Descobri o Apple Watch agora — e parece que o mundo também

por Fernando Boselli

O texto é longo. Mas é também um relato muito mais emocional do que técnico sobre um produto que vem me conquistando cada vez mais. É um texto sincero, de alguém que quer compartilhar a experiência de uso de um produto Apple. Se você está disposto, siga em frente.

Considero-me um Applemaníaco convicto. Já fui mais, confesso. Bem pior — daqueles de comprar cegamente, de olhos fechados, qualquer iCoisa que a Apple lançasse. Hoje estou mais responsável. Tanto é que só adquiri o meu primeiro Apple Watch (um Series 3 cinza espacial) em julho deste ano, às vésperas de o aparelhinho completar quatro anos desde a sua primeira aparição, em setembro de 2014. Pasmem senhores, já faz quatro anos que ele está aí!

À época de seu lançamento, no início de 2015, não adquiri um esperando por mais reviews e testes — e acho que principalmente pelo fato de ele não proporcionar independência na prática de atividades físicas como caminhada e corrida, já que não possuía GPS próprio e dependia muito mais da presença do irmão mais velho (o iPhone) do que hoje. “Que sentido faz eu sair para correr no parque com um Apple Watch se eu tenho que levar o ‘trambolhudo” iPhone’ junto?”, me perguntava. Eu também fiquei um pouco aliviado por não ter que desembolsar alguns milhares de reais em uma nova compra. Ufa! 😝

Isso sem falar na autonomia da bateria, que muitos reclamavam de não aguentar até o final do dia depois de um uso, digamos, mais intenso. Porém, tinha uma coisa que me incomodava ainda mais naquela época: o fato de ter de lidar com mais uma iCoisa em meu “portfólio” de bugigangas da Maçã: mais um cabo, mais um carregador de tomada, mais um device pra gente ver se está carregado, mais um aparelho para levar na viagem… enfim, mais problemas e mais preocupações em um mundo onde tudo o que a gente não quer é mais disso tudo.

E assim foi. Consegui manter-me imune ao Apple Watch durante todos esses anos, a ponto de até esquecer da sua existência e nem dar muita atenção nas keynotes de apresentação à parte reservada ao bichinho. Quantas vezes, ao entrar em uma Apple Store durante viagens ou até no ponto de venda brasileiro mesmo, eu passava direto/indiferente na seção reservada ao relógio. Quem diria!

Mais do mesmo, só que mais

Eis que chega o fatídico dia da aquisição do meu primeiro Apple Watch. Sim, digo primeiro pois uma vez tendo comprado um você está assumindo o compromisso de que, definitivamente, incorporou mais um iDevice à sua frota – e que ele será trocado por outros em gerações vindouras!

Fiquei meio mal antes de “assinar o cheque” na hora de comprá-lo, já que vinha resistindo bravamente durante os três anos anteriores a comprá-lo simplesmente por impulso. “O que ele faz que o meu iPhone já não faz?”, pensei, antes de apertar o confirmar na maquininha de débito do vendedor. Pronto! Já estava feito. Acabava de comprar um Apple Watch cinza espacial Series 3 de 42mm.


Apple Watch Series 2

Apple Watch Series 3

de Apple

Preço à vista: a partir de R$ 2.339,10
Preço parcelado: em até 12x de R$ 216,58
Tamanhos: 38mm ou 42mm
Cores: diversas
Lançamento: setembro de 2017

Botão - Comprar agora

Bastou um dia para já tê-lo incorporado à minha rotina de uso. E a minha suspeita se mostrou verdadeira: hoje ele ainda não é indispensável; mas é incrível! Tanto é que, desde a aquisição, eu não deixei de usá-lo nenhum dia! É notável sua sutileza em relação às notificações, ao receber ligações e em tantas outras situações corriqueiras. E qualquer coisa ele está ali, no pulso, à sua disposição. É seu companheiro. Basta dar uma olhada.

Nascia um ícone, um símbolo

Setembro de 2014. Evento da Apple de apresentação dos iPhones 6 e 6 Plus. Mas o que roubou a cena mesmo foi o anúncio da chegada do novo integrante da família da Maçã, o Apple Watch — acho que foi um dos melhores “One more thing…” dos últimos tempos.

Um dia desses, eu estava revendo o vídeo da apresentação. Que vídeo! Na minha opinião, um dos mais impactantes de um novo produto que eu já assisti — seguramente, um dos momentos mais marcantes nessa Apple “pós-Jobs”. Se você não se lembra, não viu, ou simplesmente quer assistir novamente, basta dar play aí embaixo:

É impressionante o nível de trabalho em cima do Watch. O domínio do material que a Apple teve na elaboração do reloginho e o trabalho gigantesco envolvido sua concepção; o tanto de tecnologia que está ali, embutida naquele pequeno dispositivo; a gama variada de pulseiras e seus encaixes muito bem bolados… simplesmente fantástico! Os detalhes, o design, a tela e os botões.

A sacada da Digital Crown — um elemento que sempre esteve presente nos relógios — e sua releitura contemporânea levada a uma versão digital que é o principal elemento de interação com o Watch. Simples. Direto. Genial.

A introdução do Force Touch como forma de interação com a interface do sistema operacional e seu feedback tátil, que nasceu no Watch, e seria levada ao iPhone e Macs (pelo trackpad) somente no ano seguinte.

O reloginho foi pioneiro em muita coisa, o que me faz lembrar do famoso vídeo de Steve Jobs no discurso de formatura de uma turma da Universidade de Stanford. A famosa frase de ligar os pontos, numa referência direta a coisas que fazemos na vida sem saber muito o porquê ou a razão, mas que postas em perspectiva já lá na frente, nos levam a acreditar que muito do que fazemos hoje e que parece sem sentido, anos depois nos acalmam e nos fazem perceber que para tudo há uma razão e um motivo. Foi assim com o Force Touch, posteriormente rebatizado de 3D Touch nos iPhones e iPads.

Tudo isso faz do Apple Watch uma peça icônica, um símbolo. A escolha de seu formato e da tela retangular o torna reconhecível em qualquer situação e em qualquer circunstância. Ele possui a essência do relógio analógico em um relógio digital inteligente. Bingo!

O famigerado smartwatch já está indo para sua quarta geração e, pela imagem vazada na semana passada, seu design não mudará drasticamente — apenas umas melhorias aqui e ali. Quer sinal melhor de que algo está indo “muito bem, obrigado”?

O reloginho quebra até os ciclos de desenvolvimento de produto da Apple. Não me lembro de um device que tenha sobrevivido a quatro gerações com praticamente o mesmo formato externo e o mesmo visual. Interessante lembrar também que o Watch foi o primeiro novo produto da Apple a ser totalmente desenvolvido e anunciado após a morte de Jobs.

Já estava tudo lá desde o começo e a gente não sabia. A Digital Crown, a “interface colmeia” dos ícones dos aplicativos, a interação com a Siri, o Force Touch, o Apple Pay…

Talvez tudo isso fosse coisa demais para a gente absorver em pleno 2014; talvez estivesse mais evidente à época o design controverso dos iPhones 6/6 Plus e suas listras/antenas de gosto questionável. Talvez estivesse mais evidente a ausência de GPS interno e a forte dependência da presença de um iPhone; ou ainda, a bateria com duração não tão impressionante ou a ausência de aplicativos. Mas, novamente, é inegável que tudo estava lá e a gente não sabia. Ou fingia que não sabia. Desde o começo.

Arriscaria dizer que o Apple Watch foi lançado à frente de seu tempo e que não estávamos preparados para ele naquele momento.

É tudo uma questão de estilo e personalização

Diferentemente do que acontece com Macs, iPads e iPhones, o Watch a gente usa. Não está em nossa mochila ou bolsa, nem no bolso da calça — tampouco largado no sofá, nem em cima da mesa, aparador ou criado-mudo. Está com a gente, em nosso pulso. O dia todo!

Começamos a estabelecer uma relação de proximidade com o aparelhinho que habita nossos braços diariamente. Os tais dos wearables, além de complementarem as funções de nossos celulares, são itens que, de alguma forma, fazem parte do nosso visual e do nosso jeito de se vestir.

Novas pulseiras pro Apple Watch

Vai participar de um evento ou compromisso mais formal? Coloque uma pulseira de couro, mais clássica, ou algum modelo metálico mais tradicional. Vai para a academia, correr na rua ou no parque? Vá de pulseira esportiva, mais colorida, informal e descolada. O Apple Watch abre toda uma gama de acessórios que se relacionam muito mais com o universo da moda que dos gadgets.

A esta altura tenho “pena” do meu iPhone, que cada vez mais está lá escondido e sozinho no bolso de minha calça jeans. Nos últimos dias tenho dado tanta atenção ao novo membro da família que o smartphone tem passado cada vez mais despercebido. Com tamanhas possibilidades de pulseiras e de mostradores, o Watch é um verdadeiro “dispositivo camaleão”, que dependendo da ocasião, assume diversas caras, a ponto de parecer que temos diferentes relógios dentro de um só. Ponto para a Apple!

Uma redundância bem-vinda — ele já anda sozinho

Sabe aquela saída para ir tomar café da manhã na padaria em uma manhã de sábado, sem a carteira? Sabe aquela ida rapidinha à feira para comprar um pastel? Sabe aquele dia quando você acorda e se lembra que esqueceu de colocar o seu iPhone para recarregar antes de dormir? Então, tudo isso agora é possível, graças também ao modelo GPS + Cellular do Apple Watch. Já é concebível de se aceitar passar um dia inteiro sem que estejamos com o iPhone em nossos bolsos.

Quando a versão celular do aparelho foi apresentada, em setembro do ano passado, achei isso uma coisa meio desnecessária — “frescura”, até. Mas agora é que percebemos o quanto esse fato pode vir a fazer diferença. O reloginho está começando a amadurecer, não é mais bebê. Está começando a andar sozinho. Tanto é que alguns acessórios, como os AirPods, por exemplo, já começam a ser divulgados muito mais como um acessório do Apple Watch do que do iPhone. Peças publicitárias e alguns comerciais já estão explorando muito bem essa nova faceta que o relógio assumiu.

Quando temos um Apple Watch em nossos pulsos, o Apple Pay nunca mais será utilizado num iPhone. Alguém duvida disso? Parece que o Apple Pay nasceu para o Watch!

Faz muito mais sentido usar a Siri em um dispositivo que não possui teclado virtual para respostas curtas a mensagens, por exemplo. Estou começando a entender o Apple Watch — e parece que o mundo também. Demoramos quatro anos para isso.

Não é à toa que o reloginho está vendendo como nunca, com um salto de 37% nas vendas no segundo trimestre de 2018 em comparação ao mesmo período do ano anterior. A Apple domina o mercado de smartwatches, abocanhando a maior fatia do bolo em relação às outras marcas.

Já descobriram para que ele serve

Enfim, parece que o Apple Watch encontrou sua missão neste mundo. E reparem que eu nem falei do seu uso para saúde, coisa que está se consolidando cada vez mais. A precisão do seu monitor cardíaco e outros sensores aliada a uma gama cada vez maior de tipos de atividades físicas e exercícios disponíveis nos aplicativos o tornam o companheiro ideal!

Imaginem todos esses recursos na área da saúde — e olhe que nem sabemos quais novidades teremos nas novas versões que serão anunciadas no próximo dia 12 — e também a possibilidade de conseguirmos fazer chamadas independentemente de nossos telefones, responder a mensagens, ver emails, ouvir músicas por streaming, realizar compras e uma série de outras coisas. Quem disse que o reloginho não servia para nada?

Desculpe, Apple Watch, por tê-lo subestimado por tanto tempo.
Minhas sinceras desculpas!

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