motorista de segurança a tomar o controle do veículo para evitar uma colisão ou violação das leis de trânsito.

Por outro lado, alguns fatores que hoje obrigam as fabricantes a publicar relatórios não mais necessariamente precisariam ser relatados, na visão da Apple. Entre eles, obstáculos operacionais que obrigariam o motorista de segurança a tomar o controle do veículo, como uma zona de construção; erros de sistema que não afetem a operação segura do veículo; decisões do motorista que o façam tomar o controle do veículo por razões não-relacionadas à segurança, como um outro carro aproximando-se rapidamente; ou ainda os testes cujo objetivo é justamente a tomada de controle do motorista.

Não é necessário ser um gênio para deduzir aonde a Apple quer chegar com esta proposta: ao reduzir o número de casos em que a empresa seria obrigada a publicar relatórios sobre seus experimentos, seus testes passariam a ser muito mais secretos, como Cupertino sempre preferiu em todas as suas áreas de atuação.

Imagino que a Maçã esteja sofrendo em adaptar-se a este novo segmento, afinal, nada a impede de testar seus próximos iPhones ou Macs dentro de bunkers isolados do mundo exterior. Carros — ou sistemas de condução autônoma, como queiram —, entretanto, são uma coisa completamente diferente: eles precisam ser testados nas ruas, e estes testes envolvem segurança e vidas humanas — ou seja, precisam, no mínimo, de uma supervisão. Vai ser interessante ver os próximos capítulos desta história digna de Tom e Jerry com a Apple tentando escapar dos holofotes e os órgãos regulamentares publicando as secretas informações da companhia a cada instante.

[via MacRumors]

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