O HomeKit agradece: novo tipo de protocolo Bluetooth beneficiará — e muito — os dispositivos de automação doméstica

Volte uns dez anos no tempo e lembre-se da grande complicação que era conectar dois aparelhos via Bluetooth. Você tinha que ligar o rádio referente ao protocolo no seu aparelho (afinal, se ele ficasse ligado permanentemente, a bateria seria impiedosamente comida em instantes), esperar bastante tempo enquanto a conexão com o outro dispositivo era estabelecida e mais alguns minutos para que a transferência do arquivo em questão fosse concluída, rezando para que nada desse errado no meio do caminho (spoiler: na maioria das vezes dava).

Isso numa época, entretanto, que usávamos o Bluetooth somente para a transferência eventual de uma foto ou um arquivo de música — e, para isso, ele funcionava relativamente bem. Hoje, entretanto, o protocolo serve para uma infinidade de outras tarefas: ele conecta nossos AirPods (ou quaisquer outros fones sem fio) aos smartphones e tablets, serve como ponte entre consoles e seus joysticks, faz a conexão de celulares com carros para uma direção mais segura e muito, muito mais.

Considerando tudo isso, um mercado que basicamente depende da existência (e contínua evolução) do Bluetooth para sobreviver é o dos dispositivos de automação doméstica, que se comunicam justamente pelo protocolo e precisam de constantes atualizações que permitam um gasto cada vez menor de bateria e maior simplicidade nos seus processos de emparelhamento. Pois é justamente pensando neste segmento que o Bluetooth SIG, o grupo regulamentador do padrão, apresentou hoje uma nova especificação do protocolo.

Bluetooth Mesh

O Bluetooth Mesh é uma variação do protocolo “principal”, por assim dizer, que traz como principal diferença o fato de que não estabelece uma conexão direta entre dois pontos; em vez disso, inúmeros dispositivos servem como receptores e, ao mesmo tempo, repetidores do sinal, criando uma rede (por isso, “mesh”) de aparelhos interconectados que podem espalhar-se até mesmo por uma cidade inteira. Se você é familiar a redes Wi-Fi baseadas nesta diretriz, que já existem há algum tempo, deve saber que ela expande significativamente a área de alcance da conexão, além de apresentar menor custo de implantação, maior tolerância a falhas e uma largura de banda quase ínfima.

Na prática, o Bluetooth Mesh potencialmente fará com que seus dispositivos de automação doméstica conversem com muito mais facilidade entre si, especialmente se você morar num castelo medieval na Transilvânia ou coisa do tipo. Por exemplo: digamos que você tenha configurado uma ação em que, ao abrir a porta da garagem (conectada, claro) às sete da noite, sua torneira inteligente já começa a encher a banheira no outro lado da casa. No momento, esta comunicação é feita por meio de algum agente externo, como o HomeKit (que funciona baseado num hub, como uma Apple TV, um iPad ou — futuramente — um HomePod); com o novo protocolo, tal agente deixa de se fazer necessário.

Além disso, com a novidade, abre-se a possibilidade de grandes prédios empresariais, zonas de indústria ou mesmo bairros inteiros ganharem uma rede de dispositivos conectados. Portanto, seria possível para uma fábrica, na teoria, monitorar todos os seus equipamentos em todos os pontos do processo de fabricação de um único dispositivo; um bairro poderia configurar postes de luz ou hidrantes inteligentes que se comuniquem entre si e possam ser controlados à distância, com controle granular. As possibilidades são basicamente infinitas.

A documentação referente às especificações da nova rede, bem como todas as ferramentas necessárias para aplicá-la em seus produtos, já estão disponíveis no site do Bluetooth SIG. É bom notar que o Bluetooth Mesh funciona por meio do protocolo Bluetooth LE e é compatível com a versão 4.0 ou superior do padrão, então dispositivos já existentes poderão receber a tecnologia com uma atualização de firmware — portanto, potencialmente não será necessário atualizar seu arsenal de gadgets para aproveitar as benesses do futuro — que são deveras promissoras.

via iClarified

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