Vendas de iPhones estacionam enquanto vestíveis disparam; veja como foi o 4º trimestre fiscal de 2018 da Apple

Como esperado, a Apple divulgou ontem os resultados financeiros do seu quarto trimestre fiscal de 2018 — os quais ficaram um pouco acima do previsto pela empresa. A receita no período foi de US$62,9 bilhões (20% a mais que no mesmo período do ano passado), com lucro líquido de US$14,1 bilhões (+32%) e ganhos por ação diluída de US$2,91 (+41%). Vendas internacionais compreenderam 61% de todo o faturamento trimestral.

As vendas de iPhones ficaram estáveis (nem subiram, nem diminuíram), totalizando 46,9 milhões de unidades e gerando 29%(!) mais receita do que no mesmo período há um ano, atingindo US$37,2 bilhões. As vendas de iPads caíram 6%, atingindo 9,7 milhões de unidades, o que gerou US$4,1 bilhões (-15%) para a empresa. Os Macs tiveram uma queda de 2% (5,3 milhões de unidades vendidas), gerando uma receita de US$7,4 bilhões (3% a mais). A categoria Serviços, por sua vez, bateu a marca de US$10 bilhões (um crescimento de 17%), enquanto a categoria Outros Produtos (na qual se enquadram Apple Watch, Apple TV, AirPods, fones Beats, entre outras coisas) conquistou uma receita expressiva de US$4,2 bilhões (um crescimento de 31%)!

Números do quatro trimestre fiscal de 2018 da Apple

Como de costume, o CEO1 Tim Cook e o CFO2 Luca Maestri realizaram uma conferência em áudio para anunciar os resultados e comentarem um pouco o desempenho da empresa no último período — e a projeção para o que ainda vem por aí. Nesse evento, seja durante as falas dos executivos ou na sessão de perguntas e respostas com analistas/jornalistas, sempre pintam informações interessantes. E nós, é claro, acompanhamos tudo de perto para trazer os destaques do último trimestre da Maçã para você. 😉

Menos transparência e reorganização de categorias

Antes, porém, vale destacar uma mudança importante que será implementada pela Apple já no próximo trimestre. Na conferência, Maestri informou que a empresa não divulgará mais os números detalhados das unidades vendidas de iPhones, iPads e Macs pois “as vendas de unidades no período de 90 dias não são necessariamente um indicador da força subjacente dos negócios da empresa”.

Além disso, a categoria “Outros Produtos” passará a se chamar “Vestíveis, Casa e Acessórios” (refletindo melhor a oferta de produtos que se encontram listados ela, como Apple Watch, Apple TV, HomePod, AirPods, Beats, iPod touch, acessórios, etc.).

Comentários gerais

  • Foi um ano fiscal de recordes para a empresa; falando especificamente do quatro trimestre, foi o melhor que a Apple já teve, crescendo 10% ou mais em todas as regiões onde a empresa atua.
  • A Apple bateu recordes de receita em quase todos os mercados, com crescimento muito forte (25% ou mais) na Alemanha, na Coreia do Sul, na Itália, no Japão, na Suécia e na Suíça.
  • A Maçã gerou US$19,5 bilhões em fluxo de caixa operacional e retornou mais de US$23 bilhões para acionistas em dividendos e recompras de ações no trimestre de setembro — elevando o capital total devolvido no ano fiscal de 2018 para quase US$90 bilhões.
  • A Apple fechou o trimestre com US$237,1 bilhões em caixa.
  • Mais de 5.000 faculdades (incluindo comunitárias) e instituições técnicas estão usando o currículo gratuito Everyone Can Code (Programação Para Todos) da Apple.
  • Mais de 350 escolas estão trabalhando com o currículo Everyone Can Create (Criatividade Para Todos) — uma coleção de ferramentas gratuitas e guias de projetos para liberar a criatividade de alunos com a ajuda do iPad.
  • Cook relembrou que 100% das operações globais da empresa são agora movidas por energia renovável.
  • A Apple também está fazendo grandes progressos na sua cadeia de suprimentos, como por exemplo com os novos MacBooks Air e Macs mini, que possuem as suas carcaças feitas 100% de alumínio reciclado (uma nova liga criada pela Apple).
  • No total, 450 companhias aéreas (47 das 50 maiores) ao redor do mundo adoraram dispositvos iOS “para voar mais seguro e proporcionar melhores experiências ao cliente”.
  • Durante o trimestre, a Apple vendeu o seu 2.000.000.000º iGadget!
  • O crescimento anual da Apple foi equivalente ao de uma empresa listada na Fortune 100.
  • As ações da Apple fecharam o ano fiscal com um aumento de 41% em relação ao ano anterior.

iPhones

  • As receitas geradas com as vendas de iPhones bateram recorde no trimestre, impulsionada pela demanda contínua dos iPhones 8, 8 Plus e X — e do lançamento dos iPhones XS e XS Max.
  • É importante frisar que os números do quarto trimestre fiscal (que terminou no dia 29 de setembro) pegaram apenas um pouco do início das vendas dos iPhones XS e XS Max, mas não do XR (que foi lançado em outubro).
  • O ASP3 do iPhone pulou para US$793 (o valor mais alto já registrado até então).
  • O iPhone teve um crescimento de 20% ou mais em vários mercados, incluindo Austrália, Chile, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Vietnã e mais.
  • Combinadas, as taxas de satisfação dos iPhones 8, 8 Plus e X — segundo a empresa 451 Research — ficaram em 98%.
  • Além disso, 80% dos donos de empresas planejam comprar iPhones de acordo com a mesma pesquisa.

iPads

  • As vendas de 9,7 milhões de unidades garantiram ao iPad ganhos de participação em quase todos os mercados (América Latina, Índia, Japão, etc.) — com base nas estimativas mais recentes da IDC.
  • A base instalada ativa do iPad atingiu novo recorde.
  • De acordo com a NPD, o iPad teve 68% de participação no mercado americano de tablets no trimestre, bem acima dos 54% do ano anterior.
  • A 451 Research indicou que o tablet tem uma taxa de satisfação de 96% (iPad e iPad Pro).
  • 74% das empresas pesquisadas planejam comprar o iPad.
  • 9 dos 10 principais varejistas globais usam iPads para interações com clientes e funcionários.

Macs

  • As receitas geradas com as vendas de Macs bateram um novo recorde histórico (não apenas do trimestre, mas de todos os tempos).
  • O desempenho recorde pode ser atrelado aos novos MacBooks Pro, lançados em julho, e à temporada de volta às aulas no hemisfério norte.
  • As respostas aos novos MacBooks Pro estão bem positivas, com forte crescimento de receita (10% ou mais) em mercados como África, América Latina, Europa Central/Oriental, Índia e Oriente Médio.
  • A Apple está hoje com a maior base de instalação ativa de Macs de todos os tempos.

Serviços

  • As receitas geradas pelos serviços da Maçã bateram um novo recorde histórico (não apenas do trimestre, mas de todos os tempos).
  • Num comparativo fiscal anual, a categoria cresceu 27% se for descontado um ajuste favorável de US$640 milhões realizado há um ano.
  • De acordo com Maestri, o Apple Music, o armazenamento do iCloud e o AppleCare bateram recordes no período.
  • O desempenho do Apple Pay, nas palavras de Cook, foi excepcional. Ele é, de longe, o serviço de pagamentos sem contato #1 em todo o mundo. O volume de transações triplicou em relação ao ano anterior e o serviço gerou significativamente mais transações do que o PayPal Mobile. Atualmente, 60% de todas as lojas dos EUA suportam o Apple Pay e ele já está presente em 71% dos 100 maiores varejistas.
  • O Apple Pay Cash é o serviço de pagamento entre pessoas mais bem classificado pela Consumer Reports4.
  • Há hoje cerca de 30 mil aplicativos na App Store utilizando assinaturas como forma de pagamento.

Outros Produtos

  • As receitas geradas com as vendas do que a Apple chama de dispositivos vestíveis (Apple Watch, AirPods e fones da Beats) bateram recorde no trimestre, com crescimento acima de 50%.
  • As vendas da Apple TV “estão bem fortes”, segundo Maestri.
  • Cook relembrou que, até o fim do ano, o recurso ECG do Apple Watch Series 4 será lançado nos Estados Unidos.

Apple Stores

  • A equipe de varejo da Apple registrou resultados recordes no quarto trimestre.
  • Mais de 250.000 sessões do Today at Apple foram realizadas nas lojas da Maçã.
  • As Apple Stores receberam 74 mil crianças no Apple Camp durante o verão.
  • Segundo Cook, o relacionamento que a Apple tem com seus clientes nas lojas vai muito além de “apenas fazer compras”.
  • Recentemente, a Apple abriu novas lojas na Itália e no Japão — e abrirá a sua primeira na Tailândia.

Perguntas e respostas

Perguntado sobre mercados emergentes e apps que tentam burlar o sistema de pagamentos da App Store, Cook disse que a empresa elevou os preços em certos mercados devido às flutuações cambiais. O resultado? Mercados que não cresceram como a Apple gostaria de ver. Na Índia, por exemplo, os negócios ficaram estagnados (Cook ainda está esperançoso de conseguir abrir lojas no país — algo que ainda depende de conversas com o governo); no Brasil, os números caíram um pouco em relação ao ano fiscal de 2017. Para Cook, cada um dos mercados emergentes tem uma história um pouco diferente — não é apenas uma questão que resolveria todos os problemas.

Na China, apesar do bom crescimento (16%) — especialmente do iPhone e da categoria Outros Produtos —, a App Store andou derrapando. Isso porque houve uma desaceleração na aprovação de jogos na App Store (fruto de uma nova configuração regulatória chinesa que está fazendo as coisas se desenrolarem mais devagar). Cook inclusive afirmou que algumas das maiores empresas de lá, que são públicas, também foram impactadas por isso.

Respondendo uma pergunta sobre a área de saúde, Cook afirmou que a Apple tem uma enorme oportunidade nesse segmento. “Você pode ver que, nos últimos anos, tivemos um interesse intenso na área e estamos adicionando produtos e serviços, serviços não-monetizados, até agora. Não quero falar sobre o futuro, porque não quero revelar o que estamos fazendo, mas essa é uma área de grande interesse para nós.”

Gráficos

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Gráfico do quarto trimestre fiscal de 2018 da Apple

Projeção para o FQ1 2019

Para o primeiro trimestre fiscal de 2019, a Apple prevê uma receita entre US$89 e US$93 bilhões (foram US$88,3 bilhões no ano passado — ou seja, a Apple já está prevendo um recorde), margem bruta entre 38% e 38,5%, gastos operacionais entre US$8,7 e US$8,8 bilhões, outras receitas/(despesas) de US$300 milhões e uma taxa de impostos de aproximadamente 16,5%.

via MacRumors, AppleInsider

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