FBI usou rosto de suspeito para desbloquear seu iPhone X

Não é de hoje que o FBI (Federal Bureau of Investigation) vira notícia por usar alguma tática para tentar desbloquear iPhones de suspeitos que estão sendo investigados pela polícia americana.

Esses casos se tornaram mais comuns em 2016, com destaque para a ocorrência na qual a agência de segurança pagou mais de US$1,3 milhão a hackers para desbloquearem um iPhone 5c, após uma longa disputa judicial contra a Apple.

Agora, em vez de despender milhares de dólares com técnicas avançadas para desbloquear o iPhone, o FBI usou o recurso mais óbvio para acessar as informações do iPhone X de um suspeito de pornografia infantil — falo, é claro, do seu rosto.

Em agosto passado, o FBI revistou a casa de Grant Michalski, residente em Columbus (Estados Unidos), acusado de receber e armazenar conteúdo pornográfico infantil, conforme divulgado pela Forbes. Com um mandado de busca em mãos, os investigadores federais disseram para Michalski colocar seu rosto na frente do dispositivo, permitindo-lhes vasculharem o aparelho do suspeito.

Primeiro, vieram vários casos em que os suspeitos foram levados a desbloquearem seus iPhones com suas impressões digitais, por meio do Touch ID da Apple. Agora o Face ID está sendo usado para o mesmo propósito. Enquanto os federais obtiveram um mandado e pareceram ter feito tudo dentro dos limites da lei, permanecem preocupações sobre o uso de tais táticas.

Segundo Jerome Greco, advogado da equipe da Sociedade de Assistência Jurídica, usar o rosto de uma pessoa como prova ou para obter provas seria considerado ilegal. Ainda assim, conforme destacado pelo jurista, “nunca tivemos os rostos de tantas pessoas como senhas para desbloquear grande parte de suas informações privadas”.

De acordo com uma declaração para um mandado de busca, os agentes do FBI encontraram vários itens de interesse para a investigação no gadget do suspeito; contudo, curiosamente, no documento foi descrito que o item apreendido é um iPhone 8, que não possui Face ID.

O promotor do caso contou à Forbes que não conseguiu obter todas as informações que queria, incluindo o uso de aplicativos e arquivos excluídos, devido à nova camada de segurança do iOS que exige a senha do dispositivo para que os dados sejam transferidos via USB, após um período de inatividade.

Não obstante, ele revelou que tanto o Departamento de Polícia de Columbus quanto o Departamento de Investigação de Ohio possuem acesso a “dispositivos capazes de obter dados de iPhones bloqueados com senha”. Se você se lembra bem dos acontecimento deste ano, a fala do promotor está associada às máquinas da Cellebrite e da Grayshift, supostamente capazes de desbloquear esses gadgets.

Não está claro o que a investigação do iPhone do suspeito revelou, no entanto, o advogado de Michalski confirmou para a Forbes que o FBI tentou utilizar o dispositivo da Grayshift para acessar os dados do dispositivo do seu cliente.

via The Verge

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