Organização critica Apple e outras empresas por suposta omissão com padrões de reparo/ambientais

Você conhece a Repair Association? Trata-se de uma organização criada pelo pessoal da iFixit (que você já deve conhecer pelos inúmeros guias de reparo e teardowns realizados em basicamente todos os aparelhos eletrônicos lançados nos últimos anos) dedicada a monitorar a indústria de reparos e levantar conhecimento sobre a delicada questão da necessidade das empresas de fabricarem produtos “reparáveis” — um aspecto que vai muito além da comodidade do usuário e toca em assuntos ainda mais fundamentais, como o meio ambiente.

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Hoje, um dos líderes da organização, o especialista em padrões de engenharia Mark Schaffer, publicou um longo relatório [PDF] no site oficial da Repair Association levantando uma questão deveras pontual. De acordo com o profissional, empresas de tecnologia ao redor do mundo têm sido responsáveis por um “relaxamento” nos critérios que fazem um produto ser considerado “verde” ou ambientalmente responsável.

Por que? Bom, segundo Schaffer, são justamente as empresas de tecnologia que têm a maior voz (ou talvez até a única voz) no momento de decidir esses padrões. Ou, falando mais especificamente, executivos dessas companhias têm tantas cadeiras nos conselhos que definem os padrões ambientais dos produtos que acabam sendo eles próprios que decidem as regras — regras estas que, num mundo ideal, deveriam ser criadas e mantidas por uma organização totalmente isenta de interesses econômicos.

Por conta dessa influência, diz o relatório, empresas como a Apple, a Sony e a Samsung podem lançar produtos com índice de reparabilidade quase nulo e, ainda assim, vangloriar-se para todo o mundo sobre como estão preocupadas com o meio ambiente — afinal, de acordo com os padrões oficiais, claro, elas estão respeitando todas as regras e fazendo o mundo um lugar melhor e mais limpo. Na prática, nós sabemos que não é exatamente assim que a banda toca: a cultura do “quebrou, trocou” se instalou completamente nos produtos e na sociedade — e, portanto, a poluição proveniente de descartes eletrônicos subiu consideravelmente nos últimos anos.

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Schaffer dá como exemplo o padrão UL 110, que concede “pontos” aos smartphones de acordo com o seu “índice de reparabilidade”. Dispositivos como o iPhone 7 e o Galaxy S8 receberam uma classificação “ouro” no padrão, quando diversos pontos da sua engenharia — como a bateria selada e o extenso uso de cola nas suas partes internas — deveriam, segundo o especialista, garantir no máximo um “bronze” para os aparelhos. Além disso, vários outros aspectos do UL 110, referentes a práticas de reutilização e reciclagem, seriam totalmente “capados”, nas palavras do relatório.

Enquanto as fabricantes estiverem no controle dos padrões, os problemas referentes a reparos não serão solucionados.

No fim das contas, a questão é: é inegável que a Apple faz esforços — sinceros ou por marketing, tanto faz — em várias áreas para minimizar o impacto ambiental dos seus produtos. A própria empresa faz questão de destacar isso no seu site e em todas as suas keynotes. Nem por isso, entretanto, devemos fazer vista grossa para um aspecto em que a empresa — e a indústria como um todo — tem posto seu dedo extremamente poderoso para facilitar sua vida, potencializar seus lucros e, como efeito colateral, dificultar a vida dos consumidores e prejudicar o meio ambiente.

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A solução ideal seria, como eu já disse, que essas regulamentações fossem feitas por um órgão totalmente descolado de tais empresas — afinal, como diz o próprio Schaffer, “enquanto as fabricantes estiverem no controle dos padrões, os problemas referentes a reparos não serão solucionados”. Como esta é uma perspectiva muito utópica, entretanto, resta-nos ficar de olho e dar preferência às companhias que têm feito seu trabalho com mais afinco.

via MacRumors

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