Apple adiciona suporte a GPUs externas no macOS High Sierra e passa a vender kit de desenvolvimento para VR

Se isto não tinha ficado claro na keynote de ontem, agora já podemos ter certeza: o macOS High Sierra é a porta de entrada oficial do Mac no mundo da realidade virtual (virtual reality, ou VR). Junto ao anúncio da nova versão do seu motor gráfico, o Metal 2, a Apple está trazendo, pela primeira vez à sua linha de computadores, suporte a eGPUs — placas gráficas externas que conectam-se à máquina via Thunderbolt ou alguma outra interface.

Na prática, a intenção da Maçã é uma só: permitir que desenvolvedores do universo VR utilizem Macs para bolar as suas criações e, com isso, eventualmente englobem a linha de computadores da Apple nos seus lançamentos. Como bem se sabe, os Macs atuais possuem, no máximo, placas gráficas discretas que não permitem trabalhos muito pesados — ou seja, mexer com VR, hoje, mesmo num MacBook Pro topo-de-linha, é quase impossível. É aí que entram as GPUs externas.

External Graphics Development Kit para Realidade Virtual (VR) da Apple

Para incentivar o início deste desenvolvimento, a própria Apple deu o primeiro passo e já começou a vender no seu site, para desenvolvedores, uma conjunto batizado de External Graphics Development Kit, ou Kit Externo de Desenvolvimento de Gráficos. O conjunto inclui uma gaveta para GPU da Sonnet com conexão Thunderbolt 3, uma placa AMD Radeon RX 580 com 8GB de memória lá dentro, além de um hub USB-C com quatro portas USB-A, da Belkin.

A “caixa preta” conecta-se a qualquer Mac com entrada Thunderbolt 3 e quaisquer aplicativos/jogos baseados em Metal, OpenCL ou OpenGL podem tirar proveito do poder gráfico extra fornecido por ela. Entretanto, é bom notar que, ao menos por enquanto, a solução apresenta algumas limitações: não há suporte para aceleração gráfica na tela do próprio iMac ou MacBook Pro, por exemplo, então é necessário conectar a máquina a um monitor externo; por outro lado, a caixa ainda não oferece suporte a monitores USB-C, então o LG UltraFine recomendado pela Apple também fica de fora. Além disso, não há suporte ao modo clamshell ou a áudio via HDMI — estes são problemas que, certamente, a Apple e a comunidade tratarão de resolver ao longo do tempo.

O kit custa US$600 (~R$2.000) e, para comprá-lo, é necessário estar registrado no Apple Developer Program ou no Apple Developer Enterprise, nos seguintes países: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Hong Kong, Irlanda, Japão, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Reino Unido, Singapura, Suécia ou Suíça. Ou seja, ao menos por enquanto, se você é baseado no Brasil, terá que aguardar para fazer suas criações gráficas no Mac.

Para incentivar ainda mais desenvolvedores a pularem de cabeça no universo da realidade virtual, o kit da Maçã inclui ainda um código promocional que dá ao comprador US$100 de desconto na compra de um dispositivo VR HTC Vive, que custa US$800 — a oferta, entretanto, vale por tempo limitado e está sujeita à duração dos estoques.

Vale lembrar que o kit da Apple nada mais é que uma solução oferecida pela própria Maçã para desenvolvedores que queiram o método mais simples e rápido de começar a acelerar os gráficos do seu Mac sem terem que se preocupar muito em montar as suas próprias soluções de eGPU. Aqueles que prefiram botar a mão na massa, entretanto, já podem fazê-lo — o AppleInsider testou uma placa similar à do kit e conectou à gaveta PowerColor Devil Box, e tudo funcionou perfeitamente sem a necessidade de nenhum hack ou coisa do tipo. Como a NVIDIA já está oferecendo drivers das suas placas para Macs, as dela também podem ser utilizadas sem problemas — em teoria, claro.

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Acompanhando as novidades, a Valvetratou de lançar a sua plataforma de realidade virtual SteamVR em beta no macOS. A versão de testes do software já está disponível para o público — obviamente, quando falamos aqui em “público”, é bem provável que muito poucos de nós estejamos incluídos.

SteamVR

Digo isso porque, para rodar o SteamVR no Mac, é necessário uma máquina com o macOS 10.11.6 ou superior, uma GPU que ofereça suporte a VR (como esta acima) e um dispositivo HTC Vive. No geral, estamos falando aí de uma brincadeira na casa dos milhares de dólares.

Claro, claro — seria impossível presumir que, de uma hora para a outra, todo mundo pudesse usufruir da realidade virtual no ecossistema da Maçã. Não: este é apenas o primeiro passo para que um dia os Macs ofereçam as mesmas capacidades em VR que muitas máquinas Windows já estão rapidamente alcançando. E, como uma iniciativa preliminar, já estamos muito bem servidos.

via The Verge

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