Onde está o Apple Glass? Vídeo analisa o cenário sobre os tão falados óculos da Maçã

Eu sempre acreditei que a tecnologia é a forma mais eficiente de moldar o mundo e deveria ter na mídia convencional tanto espaço quanto a outra forma (mais lenta) de fazê-lo: a política. Mas isso não acontece.

Analisar e compreender as decisões estratégicas de empresas de tecnologia como a Apple sempre me deixa contente, porque fazendo isso é possível perceber como o futuro provavelmente será para nossos filhos ou netos.

O vídeo abaixo (em inglês), do canal PolyMatter, conta um pouco sobre a estratégia e os desafios da Apple (e das empresas de tecnologia no geral) com a realidade aumentada — em outras palavras, como acontecerá a transição de usar um iPhone para óculos de AR/VR.

O vídeo ronda em torno de algo que a maioria de nós sempre subestimou, pela baixa aplicabilidade no dia a dia: o ARKit. Lançado na WWDC17, o ARKit é o conjunto de ferramentas que os desenvolvedores possuem para criar aplicativos usando realidade aumentada. Para quem não sabe, AR é basicamente unir elementos gráficos ao mundo real, o que atualmente é feito apontando a câmera do celular para o ambiente e observando, pela sua tela, esse ambiente ser preenchido por objetos. São poucas, as aplicabilidades — a maioria se limita a jogos como Pokémon GO ou softwares que simulam decorações de casa, por exemplo.

Mas é aí que está a sacada: o ARKit é a forma que a Apple encontrou para testar e validar a realidade aumentada, sem revelar ao público absolutamente nada a respeito dos óculos que está produzindo. Assim, quando os óculos forem lançados, as aplicações já estarão prontas e a Maçã já terá colhido feedback suficiente para não lançar um produto inacabado — o que condiz com a estratégia sempre utilizada. É como se estivessem utilizando a tela do iPhone como óculos sem você perceber.

Em seguida, o vídeo analisa o porquê de a Apple ser a empresa com mais chances de lançar um “smartglass” de sucesso, mesmo não sendo a primeira (a Microsoft já lançou os HoloLens, o Snap já lançou os Spectacles, o Google lançou o Glass e por aí em diante).

A empresa de Cupertino tem o maior histórico de tornar um produto que você “até usaria” em um que você “tem que usar” (vide fones de ouvido, tocadores de música e relógios). Tem a maior habilidade de criar produtos com um design impecável (uma das maiores barreiras de adoção dos smartglasses será fazer pessoas que não tem problemas de visão usar óculos que não sejam de sol). Por fim, esse tipo de gadget, mais ainda que os relógios, precisa ser vestido e testado no corpo, o que dá à Maçã uma enorme vantagem em função de suas mais de 500 lojas físicas espalhadas pelo mundo.

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Outro vídeo imperdível do mesmo canal (aliás, todos os vídeos deles são excelentes, o conteúdo é incrivelmente didático e nada clichê) chama-se “The Grand Theory of Apple”.

Esse — que é um dos mais vistos — explica todo o funcionamento da empresa. Como assim? Bem, imagine que Tim Cook e Phil Schiller bebem algumas cervejas a mais, chamam um ilustrador e resolvem contar ao mundo qual é a base para tomar cada uma das decisões que tomam. É o vídeo perfeito para mandar para seu amigo que critica a Maçã sem conhecer absolutamente nada sobre estratégia na inovação.

Outros vídeos desse canal que eu recomendo são: “Apple’s Money Problem (& Why it Won’t Buy Netflix)”, “Why Bing Isn’t a Failure”, “The Grand Theory of Amazon”, “Subscription Affliction” e “How to Make a Blockbuster Movie” — se você manja bem de inglês, deite e role.

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