Um pouquinho de matemática comprova que o iPhone X está indo muito bem, obrigado

Primeiro, na semana passada, foi a confusão gerada pelo analista Ming-Chi Kuo, da KGI Securites, que inicialmente soltou uma nota a investidores dando a entender que “o iPhone X será cancelado pela Apple”. Depois ele se corrigiu mas, obviamente, a primeira chamada é bem mais interessante para pageviews e foi a única que muitos sites/blogs por aí preferiram publicar.

Depois, nos últimos dois dias, surgiram informações de fontes asiáticas sobre um suposto “corte de 50%” na produção do iPhone X para este trimestre, de 40 para 20 milhões de unidades. Um… fracasso.

Tudo isso, é claro, afetou bastante as ações da Apple. Eis o gráfico da $AAPL na última semana:

Queda da AAPL sobre o iPhone X

Mas, se você aí é da área de exatas, sabe que a matemática é nossa amiga. E Ryan Jones, desenvolvedor do belo app Weather Line •, analisou todos esses números de uma forma tão simples que dá vontade de rir dos que se intitulam “analistas de Wall Street”.

Eis os tweets:

Trocando em miúdos: a suposta projeção de 20 milhões de iPhones X refere-se ao trimestre corrente, de janeiro a março, que representa as vendas do segundo trimestre fiscal da Apple.

Peguemos, então, o histórico recente de iPhones vendidos nesse mesmo período:

  • FQ2 2017: 50,8 milhões
  • FQ2 2016: 51,2 milhões
  • FQ2 2015: 61,2 milhões
  • FQ2 2014: 43,7 milhões

Média: 51,7 milhões.

As “reportagens” dos últimos dias deram claramente a entender que a meta original da Apple seria vender 40 milhões de iPhones X neste trimestre. Ou seja, eles afirmam que, em algum momento do seu planejamento estratégico, a Apple achava que o iPhone X representaria quase 80% das vendas de iPhones no período.

Isso não faz absolutamente sentido nenhum.

Pegando exatamente o número “atualizado”, temos que 20 milhões de iPhones X representariam, portanto, algo em torno de 35% a 40% das vendas totais de iPhones no trimestre. Algo muito, mas muito mais plausível para o modelo topo-de-linha da empresa, e que pela primeira vez na história começa custando US$1.000.

Outra boa lembrança de John Gruber, do Daring Fireball:

Sim, o que aconteceu nos últimos dias não é novidade nenhuma para a Apple — mas o povo tem memória curta. Todo ano, nas mesmas épocas, surgem matérias similares apontando crise nas vendas e supostos erros em projeções normalmente sempre direcionadas ao iPhone. Não por menos: ele é, há um bom tempo, a galinha dos ovos de ouro da Maçã.

Mais uma recorrência, em rumores do tipo:

Conforme apontou o analista Horace Dediu‏, se tem uma coisa certa nessa história toda é que a meta de produção de iPhones X para este trimestre, seja lá qual for, foi determinada pela Apple bem antes do início do próprio trimestre. Não agora, passado já um terço dele.

O resumo da história toda é que, mais uma vez, estamos vendo “analistas” e “fontes asiáticas” vomitando baboseiras. Se a Apple venderá mesmo algo em torno de 20 milhões de iPhones X em seu segundo trimestre fiscal de 2018, isso está exatamente dentro do seu plano e das suas expectativas.

E, se alguém acha que faturar mais de US$20 bilhões num trimestre (20 milhões vezes US$1.000, continha bruta) com um único aparelho é sinal de fracasso e algum indicativo de que o projeto deveria ser “cancelado” (isso foi hilário, vai!), algo me diz que essa pessoa precisa rever um pouquinho dos seus conceitos de mercado. O iPhone X está indo muito bem, obrigado.

Só lembrando: amanhã (1º de fevereiro), no fim do dia, a Apple divulgará seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre fiscal de 2018. Fiquem ligados.

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