iPhone 5s usado por Sean Baker para filmar “Tangerine” será exposto em museu da Academia do Oscar

Antes de cineastas já consagrados como Steven Soderbergh voltarem-se ao iPhone como principal instrumento de produção, profissionais e aspirantes do mundo do cinema já utilizavam o smartphone da Apple como dispositivo primário de captura — não por uma decisão estética ou pela liberdade criativa, mas simplesmente porque era o que eles tinham em mãos para expressar suas ideias.

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De todos eles, pode-se dizer que Sean Baker foi o que encontrou o ouro no fim do túnel. É verdade, Baker já tinha realizado produções tradicionais anteriormente, como “Uma Estranha Amizade”, mas foi com “Tangerine” que ele conquistou o mundo: o filme, totalmente capturado pelas lentes de três iPhones 5s e centrado na vida de duas prostitutas transgênero nas periferias de Los Angeles, foi um dos grandes queridinhos da crítica e das premiações alternativas em 2015.

Agora, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) — sim, aquela Academia, do Oscar — resolveu imortalizar o marco de Baker com um lugar especial no seu futuro museu, que está sendo erguido em Hollywood e exibirá várias peças históricas do mundo do cinema quando for inaugurado, em 2019. O cineasta cedeu à instituição um dos três iPhones 5s utilizados na produção do filme, e ele ficará exposto no espaço junto a peças valiosíssimas de obras como “Alien” e “O Mágico de Oz”.

A Academia publicou um vídeo no qual Baker revisita as locações onde “Tangerine” foi filmado, compartilhando detalhes e curiosidades sobre o processo de produção do filme, como o equipamento utilizado nos iPhones, e criticando a gentrificação das periferias de LA — uma atitude muito característica do diretor, referido por muitos como o mais novo representante do chamado “cinema dos excluídos”.

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Interessante notar que, dos três iPhones utilizados pela equipe para filmar “Tangerine”, um foi vendido por Baker logo após o término da produção, para pagar o aluguel do seu apartamento; outro continua com o diretor até hoje. Ah, o glamour de Hollywood…

O fato é que, mesmo que Baker tenha trocado os iPhones por câmeras profissionais (seu filme seguinte, o maravilhoso “Projeto Flórida”, foi totalmente rodado em película), os smartphones da Apple surgem cada vez mais como um instrumento valioso de expressão artística para cineastas marginalizados ou em ascensão — e que bom que a maior instituição de cinema do mundo reconhece isso.

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(Claro, a história é um pouco diferente aqui no Brasil, onde um iPhone custa sete mil reais. Mas isso é outro papo…)

via BGR

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