Especializado em diabetes, executivo da indústria médica exalta as novidades do Apple Watch e o chama de “divisor de águas”

Quando a Apple apresentou as novidades do watchOS 4 na keynote de abertura da Worldwide Developers Conference (WWDC) 2017, aproveitou a oportunidade para, basicamente, definir de vez o seu reloginho como uma plataforma cada vez mais completa para o monitoramento do corpo humano — queira você medir níveis metabólicos ou as suas atividades físicas, o acessório da Maçã está lá para exatamente isso (além de mostrar as horas com o Buzz Lightyear, o que é obviamente mais importante).

Agora, o potencial do Watch como dispositivo de saúde é mais uma vez reiterado por um nome importante da indústria médica. Kevin Sayer, CEO da Dexcom (fabricante de monitores de glicemia conectados), concedeu uma entrevista ao 9to5Mac afirmando que o relógio da Apple — especialmente com o vindouro watchOS 4 — é um “divisor de águas” para pacientes de diabetes e outras condições crônicas.

De acordo com Sayer, o grande pulo do gato no watchOS 4 é a inclusão do Core Bluetooth, um novo protocolo de comunicação que permitirá aos chamados monitores de saúde conectados interagirem com o Apple Watch de forma muito mais completa. Falando sobre os medidores de glicemia da Dexcom, Bayer afirma:

A forma como nós arquitetamos nosso transmissor para repassar os dados de glicemia há muitos anos consiste em dois canais Bluetooth… assim, ele pode se comunicar com dois dispositivos ao mesmo tempo. Porque nosso sensor também se conecta a aparelhos Android e, ao mesmo tempo, se comunica com certos modelos de bombas automáticas de insulina. Um paciente que seja usuário do Apple Watch pode, agora, usufruir de uma conexão direta com o relógio e outra conexão direta com outro dispositivo. Para os nossos pacientes, eu acho que isso é um divisor de águas.

Explica-se: até o watchOS 3, para conectar um dispositivo de monitoramento contínuo ao Apple Watch, era necessário sincronizá-lo primeiro com um iPhone para que o telefone, então, repassasse as informações ao relógio. Com isso, os dados apareciam no acessório com um certo atraso — sem falar que, caso o paciente quisesse sair sem o smartphone, o monitoramento estaria efetivamente interrompido.

Agora, com o protocolo Core Bluetooth, a coisa muda: é possível conectar os monitores diretamente ao Watch e dispensar o intermediário. Bayer afirmou ainda que os atuais dispositivos da Dexcom terão seus firmwares atualizados para suportar a tecnologia; ou seja, ninguém precisará investir em novos monitores de glicemia para usufruir dos benefícios do Core Bluetooth. O iPhone ainda será necessário, entretanto, somente para uma configuração inicial dos dispositivos.

Sobre a possibilidade da própria Apple estar desenvolvendo uma tecnologia que possibilitasse o monitoramento dos níveis de glicemia do indivíduo por meio do próprio Apple Watch (ou de uma possível nova pulseira) — algo que efetivamente tornaria obsoleta toda a linha de produtos da Dexcom —, Sayer foi surpreendentemente gentil:

[…] Por anos as pessoas tentam criar soluções que não envolvam nada embaixo da pele [para monitorar os níveis glicêmicos], similar ao que o Apple Watch faria com algum tipo de tecnologia luminosa que refletiria na pele e voltaria… pessoas que gerenciam a sua diabetes intensivamente precisam de informações extremamente precisas, porque insulina é uma droga que pode lhe salvar ou matar. Se alguém conseguir solucionar este problema, seria uma bênção para os diabéticos, mas não vimos ninguém fazer esse trabalho melhor do que nós temos feito, e sabemos o quão difícil é fazê-lo.

O executivo explica ainda que, na Dexcom, o objetivo final é criar um dispositivo do tamanho de uma moeda que possa ser utilizado como um band-aid e monitore vários aspectos do metabolismo. E, se a Apple estiver disposta a colaborar, a empresa estará de portas abertas, afirmou Sayer.

É sempre bom ver empresas colaborando e pondo-se à disposição para o avanço geral das coisas — especialmente se o assunto for algo tão importante como é a nossa saúde, não é verdade?

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