Fabricar iPhones nos Estados Unidos não geraria mais empregos, assim como aconteceu no Brasil

Ainda antes de o presidente dos Estados Unidos Donald Trump ter sido eleito, ele já insinuava que a Apple deveria produzir iPhones em solo americano — e esse discurso ainda vive nos dias de hoje.

Uma das razões para suportar essa ideia, de acordo com o presidente, seria a esperança de criar mais trabalhos para os americanos. Ainda que seja uma causa nobre, talvez não seja tão efetiva assim, conforme Tim Culpan explicou em uma matéria da Bloomberg.

Não é possível negar que o custo de trabalho na China influencia na fabricação de produtos por lá. Entretanto, a Bloomberg trouxe luz a alguns dados, mostrando que ele representa apenas 2,2% do preço final do iPhone. Um fator imprescindível na fabricação dos aparelhos são os fornecedores, os quais estão localizados bem perto da fábrica da gigante Foxconn situada em Shenzhen — e eles simplesmente não têm representação fora da China ou de Taiwan. Assim, qualquer lugar que não seja esses dois precisará de uma movimentação bem maior desses componentes.

Mesmo assim, os iPhones são fabricados aqui no Brasil para evitar a taxa de importação de 30% e, como foi anunciado recentemente, os aparelhos também serão fabricados na Índia a fim de estarem de acordo com as leis do país. Apesar de ser uma solução interessante, isso não gera necessariamente muito mais empregos, já que nem toda a atividade é feita nessas fábricas.

No Brasil, muito pouco mudou. Em vez de realizar a fabricação completa no Brasil, a Foxconn continuou a fazer a maior parte do trabalho na China, onde a cadeia de fornecimento estava próxima e as peças poderiam ser pré-montadas. Isso significava que a maior parte de um iPhone era [ainda] feito na China e simplesmente enviado para o Brasil para que os trabalhadores locais as encaixassem. No final, o projeto do Brasil falhou por duas razões: contrataram uma quantidade menor de trabalhadores da que o governo esperava e não atraiu nenhum dos centenas de fornecedores da Apple.

Este cenário, como Culpan explicou, seria replicado nas fábricas situadas nos EUA. Além disso, mesmo que a Foxconn fabrique efetivamente por lá, existe uma intenção de automatizar/robotizar toda a sua linha de montagem — o que não ajuda na geração de empregos.

Assim sendo, se a vontade é incentivar a fabricação dos iPhones nos EUA para aumentar a oferta de empregos, será preciso uma mudança de discurso.

via 9to5Mac

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