Mais duas: Tony Fadell fala sobre Amazon Echo e carros autoguiados em novas entrevistas comemorativas

O “desemprego” realmente deve estar proporcionando um monte de tempo livre à vida de Tony Fadell, porque um dia após rodar o mundo com uma entrevista à WIRED, o engenheiro concedeu mais dois depoimentos no frenesi das celebrações de dez anos do iPhone (que, adivinhem só, é exatamente hoje).

No primeiro deles, à Bloomberg Businessweek, ele toca em alguns assuntos ainda não abordados nesta leva de declarações — como por exemplo, a onda dos alto-falantes inteligentes e o Amazon Echo, que Fadell admira e compara a nada menos que o iPod.

Quando perguntado sobre a razão de a Amazon ter sido a primeira grande empresa a fazer um assistente doméstico de sucesso, Fadell respondeu:

Olha o que o Echo faz. Ele escuta você o tempo todo. Destas empresas que você mencionou — Apple, Google e Amazon —, qual delas você teria mais confiança em permitir que lhe escutasse o tempo todo? Existe muito pouca gente que não confia na Amazon.

Tony Fadell em entrevista para a Bloomberg

Já sobre o assunto dos carros autoguiados, Fadell é um pouco mais conservador do que a maioria do mundo tecnológico. Ele acredita que ainda passará muito tempo antes que vejamos esse tipo de tecnologia nas ruas:

Não acredite no burburinho. Vão haver muitas demonstrações, e eles ficarão melhores e melhores, mas até que cheguemos ao ponto em que você poderá comprar um para andar na velocidade em que estamos acostumados — 55mi/h ou 100km/h —, isso está muito mais longe da realidade do que as pessoas estão lhe dizendo. […] Eu acho que o mundo automotivo [daqui a dez anos] estará bem parecido ao que é hoje. Temos algumas marcas novas, como a Tesla e algumas chinesas, que podem ser boas competidoras na próxima década, mas não é algo que vai acontecer tão rápido como aconteceu na indústria dos celulares quando o iPhone foi lançado. Telefones são trocados a cada 18 meses. Com carros, este período é muito maior. E com carros, nós estamos falando de leis que precisam mudar e a polícia precisando se ajustar a eles. É bem mais difícil que lançar uma rede 3G e convencer as pessoas a mudarem de telefone.

Fadell ainda afirmou que a sua maior preocupação relacionada ao mundo da tecnologia hoje não é, como prega Elon Musk, o avanço descontrolado da inteligência artificial. “Meu maior medo não é IA, é a p**** das notícias falsas (fake news). Eu me preocupo com essas tecnologias que lhe permitem programar pessoas com vírus de informação. Não é necessário utilizar inteligência artificial para fazer isso.”

Na segunda entrevista do dia, à Reuters, Fadell classificou o primeiro ano de vida do iPhone — ao menos em termos de vendas e modelo de negócio — um “desastre”. Segundo o engenheiro, a falta de uma App Store, combinada com a restrição às redes da AT&T e ao preço alto de lançamento, fizeram os números iniciais do smartphone serem deveras desanimadores. “Mas nós demos a volta por cima e resolvemos tudo no segundo ano”, diz ele, referindo-se ao corte de US$200 no preço do aparelho e ao lançamento da loja de aplicativos.

Por fim, Fadell fala um pouco sobre a revolução do smartphone — algo com que ele tem um pouco de familiaridade, considerando que passou pelas duas empresas que mais contribuíram para esta explosão, Apple e Google. Segundo o engenheiro, o iPhone e os smartphones em geral são, finalmente, uma materialização da visão de Steve Jobs acerca do “computador para o resto de nós”.

Ser capaz de democratizar a computação e a comunicação ao redor do mundo inteiro é absolutamente espantoso para mim. E isso aquece meu coração porque foi uma coisa que Steve tentou fazer com o Apple II e com o Mac, que era o computador para o resto de nós. Ele finalmente está aqui, 30 anos depois.

Será que veremos ainda mais entrevistas de (ex-)executivos da Apple pintando por aí?

via MacRumors

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