Huawei pagava bônus para funcionários que roubassem segredos da Apple

Não é nenhuma novidade que as fabricantes de smartphones chinesas estão correndo para (tentar) alcançar o posto de maiores do mundo. Mas a que custo? Obviamente, não é possível falar por todas as empresas, mas certamente a Huawei usava métodos para lá de desleais (alguns bem invasivos) para roubar segredos da Apple.

É exatamente essas práticas que um novo relatório do The Information1 expôs, após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigar a Huawei por uma série de crimes, incluindo obstrução de justiça, fraude bancária e, não surpreendentemente, tentativas de roubar segredos comerciais.

Entre as táticas usadas pela chinesa, engenheiros da companhia eram enviados às empresas que forneciam produtos para a Apple com promessas de grandes encomendas, aproveitando a oportunidade para se intrometer em processos específicos da produção de componentes dos dispositivos da Maçã (em alguns casos tais funcionários da Huawei chegaram a apelar por essas informações).

Em um desses casos, os empregados da Huawei que trabalhavam em um smartwatch se encontraram com um fornecedor da Apple no ano passado. Segundo o relatório, eles tentaram extrair especificações sobre o sensor de frequência cardíaca do Apple Watch com a promessa de realizar “grandes pedidos”.

Semelhantemente, um engenheiro da gigante chinesa enviou uma foto de um componente para um dos fornecedores da Apple e pediu que a fabricante daquela peça “se sentisse à vontade para sugerir um projeto de produto com o qual tivessem experiência”. Segundo o The Information, o fornecedor recusou a oferta da Huawei.

Também há a suspeita de que a Huawei teria copiado o design da dobradiça dos novos modelos do MacBook Pro. Como nos outros casos acima, os funcionários da chinesa reuniram-se com fornecedores da Apple pedindo detalhes desse componente; o design foi reconhecido pelos fornecedores, que se recusaram a fabricá-lo para a Huawei. Eventualmente, a empresa conseguiu encontrar uma fornecedora que fabricava uma dobradiça semelhante à dos notebooks da Maçã, usada atualmente na linha MateBook Pro (sim, até o nome) da Huawei.

Outra tática (essa menos invasiva, digamos) incluía entrevistar ex-funcionários da Apple ou da sua cadeia de fornecedores. Em um dos casos, um funcionário da Huawei abordou um ex-empregado da Maçã que havia acabado de deixar a companhia, apenas para ser repetidamente questionado sobre os próximos produtos e recursos da gigante de Cupertino.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, a Huawei oferece um programa interno que recompensa os funcionários que conseguem, literalmente, roubar essas informações — incluindo bônus que aumentam com base no valor das informações confidenciais coletadas.

Embora o roubo de segredos comerciais não seja novidade entre o meio tecnológico, as novas alegações contra a Huawei certamente mostram ainda ousadia e menos elaboração (já que eles nem se deram ao trabalho de “esconder” o interesse pelos gadgets da Apple). Vai entender…

via AppleInsider

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