Spotify junta-se ao Deezer e outras empresas para acusar Apple e Google de abuso de poder perante a Comissão Europeia

É, amigos, se a relação entre Apple e Spotify já não andava no melhor dos astrais, depois dessa, é bem provável que as coisas fiquem ainda piores. Digo isso porque a gigante sueca de streaming juntou-se a outras empresas europeias — incluindo um concorrente notável, o francês Deezer — para acusar as donas dos dois maiores ecossistemas móveis digitais, Apple e Google, de abuso de poder e concorrência desleal.

Spotify vs. Apple Music

A carta, endereçada à Comissão Europeia, é assinada pelos CEOs e fundadores do que eles mesmos classificam como “um grupo composto por algumas das principais companhias digitais europeias”, incluindo Spotify, Deezer e outras empresas menos conhecidas, como a Rocket Internet e a Snips. Apesar de não citar Apple e Google nominalmente em nenhum momento, a carta fala das donas das maiores plataformas móveis do mundo — ou seja, não há como confundir-se aqui.

A reclamação principal das empresas refere-se ao fato de que esses ecossistemas, que na teoria deveriam ser “portas de entrada” para aplicativos dos mais diferentes desenvolvedores ao redor do mundo, cada vez mais comportam-se como “porteiros”, no sentido de que dificultam a penetração desses produtos de terceiros e tornam quase impossível a tarefa destes desenvolvedores de obter dados dos consumidores que usufruem dos seus serviços.

Nossa experiência é uma em que as plataformas online têm um forte incentivo para tornarem-se porteiras por conta do seu duplo papel e, em vez de maximizar o bem-estar do consumidor, elas podem e ativamente abusam da sua posição privilegiada para adotar práticas B2B com consequências adversas para a inovação e a competição. Estas práticas vão desde restringir acesso a dados ou à interação com os consumidores ou rankings e resultados de busca tendenciosos até termos e condições injustos e pouco claros, além da preferência por seus próprios serviços integrados verticalmente.

A questão aqui é clara: Apple e Google, além de serem donas dos maiores ecossistemas móveis do mundo, também detêm uma série de serviços que competem com estas empresas menores — e, como era de se esperar, elas promovem estas opções ante aquelas de terceiros. O próprio Spotify já comprou brigas imensas com a Maçã por motivos relacionados a este tema; por exemplo, quando direcionou os seus usuários a fazerem suas assinaturas pelo site do serviço em vez de diretamente pelo aplicativo do iOS, através do qual a Apple cobra uma parte do valor arrecadado.

Se a Comissão Europeia irá julgar procedente a acusação das empresas, ninguém pode adivinhar, mas o fato é que a situação é complicada. De um lado, é inegável que a soberania de Apple e Google foi conquistada não por acaso, mas por meio de um trabalho cuidadoso de anos, que não pode ser posto abaixo por regras arbitrárias e inquisidoras. Entretanto, é inegável que a posição privilegiada destas duas empresas favorece um ambiente onde a competição torna-se difícil e qualquer movimento pode ser encarado como uma manifestação de um suposto abuso de poder.

[via Business Insider]

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Comentários

18 comments

  1. Não é SUPOSTO abuso de poder, é abuso sim. Empresas que pregam a diversidade e inovação, não deveriam se armar tanto assim, se o usuário julgar que o serviço oferecido por elas é inferior, ele tem total direito de usar o da concorrência em sua plenitude e não de modo CAPADO.

  2. Capado como? O aplicativo e as funções são as mesmas, ela só não deixou ele colocar um aviso DENTRO do aplicativo, que fica DENTRO da loja DELA, pras pessoas fazerem a assinatura FORA do app e assim não pagar os 30% dela. Só que isso é contra os termos da loja. Se assinarem por fora, não pagam nada. Se assinarem dentro da loja dela, que ela administra, tem que pagar. Simples.

  3. Os desenvolvedores não são obrigados a se sujeitar às normas da empresa, mas para isso eles não podem participar da plataforma. Empresa privada, regras privadas. As regras do jogo são bem claras.

  4. Lembra bem o caso da Microsoft… quando ela chegou a ser proibida na Europa de colocar o IE no Windows vendido lá.

  5. Pelo histórico, posso dizer que os tribunais europeus odeiam qualquer coisa que cheire a desvantagem, monopólio ou qualquer coisa parecida. O jeito é esperar o desenrolar.

  6. Tem muito mimimi por parte do Spotify e dos usuários.
    Quando a Apple era (bem) menor e as desenvolvedoras ameaçaram abandonar o Mac, a Apple ficou de mimimi? Claro que teve suas esperneadas, mas não ficou choramingando. Comprou/desenvolveu TrueType, Final Cut, iWork (Keynote, Numbers, Pages), iTunes, Safari, iLife (iPhoto, iMovie, iDVD, GarageBand, iWeb).
    A Apple sempre teve esse espírito de desenvolvimento in-house. Integer Basic, DOS, AppleWorks, QuickDraw, LisaOS, MacOS, QuickTime, NewtonOS, etc. são alguns exemplos de iniciativas internas que impactaram a indústria.
    Até mesmo os malfadados Portable Digital Document, QuickTimeVR, QuickDraw3D, entre outros, surgiram de necessidades internas que desenvolvedores terceiros inicialmente esnobaram e depois tiveram que correr atrás.
    E só mencionei a parte de software. O mesmo aconteceu/acontece no hardware.

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