Em discurso para graduandos do MIT, Tim Cook defende a predominância da humanidade sobre a tecnologia (e tira sarro de Donald Trump)

Há cerca de 12 anos, Steve Jobs subiu ao palco nos gramados da Universidade de Stanford para dar o mais conhecido (e citado) dos seus discursos fora das keynotes da Apple. Seu sucessor, Tim Cook, não goza das mesmas habilidades sobre-humanas de comunicação em público, mas, de qualquer forma, ainda é um orador respeitável — e com a vantagem de ter opiniões ainda mais fortes em uma série de assuntos não-tecnológicos.

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Quer um exemplo? Basta ver este belo discurso proferido pelo CEO da Apple na cerimônia de formatura da turma de 2017 do MIT (Massachussets Institute of Technology). Cook resolveu focar a sua fala na relação da humanidade com a tecnologia — inegavelmente um assunto de fundamental importância numa era em que a nossa dependência está cada vez mais crítica aos aparelhos eletrônicos — e, como esperado, mandou muito bem.

Pela segunda vez em uma semana estou esperando Tim Cook subir ao palco! Hoje na #MIT2017 — parabéns aos graduandos!

Antes de qualquer reflexão profunda sobre a humanidade, entretanto, Cook não perdeu a oportunidade de mandar uma indireta ao presidente americano Donald Trump, figura com a qual o CEO já se envolveu em alguns embates públicos por discordâncias fundamentais.

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Eu nunca entenderei como os estudantes do MIT conseguiram colocar aquele rover no Kresge Oval ou colocar um chapéu de hélice naquela grande cúpula, ou como vocês obviamente invadiram a conta do presidente no Twitter. Eu sei que são estudantes que estão por trás disso porque a maioria dos tweets saem às 3 da manhã.

Obviamente, uma parte do discurso girou em torno de Jobs:

Depois de incontáveis voltas e mais voltas, finalmente, 20 anos atrás, minha busca [“o que eu quero ser quando crescer?”] me levou à Apple. Naquela época, a empresa estava lutando para sobreviver. Steve Jobs tinha acabado de voltar, e estava lançando a campanha “Think Different”. Ele queria empoderar os loucos — os desajustados, os rebeldes e os encrenqueiros, as peças redondas nos buracos quadrados — a fazerem o melhor trabalho. Se nós pudéssemos fazer somente aquilo, Steve sabia que nós poderíamos realmente mudar o mundo. Antes daquele momento, eu nunca tinha encontrado um líder com tamanha paixão ou uma companhia com uma missão tão clara e atraente: servir à humanidade.

O tom do discurso, então, mudou para algo um tanto mais ponderado e cauteloso — bastante condizente com os tempos de incerteza que vivemos hoje.

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A tecnologia é capaz de fazer coisas incríveis, mas não quer que façamos coisas incríveis. Ela não quer nada. Essa parte é conosco. […] Eu não estou preocupado com o prospecto da inteligência artificial dar aos computadores a habilidade de pensar como humanos. Estou mais preocupado em ver pessoas pensando como computadores, sem valores ou compaixão, sem pensar nas consequências. E nós precisamos de vocês para nos protegermos disso — porque se a ciência é uma busca no escuro, então as humanidades são as velas que nos mostram por onde passamos e os perigos à frente.

O vídeo completo do discurso de Cook, em inglês, pode ser visto abaixo — sua fala, especificamente, começa aos 7’10”.

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Além do discurso, o executivo ainda teve tempo de conceder uma breve entrevista ao MIT Technology Review, publicação da própria universidade. Em um trecho particularmente interessante, Cook fala sobre a ideia geral de que a Apple está atrasada no seu desenvolvimento de inteligência artificial — o que, segundo ele, é uma impressão errada causada pelo fato de que a empresa só anuncia produtos e serviços quando eles estão prontos para chegarem às mãos dos consumidores.

Nós não vamos falar de coisas que nós vamos fazer em 2019, 20, 21. Não porque nós não sabemos o que será — mas porque nós não queremos falar sobre isso.

Apesar disso — e do fato de que, como coloca o próprio, a IA já está ajudando os consumidores da Apple em uma série de aspectos práticos, como reconhecimento de fotos, recomendações musicais no Apple Music e prolongamento da bateria do iPhone —, Cook acredita que há um limite: a partir do momento em que o ser humano fica fora da equação, uma barreira deve ser colocada. Como diz o executivo: “Quando o avanço tecnológico cresce exponencialmente como ocorre hoje, eu penso que há o risco de esquecermo-nos do fato de que a tecnologia deve servir à humanidade, e não o contrário.”

Belas palavras, Tim.

via Recode, 9to5Mac

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