Tim Cook fala sobre sua gestão na Apple e garante: “estamos trabalhando em coisas para a década de 2020”

A Apple foi recentemente nomeada, mais uma vez, a empresa mais inovadora do mundo pela Fast Company — e, como não poderia deixar de ser, a revista chamou o CEO Tim Cook para uma entrevista cobrindo aspectos mais gerais sobre a administração da empresa e o planejamento para seus próximos anos.

O executivo começou falando sobre a relação da Apple com os resultados financeiros, afirmando que, para a Maçã, o retorno em dinheiro é apenas uma consequência e o que importa de verdade são os produtos e as pessoas. Ok, Tim.

O preço das ações é um resultado, e não uma conquista em si. Para mim, é sobre os produtos e as pessoas. Nós fizemos o melhor produto e enriquecemos as vidas das pessoas? Se você está fazendo essas duas coisas — e obviamente elas estão extremamente conectadas porque uma leva à outra — então você tem um bom ano.

Perguntado se houve anos bons e ruins na sua administração à frente da Apple, Tim afirma: “Eu só tive anos bons.” Então o CEO falou sobre os aspectos no qual a Apple deve se focar e como lidar com todo o “ruído” do mundo, sabendo onde a empresa deve aplicar as suas forças e onde deve se retirar, quando necessário.

Existe mais ruído que mudança no mundo. Um dos meus papéis é tentar bloquear esse ruído das pessoas que estão fazendo seu trabalho. Isso é cada vez mais difícil nesse ambiente. As prioridades são dizer “não” para um bocado de boas ideias: nós podemos fazer mais coisas que no passado porque somos um pouco maiores, mas se compararmos o nosso esquema de produtos com a nossa receita, nós estamos fazendo poucas coisas. Digo, eu poderia colocar todos os produtos que fazemos nessa mesa, para colocar em perspectiva — eu duvido que qualquer um com uma receita próxima à nossa poderia dizer isso.

Você tem que garantir que está focando naquilo que importa, e nós fazemos isso muito bem. Eu trabalhei numa empresa há muito tempo, e lá, em cada sala que você entrava, você via o preço das ações sendo monitorado. Você não vai ver isso aqui. E não é porque você pode ver o preço no iPhone.

Questionado sobre o HomePod e a atitude da Apple de “seguir” a concorrência — no sentido de entregar um produto somente após o mercado já estar consolidado e cheio de dispositivos de outras empresas —, Cook opina que não, a Apple não está “seguindo” ninguém.

Você pode pegar cada um dos nossos produtos — iPod, iPhone, iPad, Apple Watch. Eles não foram os primeiros, mas foram os primeiros modernos, certo? Em todo o caso, se você olhar para o início, eu diria que nós começamos muito antes dos outros, mas tomamos nosso tempo para acertar todos os detalhes. Porque nós não acreditamos na prática de usar nossos consumidores como laboratório.

Falando sobre o planejamento para o futuro da empresa e a importância de ter uma “função forçadora” (ou seja, uma disciplina na arte de prever o que vem pela frente e tomar essas tendências como impulsores), Cook ainda forneceu esparsos detalhes sobre o quão à frente a Apple está olhando.

Se você olha para a tecnologia central de cada um dos nossos produtos, nós começamos a trabalhar nela anos antes do lançamento. Com o iPhone X, por exemplo, se você olhar para o chip A11 Bionic, nós começamos a projetá-lo muitos anos antes de ele vir ao mundo. Como nós projetamos nosso próprio silício, isso coloca um nível de disciplina no nosso processo de planejamento. E também nos dá uma vantagem incrível de um ponto de vista do produto, porque nós podemos fazer coisas que os outros não podem.

[…] Você tem que ter uma função forçadora. Para nós, no lado dos produtos, nós temos que prever nossos requerimentos para com o silício três, quatro anos antes. Então nós temos coisas que estamos trabalhando agora que só serão vistas lá pela década de 2020.

O executivo também falou um pouco sobre o Apple Music, a intenção da empresa com a sua plataforma de streaming e a sua relação pessoal com o mundo da música.

Música é interessante porque inspira as pessoas. Motiva as pessoas. Existe uma profunda conexão emocional. A Apple estava dando Macintoshes a músicos lá em 84, 85. Então é algo que está enraizado no nosso DNA. […] Você está certo, não estamos nessa pelo dinheiro. Eu acho que é importante para os artistas. Se nós queremos continuar tendo uma grande comunidade artística, os artistas têm que ser apoiados.

Eu olho para a minha vida, e não poderia atravessar uma sessão de treino sem música. Eu não vou para a academia pela diversão. Você precisa de algo para lhe estimular, lhe motivar, e para mim, é a música. É também a coisa que me ajuda a relaxar de noite. Eu acho que é melhor que qualquer remédio.

Perguntado sobre qual aspecto da Apple Cook acredita que é menos apreciado do que deveria, o CEO afirma que é o lado humano da empresa.

Nós fazemos as coisas de uma forma que a humanidade fica fundida nelas. Nós levamos nossos valores muito a sério, e queremos nos certificar que todos os nossos produtos refletem esses valores. Existem coisas como garantir que 100% das nossas operações nos EUA estão rodando com energia renovável, porque não queremos deixar a Terra pior do que quando a encontramos. Nós tratamos bem todas as pessoas que estão na cadeia de fornecimento. Nós temos uma diversidade incrível, não tão boa como gostaríamos, mas excelente; e é essa diversidade que gera produtos como esses.

A entrevista completa, em inglês, pode ser lida neste link.

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