iPhones do futuro poderão ter vendas prejudicadas por conta dos… iPhones do presente

A história é sempre a mesma, em maior ou menor escala, desde 2007: a Apple sobe ao palco para apresentar um novo iPhone e, semanas depois, hordas dirigem-se às lojas da empresa (físicas ou online) ao redor do mundo para terem o gostinho de possuir em primeira mão as novas criações da grande Maçã. Durante os próximos dias ou semanas, os novos iPhones (quase sempre) batem os recordes de venda e tornam-se sucessos retumbantes que engordam numa taxa cada vez maior os já estufados cofres de Cupertino.

De acordo com esta análise do Wall Street Journal1, entretanto, os dias desse ciclo cada vez mais faminto podem estar contados — não só para a Apple, mas para as fabricantes de smartphones como um todo. O motivo? Elas estão, digamos assim, fazendo seu trabalho bem demais.

Os jornalistas do WSJ apontam alguns fatores para uma possível desaceleração das vendas de smartphones nos próximos anos. O primeiro é a satisfação geral dos consumidores com seus dispositivos atuais, que é, na média, mais alta que nunca e faz com que os usuários permaneçam mais tempo com um aparelho — ou seja, digamos que antes você trocasse de smartphone a cada dois anos e agora está tão feliz com o seu que deixará para trocá-lo somente após o terceiro aniversário. Este é o cenário geral.

Outra razão — ainda mais contundente — para essa “quebra de ciclo” é o crescimento do mercado de smartphones usados e/ou recondicionados. Esta é uma prática já muito presente nos países emergentes, como o nosso, mas que só agora está ganhando tração em mercados mais fortes, como o dos próprios Estados Unidos. De acordo com dados citados pela reportagem, cerca de 10% dos smartphones vendidos no mundo hoje são usados e/ou recondicionados, tornando esse segmento o que mais cresce na indústria, com alguma folga.

Some-se a tudo isso o iminente sumiço dos contratos de dois anos das operadoras (extremamente comuns nos EUA até poucos anos atrás), cada vez mais trocado pela venda de smartphones desbloqueados ou dentro de planos da própria fabricante, e temos um cenário em que o ciclo médio de atualização dos aparelhos sobe de 23 meses em 2013 para 31 meses em 2018, podendo chegar aos 33 meses no ano que vem. Com isso, os lançamentos de Apple, Samsung e companhia podem sofrer um pequeno abalo a partir de 2019, diz a reportagem.

As fabricantes, claro, têm com o que se preocupar — afinal, nessa indústria altamente competitiva, qualquer coisa que não envolva a quebra de recordes ou filas nas portas é rapidamente taxada como “fracasso”, e ninguém quer relatar vendas menores que as do ano anterior.

Ainda assim, a questão pode ser analisada por outras perspectivas: a retenção dos smartphones por mais tempo nas mãos dos consumidores significa uma venda maior de acessórios, planos de garantia estendida e serviços de reparo ou upgrade. A venda de smartphones usados não dá lucro diretamente às empresas, mas significa uma leva de novos usuários entrando nos seus respectivos ecossistemas e gastando dinheiro com aplicativos, músicas, filmes e outros tipos de conteúdo.

Portanto, por mais que a maré possa não estar particularmente favorável para lançamentos bombásticos e quebradores de recordes, as empresas certamente terão caminhos alternativos para continuar apresentando resultados financeiros impressionantes e proporcionando novas criações que aumentem esse ciclo ainda mais.

Ou então todos os prospectos acima estão errados e Apple, Samsung e companhia terão lançamentos mais bem-sucedidos do que nunca nos próximos anos. Quem sabe? Teremos que esperar para ver.

via AppleInsider

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