Em entrevista, Jony Ive conta detalhes sobre a origem do Apple Watch

Em abril passado, comentamos a entrevista que Jony Ive (chefão de design da Apple) deu para a revista Vogue, na qual ele falou sobre sigilo de projetos, a sua relação com Steve Jobs, entre outros assuntos. Agora, Ive conversou com a revista HODINKEE, especializada em análises e relatórios aprofundados sobre relógios de alta qualidade.

Ive bateu um papo com o editor-chefe, Benjamin Clymer, sobre as origens do Apple Watch, a sua amizade de longe data com o designer Marc Newson, o foco da Apple em saúde, etc.

Jony Ive contando sobre a criação do Apple Watch
Jony Ive com seu Apple Watch Edition Series 3, feito de cerâmica

Acerca da criação do relógio, Ive contou que as primeiras decisões foram tomadas alguns meses depois do falecimento de Steve Jobs, em outubro de 2011. O designer expôs que o ex-CEO da Apple não mostrava interesse em criar uma linha de relógios.

As discussões começaram no início de 2012, alguns meses depois da morte de Steve. O acontecimento fez com que déssemos uma pausa para pensar onde queríamos ir, qual a trajetória que iríamos seguir como companhia, o que nos motivava.

Para Ive, a criação do Apple Watch foi diferente de tudo que a empresa havia produzido pois já existiam referências no mercado — em contraste a outros dispositivos, que foram introduzidos pela Maçã. Ainda assim, era lógico que este seria o próximo passo na evolução dos gadgets.

Por ser um produto novo na linha de criação da Apple, Ive contou que diferentes profissionais com grande renome na indústria de relógios foram procurados pela companhia, com o intuito de entender melhor a natureza física deste dispositivo — entre eles, Will Andrewes (horologista com 40 anos de experiência), Jonathan Betts (Curador Emérito do Observatório Real), Dominique Fléchon (especialista em antiquários de relógios), Grégory Gardinetti (historiadora da Fundação da Alta Relogoaria), Claudia Hammond (escritora e professora de psicologia), David Rooney (responsável por tecnologias e engenharia no Museu de Ciência de Londres) e Chris Lintott (astrofísico da Universidade de Oxford). Também faz parte dessa lista Marc Newson, melhor amigo de Ive — Newson influência no design de relógios e trabalhou diretamente no desenvolvimento do smartwatch da Maçã.

Apesar da consulta a diversos profissionais, Ive contou que o Apple Watch não os homenageia. O dispositivo serve a um propósito e tudo o que a companhia fez foi perseguir o que pensaram ser a melhor solução.

Honestamente, me sinto mais motivado em ouvir um cliente dizer que o Apple Watch foi um produto que melhorou a sua vida. É um privilégio trabalhar em produtos que as pessoas criam um afeto, que se tornaram uma parte importante positiva do seu cotidiano.

A Apple não pretendia resolver um problema específico com o Watch, segundo Ive. Para ele, foi mais uma “questão de otimização, de oportunidade”. E por oportunidade, ele se refere muito ao futuro do produto por conta da tecnologia que a Apple desenvolveu:

Você pode olhar para o Apple Watch em termos de trocas — o que ele faz, etc. — ou você pode ver o que seria possível se soubesse que você tinha tanta tecnologia com você em todos os momentos. Muitos de nós temos os nossos telefones conosco o tempo todo, mas eles não estão conectados a nós. Imagine ter algo tão poderoso com você em todos os momentos e quais oportunidades podem ser apresentadas ao usuário.

Essa oportunidade é fenomenal. Particularmente, quando você não entende exatamente onde estamos hoje em termos de tecnologia e capacidade, mas para onde estamos indo.

Jony Ive contando sobre a criação do Apple Watch
Apple Watch Edition Series 3 (que custa US$1.300) ao lado de um Patek Philippe Nautilus (que custa ~US$30 mil)

Um dos objetivos da Apple com o Apple Watch era, nas palavras de Ive, ampliar o quão relevante a Apple era. Foi por isso que eles exploraram novos materiais como ouro e cerâmica. Ive disse que o trabalho com ouro e cerâmica foi proposital e importante pela perspectiva da ciência dos materiais, uma vez que isso ajudará no desenvolvimento de futuros produtos.

Sobre a utilização do relógio em si, o designer usou a Digital Crown do vestível como exemplo; para ele, foi necessário “um pouco de coragem” para entender que a ferramenta era uma solução fantástica para a rolagem. Como dito por Ive, a companhia acreditava que a manipulação direta no Apple Watch era “uma espécie de panaceia”.

Com relação aos recursos do Apple Watch relacionados ao monitoramento de saúde, Ive afirmou que isto já era um foco dado ao dispositivo. O designer declarou que o feedback dado por diversos usuários tem sido mais animador do que a posição alcançada pela Maçã, que obteve a maior receita com relógios entre as fabricantes do segmento.

A entrevista completa de Ive para a HODINKEE está disponível no site da revista.

via 9to5Mac

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