Aplicativo Mapas está sendo reconstruído do zero, com dados próprios; primeiras mudanças chegarão com o iOS 12

Engraçado. Ontem mesmo eu dei uma cutucada nos Mapas da Apple quando falei do redesign do Google Maps, afirmando que a plataforma da gigante de Mountain View nem precisava se esforçar para ser o melhor serviço de mapas do mundo. Pois olha que notícia gigantesca chega hoje: a Apple confirmou que está trabalhando em uma reconstrução completa da sua plataforma, num trabalho global que já vem sendo realizado há quatro anos e terá seus primeiros frutos vistos no lançamento do iOS 12.

Os detalhes da empreitada são contados nessa reportagem do TechCrunch com uma mãozinha de Eddy Cue, vice-presidente sênior de software e serviços da Apple — o homem que está comandando a renovação dos Mapas da Maçã.

O caso é que a Apple, que não é boba nem nada, não está satisfeita com o estado atual dos seus mapas — assim como a maioria dos seus usuários. E isso não é de hoje: pouco depois do (desastroso) lançamento da plataforma, lá nos idos de 2012 (numa iniciativa meio feita às pressas para desligar a última dependência vital que o iOS tinha do Google), a Maçã percebeu que só poderia ir até um certo ponto utilizando dados terceirizados de mapeamento do planeta. Isso é evidente: dependendo de outras empresas de satélite/rastreamento, a Apple fica numa corda curta, sem poder oferecer correções rápidas ou adicionar recursos que ache necessários com a rapidez que necessita.

iPad em veículo utilizado para captura dos mapas da Apple
iPad utilizado para gravação das informações de vias no veículo de rastreamento da Apple

Agora tudo vai mudar e, em breve, a empresa jogará fora todos esses dados terceirizados para alimentar o Mapas somente com informações suas, capturadas por primariamente dois tipos de dispositivo. O primeiro são as gigantescas vans da empresa que têm rodado os Estados Unidos e o mundo — e que, agora, têm sua real função revelada. Os veículos capturam informações 3D e fotográficas das vias, prédios, vegetação, estabelecimentos comerciais e tudo mais que passe a sua volta, gerando um mapa tridimensional do ambiente que pode ser traduzido em informações muito mais completas quando o usuário abrir o aplicativo.

O outro tipo de dispositivo que será utilizado para complementar as informações capturadas pelas vans é um que está nas mãos de milhões de usuários no mundo inteiro: o iPhone. A Apple, claro, preocupa-se em dizer de antemão que a privacidade do usuário continuará sendo sua prioridade e que os dados capturados para melhor o serviço de mapas cai na sua lógica de privacidade diferencial — ou seja, toda informação é anonimizada antes de ser enviada à Apple e não pode ser rastreada de volta ao usuário.

Além disso, todos os recursos de proatividade dos Mapas continuarão, assim como a Siri, sendo realizados exclusivamente de forma local, no processador do seu iPhone – nada sobre você vai para os servidores da Maçã.

Mas o que toda essa reconstrução trará de melhoria, na prática? Bom, a primeira mudança visível será uma riqueza visual muito mais apurada nos novos mapas da empresa. Em breve, eles serão muito mais coloridos, com marcação de campos de vegetação, rios, calçadas, quadras, piscinas e parques; ruas terão sua largura real posta na escala correta e o sistema saberá as principais vias para indicar os seus nomes. A Apple poderá corrigir mudanças nas vias e nos estabelecimentos quase instantaneamente, com um time de editores que monitorará de forma constante as novidades de cada cidade coberta pelo serviço.

Além disso, usar mapas próprios permitirá à Apple conferir um grau de detalhe ainda maior à sua plataforma. Um exemplo: a empresa começará a indicar todos os passos da navegação até um determinado prédio ou estabelecimento, desde o ponto em que você está até à sua entrada — então se o seu destino tem mais de uma entrada para estacionamento, por exemplo, o Mapas saberá exatamente onde está cada um e lhe indicará o mais conveniente.

Novos Mapas da Apple

Outro exemplo: para máxima fidedignidade ao mundo real, a Apple capturou milhões de exemplares de placas de sinalização de várias cidades no mundo, para exibir exatamente aquilo que o usuário vê numa via (por exemplo, uma placa de velocidade máxima) na tela do smartphone. A empresa ainda licenciou centenas de fontes para exibir informações de metrô exatamente da forma como elas são postas em cada cidade — por exemplo, em Nova York você verá indicações do metrô em Helvetica; já em Londres, elas estarão em Johnston.

Apesar de profundas, as mudanças do Mapas ocorrerão quase imperceptivelmente — e progressivamente — para o usuário. Na próxima versão beta do iOS 12, San Francisco e as cidades do seu entorno (a chamada Bay Area) já receberão os novos dados da Apple; todo o norte da Califórnia será coberto ao longo do outono do hemisfério norte e, a partir daí, o resto dos EUA e do mundo ao longo do próximo ano. Os dados antigos conviverão em harmonia com os novos, no mesmo aplicativo, até que a transição esteja completa.

Resta saber, claro, se essa renovação estende-se a áreas tradicionalmente desprezadas pela Apple no seu serviço de Mapas (ou seja, basicamente todo o mundo tirando os EUA). Se a Maçã quiser realmente vir competir de igual para igual com o Google, terá de oferecer essas novidades e os seus benefícios para o mundo inteiro (olha o Brasil aqui, Apple!), e mais rapidamente do que acontece hoje. Eddy Cue afirmou que a equipe por trás da empreitada é global, então esperamos que as mudanças também sejam. Veremos!

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