Foxconn altera planos para fábrica nos EUA e não produzirá mais telas de iPhones [atualizado]

Taí uma história que certamente já sumiu da memória de vocês (como já tinha sumido da minha), então aí vai um breve resumo para que todos relembremos: há cerca de três anos, a Foxconn anunciou um investimento de US$10 bilhões para a construção de uma fábrica em Wisconsin (Estados Unidos), que, inicialmente, produziria telas LCD1 para televisores.

Alguns meses depois, comentamos aqui que a parceira da Apple tinha colocado um freio nos planos e, em vez da produção de painéis grandes, iria fazer uma pequena economia e produzir apenas telas LCD para smartphones (como o iPhone) no espaço, o que custaria menos dinheiro. Agora, parece que os planos mais uma vez foram reduzidos — e a perspectiva de produzir telas de iPhones nos EUA foi para o beleléu, já que o espaço nem sequer será mais uma fábrica.

Em entrevista à Reuters, Louis Woo — assistente especial do CEO da Foxconn — afirmou que a empresa “não está construindo uma fábrica” em Wisconsin; em vez disso, o que está sendo erguido por lá é um centro tecnológico de pesquisa e desenvolvimento. Os trabalhadores do complexo serão especialmente engenheiros e pesquisadores que focarão principalmente no estudo de novas tecnologias para montagem e produção de equipamentos.

Alguns problemas surgem dessa mudança de ventos: para a Apple, a notícia é ruim porque a empresa certamente estava contando com a produção de LCDs nos EUA para agradar o presidente Trump — que, como bem se sabe, tem pressionado a Maçã e todas as grandes empresas americanas a fabricarem ou montarem seus produtos (ou parte deles) no país.

Pior ainda é que a geração de empregos esperada pela construção do complexo está diminuindo a cada dia: inicialmente, a Foxconn afirmou que tinha uma estimativa de contratar cerca de 13.000 pessoas em Wisconsin; em seguida, a ideia era ter cerca de 5.200 empregos ativos até o fim de 2020. Agora, uma fonte próxima ao assunto afirma que o centro tecnológico empregará somente cerca de 1.000 pessoas.

Considerando que o governo de Wisconsin concedeu US$4 bilhões em subsídios fiscais à Foxconn para a construção do complexo, uma estimativa dessas significaria que, para a criação de cada novo emprego, o estado gastaria cerca de US$4 milhões — o que está deixando os moradores locais um tanto quanto insatisfeitos.

Resta saber, agora, quando os planos da Foxconn serão concluídos e se ainda há alguma chance de os investimentos realizados pelo poder público terem um retorno satisfatório para a população.

via 9to5Mac

Atualização, por Eduardo Marques 31/01/2019 às 11:16

Segundo informou o DigiTimes, a Foxconn está reavaliando, sim, os planos para essa empreitada em Wisconsin, mas que ele ainda é uma prioridade — mantendo a promessa de gerar cerca de 13.000 empregos.

De acordo com a Foxconn, a empresa está interessada em buscar oportunidades de negócios no mercado de LCD para aumentar a influência do seu campus em Wisconsin. A Foxconn disse que ampliará seus investimentos locais e que novos projetos não serão limitados apenas à área inicialmente decidida, garantindo que a empresa e os trabalhadores locais possam obter sucesso a longo prazo.

Muito provavelmente tal decisão tem alguma relação com a notícia de que a Apple pretende abandonar as telas LCDs (pelo menos nos seus smartphones) a partir de 2020.

via Cult of Mac

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