Assinaturas enganosas viram problema comum na App Store

Muito se fala sobre o modelo de assinaturas que tomou conta da App Store e de basicamente todas as grandes lojas de aplicativos do mundo. Há quem goste da ideia de pagar um valor mensal (geralmente bem baixo) para utilizar seus serviços e apps favoritos; há também quem prefira o modelo antigo de fazer um pagamento único (maior) para nunca se preocupar com taxas e cobranças. Ambas as lógicas são válidas e cada vendedor da App Store tem o direito de escolher o modelo que seja mais vantajoso de acordo com o seu produto.

O problema é quando alguns desenvolvedores mal-intencionados se aproveitam da estrutura das assinaturas para enganar consumidores, empurrando cobranças quase imperceptíveis ou fazendo propagandas intrusivas para que os usuários gastem dinheiro com os planos em questão. E infelizmente, como mostrou o TechCrunch nesta reportagem, o desagradável fenômeno está cada vez mais comum.

A matéria trouxe vários exemplos de aplicativos que utilizam fraseamentos confusos, elementos de interface insistentes e/ou intrusivos e outros aspectos que tornam a vida dos usuários mais difícil e tentam tirar alguns — às vezes muitos — trocados dos consumidores desavisados.

Em um dos exemplos, um aplicativo chamado Scanner App arrecada absurdos US$14,3 milhões por ano; ele conta com um período de testes que dura apenas três dias (detalhe que está posto nos termos de uso do app, mas nem de longe num local dos mais visíveis) e, em seguida, começa a cobrar a assinatura dos usuários.

Outro app, o QR Code Reader, convida usuários a entrar num período de testes gratuito para, apenas três dias depois, começar a cobrar uma assinatura de absurdos US$156 anuais — por um recurso, vale lembrar, que já é nativo no iOS 12. Talvez assim os seus criadores tenham chegado à marca de US$5,3 milhões em receita anual.

Querem mais um exemplo? Basta ver o app Weather Alarms, que abre um popup falando do seu período de testes. O botão de fechar só surge após alguns segundos, basicamente disfarçado em meio às nuvens para que (quase) ninguém o note e ache que a única saída dali é participando do trial — que, como de costume, começará a fazer cobranças no seu cartão em alguns dias.

Esse Dark Pattern é o melhor (roubado das propagandas em tela cheia). O botão de fechar surge numa animação depois de alguns segundos, para que as pessoas não vejam que elas têm uma forma de sair da página. Vejam o canto superior esquerdo da página de inscrição.

Não é tão difícil encontrar apps desse tipo: basta abrir a lista de mais lucrativos da loja, passar das posições iniciais (compostas dos velhos conhecidos Netflix, Spotify e companhia) e dar uma analisada nas dezenas de apps da categoria “utilidades” listados a seguir — são justamente os aplicativos desse segmento que têm implementado com mais frequência as táticas de exploração.

Felizmente, a Apple parece estar ciente do problema e agindo para coibi-lo. Como informou o AppleInsider, a empresa retirou da loja vários dos apps citados pelo TechCrunch na reportagem, incluindo dois dos acima citados (o QR Code Reader continua no ar, por enquanto).

Ainda assim, fica o alerta: sempre que baixar um app, mantenha atenção para analisar seu comportamento e possíveis táticas de lhe fisgar para uma assinatura sem o seu pleno consentimento — caso algo nesse sentido se evidencie, livre-se do software imediatamente e procure uma alternativa mais honesta.

Para cancelar assinaturas já existentes, você deve acessar os Ajustes, tocar no seu nome e em “iTunes e App Store”. Ao tocar no seu ID Apple, no topo da tela, selecione a opção “Ver ID Apple” e toque em “Assinaturas” para cancelar ou gerenciar o que quiser. Sim, é uma área muito mais escondida do que deveria e espera-se que a Apple torne esse processo mais simples em futuras versões do sistema — mas, por ora, é o que temos.

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