Apple refuta alegações do New York Times sobre realocação de investimentos para um paraíso fiscal [atualizado]

Por mais que saibamos que muito do que ouvimos aqui e ali como rumor acaba sendo verdade, são poucas as vezes em que a Apple se dá o trabalho de responder ou comentar algo sobre ela ou seus produtos. Entretanto, há assuntos sérios que podem prejudicar a empresa como um todo e, então, a Maçã precisa intervir.

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Foi isso o que aconteceu ontem (6/11), depois que artigos de grandes publicações, como o New York Times, a BBC e o The Guardian, usaram registros adquiridos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ou International Consortium of Investigative Journalists) para sugerir que a Apple estaria fazendo uso de um paraíso fiscal na pequena ilha europeia de Jersey e transferido seus investimentos da Irlanda para lá, depois que medidas mais restritas foram tomadas no país a partir de 2013.

Ilha Jersey

Sem perder tempo, a Apple entrou na jogada e disparou um comunicado oficial mostrando uma série de “imprecisões” nas informações ventiladas, dando a sua versão do ocorrido e alegando que “nenhuma operação ou investimento foi retirado da Irlanda”.

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O debate sobre os impostos da Apple não é sobre o quanto devemos, mas para onde devemos. Como o maior contribuinte do mundo, pagamos mais US$35 bilhões em impostos de renda corporativa nos últimos três anos, mais bilhões de dólares em impostos de imóveis, impostos sobre folhas de pagamento, impostos sobre vendas e IVA. Acreditamos que todas as empresas têm a responsabilidade de pagar os impostos que devem e estamos orgulhosos das contribuições econômicas que fazemos para os países e comunidades onde fazemos negócios.

Sob o atual sistema fiscal internacional, os lucros são tributados com base no local onde o valor é criado. Os impostos que a Apple paga aos países de todo o mundo baseiam-se nesse princípio. A grande maioria do valor em nossos produtos é indiscutivelmente criada nos Estados Unidos — onde fazemos nosso projeto, desenvolvimento, engenharia e muito mais —, então a maioria de nossos impostos é devida aos EUA.

Quando a Irlanda alterou suas leis tributárias em 2015, cumprimos mudando a residência de nossas subsidiárias irlandesas e informamos a Irlanda, a Comissão Europeia e os Estados Unidos. As mudanças que fizemos não reduziram nossos pagamentos de impostos em nenhum país. De fato, nossos pagamentos para a Irlanda aumentaram significativamente e, nos últimos três anos, pagamos US$1,5 bilhão em impostos — 7% de todos os impostos sobre o rendimento das empresas pagos nesse país. Nossas mudanças também garantiram que nossa obrigação fiscal para com os Estados Unidos não fosse reduzida.

Entendemos que alguns gostariam de mudar o sistema tributário para que os impostos das multinacionais se espalhem de forma diferente em todos os países onde operam, e sabemos que pessoas sensatas ​​podem ter opiniões diferentes sobre como isso deve funcionar no futuro. Na Apple, seguimos as leis e, se o sistema mudar, nós cumpriremos. Apoiamos firmemente os esforços da comunidade global para uma reforma fiscal internacional abrangente e um sistema muito mais simples, e continuaremos a defender isso.

A Apple detalhou ainda o que foi dito, ponto a ponto, em relação à sua posição como a maior contribuinte do mundo e ao fato de possuir dinheiro no exterior por ter a maioria dos seus produtos vendidos por lá, lembrando ainda que a reforma fiscal internacional “é essencial” e que continua a defender uma simplificação do código tributário.

Tudo isso e mais pode ser lido nesta página.

via MacRumors

Atualização 08/11/2017 às 10:35

Depois de toda essa história causada pela mídia, as autoridades europeias estão agora pressionando a Apple para que compartilhe mais detalhes sobre seus planos fiscais apenas para verificar se “está de acordo com as leis europeias”, conforme contou o Washington Post.

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O pedido foi feito por Margrethe Vestager, comissária da União Europeia, a qual deixou claro que as informações divulgada pela mídia foram a razão para a solicitação.

Por enquanto a Apple não se pronunciou, porém como ela já compartilhou ontem mesmo alguns detalhes, não deve demorar muito para que atenda ao novo chamado das autoridades.

via 9to5Mac

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