Talvez a Apple não gaste tanto quanto poderia com pesquisa e desenvolvimento

De vez em quando, falamos aqui sobre os investimentos da Apple em pesquisa e desenvolvimento, e por um motivo muito simples: a gigante de Cupertino tem destinado uma porção cada vez maior do seu formidável cofrinho a essa área crucial para o futuro de qualquer empresa de tecnologia que se preze.

Entretanto, não nos deixemos enganar: ainda que a soma gasta pela Maçã em P&D encha os olhos, essa quantia poderia ser ainda maior — ao menos é o que afirma Toni Sacconaghi, da firma de investimento Bernstein.

O analista começa reconhecendo que os investimentos da Apple em P&D estão crescendo num ritmo vertiginoso: só no último ano fiscal, foram US$12,7 bilhões, mais do que todo o dinheiro gasto na área entre 1998 e 2011 — período que viu a introdução dos três mais recentes produtos da Maçã tidos como revolucionários, o iPod, o iPhone e o iPad. Desde que Tim Cook assumiu de vez as rédeas de Cupertino, as cifras investidas em P&D chegam aos US$51 bilhões.

Comparando os gastos da Apple com os das suas principais concorrentes de forma relativa, entretanto, a Maçã ainda fica atrás: segundo Sacconaghi, em termos proporcionais a empresa investe aproximadamente a metade do que suas principais concorrentes gastam no setor de P&D.

A Apple gastou 5,1% da sua receita em P&D enquanto relatou margem bruta de 38%. Nossa análise sugere que um gasto “normalizado” em P&D para uma empresa de tecnologia com margem bruta similar pode na verdade estar mais perto dos 10%, sugerindo que a Apple poderia dobrar seus investimentos no setor para ficar em pé de igualdade com suas concorrentes. Olhando de outra forma, entre as dez maiores empresas dos EUA em valor de mercado, a Apple teve de longe a maior receita de 2017 (US$239 bilhões), mas ficou apenas em sexto lugar no total gasto em P&D.

O analista acrescenta que números, somente, não resolvem toda a questão: a problemática mora mais ainda no fato de que, embora os gastos com P&D estejam crescendo substancialmente, essa disposição não está se traduzindo em novos sucessos estrondosos ou produtos disruptivos como foram o iPhone ou o iPod.

Apesar disso, Sacconaghi reconhece que os efeitos mais importantes da iniciativa da Apple em P&D ainda podem estar para aparecer, tanto na sua linha de produtos como (principalmente) em seus serviços. O analista, entretanto, reluta em recomendar a Apple como um investimento central a longo prazo, especialmente porque o iPhone ainda representa mais de 60% dos lucros da empresa — e o iPhone, como qualquer peça de tecnologia, não pode durar para sempre.

via Cult of Mac

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