Empresas afirmam que novo recurso do Safari “sabotará o atual modelo econômico da internet” [atualizado: Apple responde]

Sabe quando você pesquisa algo em um site e, quando você visita outro totalmente diferente, aparecem propagandas relacionadas ao que foi pesquisado anteriormente? Pois é, isso pode ser um pouco invasivo e irritante para alguns usuários.

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A Apple entendeu isso e, para melhorar a experiência dos seus consumidores, trouxe o recurso Prevenção de Rastreamento Inteligente (Intelligent Tracking Prevention) à nova versão do Safari, que será disponibilizada para o grande público no iOS 11 (no dia 19 de setembro) e no macOS High Sierra 10.13 (em 25 de setembro).

Ainda que para alguns essa novidade tenha sido uma maravilha, outros não curtiram tanto a ideia, principalmente aqueles que utilizam esse tipo de rastreamento para vender seus serviços ou produtos. Por isso, seis empresas focadas em propaganda se juntaram em uma carta aberta para reclamar sobre as mudanças desse novo recurso do Safari, conforme contou a Adweek.

As empresas afirmam na carta que, com esse recurso, a Apple “sabotará o atual modelo econômico da internet” e também prejudicará a experiência do usuário, fazendo com que a publicidade se torne “genérica, e menos oportuna e útil”.

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A abordagem unilateral e pesada da Apple é ruim para a escolha do consumidor e ruim para o conteúdo online suportado por anúncios e serviços que os consumidores adoram. O bloqueio de cookies dessa maneira direcionará uma divisão entre as marcas e os seus clientes, e tornará a publicidade mais genérica, e menos oportuna e útil. Simplificando, as escolhas de cookies orientadas por máquina não representam a escolha do usuário, elas representam a escolha do fabricante do navegador.

O recurso coloca um limite estrito de 24 horas na vida útil nessas ferramentas de rastreamento, o que pode não afetar tanto gigantes como o Facebook ou o Google, mas provavelmente terá um impacto muito maior em empresas de propaganda menores, que gerenciam cookies de milhares de sites. Isso quer dizer que a “novidade” pode ser um empurrãozinho ladeira abaixo para essas empresas, fazendo com que os titãs da tecnologia permaneçam no topo — talvez aí esteja a razão do grande medo.

Certamente, muitos sites (incluindo o MacMagazine) se utilizam de propagandas para conseguirem se manter. Porém, como a própria Apple afirmou quando apresentou o recurso na Worldwide Developers Conference (WWDC) 2017, “não se trata de bloquear anúncios, mas sim de proteger a sua privacidade”.

A Apple tem aumentado e melhorado cada vez mais os recursos de privacidade e segurança em todos os seus sistemas e, de fato, isso é muito importante. É realmente complicado para muitos negócios que dependem de publicidade para alavancar as suas vendas, mas qual é o usuário que deseja ser rastreado por mais de um dia inteiro?

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Caso você se interesse em ler toda a carta aberta (em inglês), pode acessar esta página.

via AppleInsider

Atualização, por Rafael Fischmann 15/09/2017 às 20:25

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Em resposta às críticas, a Apple emitiu uma declaração sobre o assunto:

A Apple acredita que pessoas têm direito à privacidade — o Safari foi o primeiro navegador da web a bloquear cookies de terceiros por padrão e a Prevenção de Rastreamento Inteligente é um método mais avançado de proteger a privacidade de usuários.

Tecnologias de rastreamento de anúncios têm se tornado tão invasivas que é possível que empresas especializadas recriem boa parte do histórico de navegação da web de uma pessoa. Essas informações são coletadas sem permissão e usadas para redirecionamento de anúncios, que é como anúncios seguem pessoas pela internet.

O novo recurso Prevenção de Rastreamento Inteligente detecta e elimina cookies ou outros dados usados para esse rastreamento através de sites, o que significa que ele ajuda a manter a navegação da pessoa privada. O recurso não bloqueia anúncios e nem interfere com rastreamentos legítimos em sites que as pessoas de fato clicam e visitam. Cookies para sites com os quais você interage funcionam como devem, e anúncios colocados por publicações da web aparecem normalmente.

No fim, é tudo uma questão de escolha. Usuários que não se importarem em ter sua privacidade invadida nesse nível podem simplesmente desativar o recurso no Safari ou, mais radicalmente, usar um outro navegador qualquer que não conte com esse tipo de proteção.

via The Loop

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