“Zombie Check”: a ferramenta antifraude usada pela Apple

Na semana passada, comentamos um caso curioso (ou casos, melhor dizendo) de fraude envolvendo pedidos de reparos de iPhones roubados na China e em outros países. Para contornar a situação, a Apple adotou diversas medidas que vão desde alterar sua política de troca até o uso de um corante especial para verificar componentes falsos dos gadgets.

Na China, a situação chegou a um nível em que os fraudadores obtiveram registros de clientes da Apple, incluindo o número de série dos seus aparelhos, para identificar os iPhones que já haviam sido vendidos. Em alguns casos, os números de série incorretos seriam gravados na parte de trás dos dispositivos.

Para combater o uso de registros roubados, a Apple desenvolveu um método de filtragem internamente chamado “Zombie Check”, que verifica se os números de série dos iPhones levados para reparo estão associados àqueles dispositivos a partir dos dados do iCloud. Como se não bastasse o nível das fraudes, os bandidos tinham o hábito de usar listas (obtidas ilegalmente) com números de séries de aparelhos usados no país.

Cabo usado para verificar o número de série de iPhones

De acordo com um documento interno da Maçã, obtido pelo MacRumors, a ferramenta — até então desconhecida — foi usada inicialmente na China; mas a companhia começou a distribuí-la a partir de fevereiro deste ano para alguns Centros de Serviço Autorizados Apple (CSAA) de outros países, onde são realizados diversos tipos de reparos nos gadgets.

Para usar a “Zombie Check”, os técnicos da Maçã devem conectar a ferramenta a partir do cabo Lightning ao iPhone e o cabo USB em um Mac que deve estar rodando o macOS OS X Mountain Lion 10.8.5 ou posterior. Feito isso, basta iniciar o aplicativo “Serial Number Reader” para obter os números de série — o software mostra, ainda, se o telefone foi danificado voluntariamente para que não pudesse ser ligado pelos técnicos.

Aplicativo Serie Number Check

Mas, e nos casos dos iPhones seriamente danificados? A ferramenta pode recuperar números de séries de iPhones que sofreram diversos danos físicos e de software, incluindo danos por líquidos. No último caso, é importante que o líquido não esteja mais vazando do dispositivo.

A Apple afirmou no documento interno que “a validação do número de série garante o direito ao reparo e a elegibilidade do serviço associados a um dispositivo serializado”. Ela acrescentou, ainda, que essa validação “garante à Apple oferecer apenas serviços de garantia em produtos originais da Apple”, naturalmente.

De acordo com o MacRumors, os esforços da Apple parecem estar funcionando. No relatório anual 10-K da companhia, enviado para a U.S. Securities and Exchange Commission (SEC), as despensas com garantia da Maçã caíram de US$4,66 bilhões para US$4,32 bilhões — e tudo isso em menos de um ano, enquanto a ferramenta é usada apenas por determinadas lojas e centros autorizados.

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Comentários

4 comments

  1. Na semana passada levei um iPad para diagnóstico na loja da quinta avenida em NY, e usaram esse cabo “diferente” para fazerem o diagnóstico e ver se era eligivel de manutenção.

  2. Por outro lado, Louis Rossman, iFixIt e outros tão comprando briga com a Apple e outras empresas pelo “Direito ao Reparo”… essa da Apple ser a única empresa que fornece e distribui componentes para reparo dos seus produtos é péssimo pros consumidores. Não bastando o poder de fechar o fluxo de componentes de dispositivos julgados “vintage” pela companhia, a Apple ainda foi flagrada empurrando um reparo de mais de 1000 dólares – basicamente, forçando a troca do MacBook – enquanto o problema era simples… basicamente um pino que não fazia contato na placa… recomendo esse vídeo, mas é todo em inglês.
    A Apple tem dado umas vaciladas pesadas em relação à suporte técnico (casos do iMac Pro e outros…)
    E ela dificultando o reparo por terceiros só piora as coisas pra quem compra os produtos.
    Ela não só controla os componentes como desenha os Macs para serem irreparáveis fora de suas lojas.

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